segunda-feira, 26 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Dia da sobrecarga e pegada ambiental
Se
a humanidade se comprometesse a consumir a cada ano só os recursos naturais que
pudessem ser repostos pelo planeta no mesmo período, em 2013 teríamos de fechar
a Terra para balanço hoje, 20 de agosto. Essa é a estimativa da Global
Footprint Network, ONG de pesquisa que há dez anos calcula o "Dia da
Sobrecarga". Neste ano, o esgotamento ocorreu mais cedo do que em 2012
--22 de agosto--, e a piora tem sido persistente. "A cada ano, temos o Dia
da Sobrecarga antecipado em dois ou três dias", diz Juan Carlos Morales,
diretor regional da entidade na América Latina.
Para
facilitar o entendimento da situação, a Global Footprint Network continua
promovendo o uso do conceito de "pegada ambiental", uma medida
objetiva do impacto do consumo humano sobre recursos naturais. No Dia da
Sobrecarga, porém, expressa-o de outra maneira: para sustentar o atual padrão
médio de consumo da humanidade, a Terra precisaria ter 50% mais recursos. Para
fazer a conta, a ONG usa dados da ONU, da Agência Internacional de Energia, da
OMC (Organização Mundial do Comércio) e busca detalhes em dados dos governos
dos próprios países.
O
número leva em conta o consumo global, a eficiência de produção de bens, o
tamanho da população e a capacidade da natureza de prover recursos e
biodegradar/reciclar resíduos. Isso é traduzido em unidades de "hectares
globais", que representam tanto áreas cultiváveis quanto reservas de
manancial e até recursos pesqueiros disponíveis em águas internacionais. A
emissão de gases de efeito estufa também entra na conta, e países ganham mais
pontos por preservar florestas que retêm carbono.
Apesar
de ter começado a calcular o Dia da Sobrecarga há uma década, a Global
Footprint compila dados que remontam a 1961. Desde aquele ano, a sobrecarga ambiental
dobrou no planeta, e a projeção atual é de que precisemos de duas Terras para
sustentar a humanidade antes de 2050. A mensagem é que esse padrão de
desenvolvimento não tem como se sustentar por muito tempo. "O problema
hoje não é só proteger o ambiente, mas também a economia pois os países têm
ficado mais dependentes de importação, o que faz o preço das commodities
disparar", diz Morales. "Isso ocorre porque os serviços ambientais
[benefícios que tiramos dos ecossistemas] já não são suficientes".
No
panorama traçado pela Global Footprint Network, o Brasil aparece ainda como um
"credor" ambiental, oferecendo ao mundo mais recursos naturais do que
consome. Isso se deve em grande parte à Amazônia, que retém muito carbono nas
árvores, e a uma grande oferta ainda de terras agricultáveis não desgastadas. Mas,
segundo a ONG WWF-Brasil, que faz o cálculo da pegada ambiental do país, nossa
margem de manobra está diminuindo (veja quadro à dir.), e exibe grandes
desigualdades regionais. "Na cidade de São Paulo, usamos mais de duas
vezes e meia a área correspondente a tudo o que consumimos", diz Maria
Cecília Wey de Brito, da WWF. O número é similar ao da China, um dos maiores
"devedores" ambientais.
Fonte: Folha de São
Paulo, 20 agosto 2013 (texto e imagem).
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Ultima década foi a mais quente desde 1850!
A primeira década deste novo século apresentou as
temperaturas médias mais altas já registradas desde que começaram as medições
modernas, em 1850. Além disso, mais recordes de calor foram batidos entre 2001
e 2010 do que durante qualquer outro período.
Para piorar, o aumento do nível dos oceanos se deu em um ritmo duas
vezes mais rápido do que nos 100 anos anteriores. Essas são apenas algumas das
constatações do recém-publicado “The Global Climate 2001-2010, A Decade of
Climate Extremes”, da Organi zação Meteorológica Mundial (OMM).
“O relatório mostra que o aquecimento global acelerou nas quatro décadas entre 1971 e 2010 e que a taxa de aumento entre 1991-2000 e 2001-2010 é sem precedentes. O aumento da concentração de gases do efeito estufa está transformando nosso clima, com implicações para nosso meio ambiente e oceanos, os quais estão absorvendo tanto dióxido de carbono quanto calor”, explica Michel Jarraud, secretário-geral da OMM. De acordo com o documento, a concentração de CO2 na atmosfera subiu para 389 partes por milhão em 2010, um aumento de 39% com relação ao começo da Era Industrial. Vale lembrar que essa concentração atualmente está na faixa das 400ppm.“Variabilidades climáticas naturais, causadas por interações entre nossa atmosfera e os oceanos – como evidenciadas pelo El Niño e La Niña – significam que alguns anos foram mais frios que outros. Observada em uma escala anual, a curva da temperatura global apresenta nuances. Mas em termos de longo prazo, a tendência é claramente para cima, ainda mais no período recente”, afirmou Jarraud.
O “The Global Climate 2001-2010, A Decade of Climate Extremes” é gratuito está disponível para download.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias2/noticia=734483
“O relatório mostra que o aquecimento global acelerou nas quatro décadas entre 1971 e 2010 e que a taxa de aumento entre 1991-2000 e 2001-2010 é sem precedentes. O aumento da concentração de gases do efeito estufa está transformando nosso clima, com implicações para nosso meio ambiente e oceanos, os quais estão absorvendo tanto dióxido de carbono quanto calor”, explica Michel Jarraud, secretário-geral da OMM. De acordo com o documento, a concentração de CO2 na atmosfera subiu para 389 partes por milhão em 2010, um aumento de 39% com relação ao começo da Era Industrial. Vale lembrar que essa concentração atualmente está na faixa das 400ppm.“Variabilidades climáticas naturais, causadas por interações entre nossa atmosfera e os oceanos – como evidenciadas pelo El Niño e La Niña – significam que alguns anos foram mais frios que outros. Observada em uma escala anual, a curva da temperatura global apresenta nuances. Mas em termos de longo prazo, a tendência é claramente para cima, ainda mais no período recente”, afirmou Jarraud.
A temperatura média global entre 2001-2010 foi estimada em
14,47°C, 0,47°C acima da média entre 1961-1990, que por sua vez já havia sido
0,14°C mais quente do que a década anterior. Todos os anos da última década,
com exceção de 2008, estão entre os dez mais quentes já registrados, sendo que
2010 apresenta o recorde histórico, com 14,54°C. Dos 139 países observados pelo
relatório, 94% tiveram na década passada a mais quente já monitorada. No Brasil, a anomalia de temperatura foi ainda mais elevada,
com um aumento na média de 0,74 °C.
Porém, coube à Groenlândia a maior anomalia, com 1,71°C, alta que foi
ainda mais pronunciada em 2010, com espantosos 3,2°C acima da média.
Todo esse calor resultou, é claro, em um maior degelo nas
regiões polares e nas cadeias de montanhas. O que, por sua vez, teve impacto na
elevação do nível dos oceanos. Segundo a OMM, o mar avançou uma média de três
milímetros por ano, quase o dobro do observado durante o século XX, 1,6
milímetros. O nível atual dos oceanos está 20 centímetros acima do que estava
em 1880. (...)O “The Global Climate 2001-2010, A Decade of Climate Extremes” é gratuito está disponível para download.
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias2/noticia=734483
terça-feira, 9 de julho de 2013
Forum Temático: Religião, ecologia e cidadania planetária (2)
Eis a síntese das comunicações de cada um dos membros do Forum Temático 2: Religião, ecologia e cidadania planetária, durante a 26º Congresso da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião).
A Carta da Terra levou o debate sobre consciência planetária do restrito âmbito de ambientalistas e pensadores/as para o público externo à academia. Embora esse público ainda seja pequeno, é certo que o tema tem-se desdobrado em várias questões que atingem um número cada vez maior de pessoas, muitas delas com forte marca cristã. Tendo presente a tradução antropocêntrica do cristianismo, cabe perguntar sobre as incidências dessas três dessas questões – Direitos da Terra, Bem-viver e especismo – na concepção cristã. Onde percebe-se pontos de resistência e de aceitação.
Lynn White Jr., em seu celebre artigo “As raízes históricas da nossa crise ecológica”, não somente lamenta que o mandamento de Deus ao homem no livro do Gênesis seja de “dominar” a natureza, lamenta também o fato de ser um mandamento de “multiplicar” o número de descendentes deste homem primordial. De fato, Lynn White Jr., começa seu artigo mencionando Audous Huxley, e o efeito que o crescimento da população humana teve na degradação ambiental. A partir da constatação que a cristandade haveria uma enorme culpa no que diz respeito à crise ambiental, o autor duvida que a solução a esta crise possa estar no correto uso da ciência e da técnica e propõe uma visão alternativa àquela cristã. Mesmo depois de Copérnico ainda acreditaríamos na centralidade do nosso mundo, e mesmo depois de Darwin ainda “não seriamos capazes de nos conceber como membros do mundo natural”, segundo White. Ainda acreditamos na nossa superioridade e isso seria deplorável para o autor. Um ponto de fuga dessa visão seria o fato do autor salvar a figura de São Francisco de Assis, que White chama simplesmente Francis, como a figura cristã de maior impacto depois do próprio Cristo. Sua concepção democratiza a relação entre as criaturas de Deus, considerados como irmãos. White afirma que São Francisco “queria substituir o papel ilimitado do homem no cenário natural por uma idéia de igualdade entre as criaturas inclusive o homem” (..) A solução para a crise ecológica, profundamente enraizada em solo religioso, precisa de um remédio que seja igualmente religioso e a figura de São Francisco é de vital importância nesta empresa. Partindo da atualidade desta visão que vê uma grande culpabilidade a tradição Cristã no atual estado de alarme ecológico, analiso outros autores e outras versões do mesmo problema, comparando, principalmente com as ideias do economista e professor David Landes e sua obra "A Riqueza e pobreza das nações: Porque umas são tão ricas e outras tão pobres".
Esta comunicação tem por objetivo apontar as contribuições e os limites do catolicismo romano a uma ética e espiritualidade biocêntricas. Ele toma como pressuposta a matriz antropocêntrica das religiões abraâmicas – entre as quais se inclui o cristianismo – mas levanta a hipótese de sua abertura a uma concepção biocêntrica. O campo empírico da busca é o Catecismo da Igreja Católica (CIC). O Catecismo é o documento oficial sobre a prática da fé e do ensinamento da doutrina. Nele estão contidos elementos que servem de orientações para a prática do catolicismo em todo o mundo, é um documento oficial de referência para os católicos. Nele há instruções sobre a profissão de fé, os sacramentos, a vida e a oração, sendo o mais completo documento da Igreja Católica acerca de sua doutrina. Justamente por isso serve de referência para qualquer estudo que se desenvolva sobre esta instituição religiosa. O período de elaboração do CIC (1985-1992) coincide com o início dos debates em várias partes do globo sobre questões como a extinção de espécies, o desmatamento, a poluição, o aquecimento global, o efeito estufa e o desenvolvimento sustentável. É um período de florescimento acentuado da consciência ambiental e das discussões sobre a relação dos humanos com a natureza. Nessa fase a perspectiva biocêntrica começa a entrar na pauta de discussão de intelectuais e instituições internacionais, dentre elas a Igreja Católica.
Inicialmente, caracterizaremos de forma breve os elementos que compõem o conceito de “Consciência planetária” e “Ecoteologia”. A seguir, apresentaremos as sete chaves, a saber:
- Encantamento: experiência sensível de contato com o meio ambiente, que desperta no ser humano o sentimento de reverência diante do mistério de todos os seres.
- Indignação: postura ética de “desconforto” diante das situações que atentam contra a dignidade dos seres humanos, sobrecarregam os ecossistemas e comprometem a continuidade da “teia da vida” no planeta.
- Informação: conhecer a situação dos ecossistemas no planeta, os impactos ambientais, a configuração do antropoceno e as alternativas de sustentabilidade.
- Visão sistêmica: superação da visão analítica que fragmenta a realidade, através do exercício da “alfabetização ecológica”, de compreensão holística e holográfica.
- Mística: desenvolvimento da eco-espiritualidade a partir da Bíblia, da Tradição Eclesial, do diálogo interreligioso e da sensibilidade aos Sinais dos Tempos, favorecendo a unidade da experiência salvífica cristã (criação – encarnação – redenção – recapitulação).
- Atitudes pessoais: posturas individuais, traduzidas em ações cotidianas referentes ao consumo de produtos e serviços e ao exercício da cidadania.
- Ações coletivas: complexo de iniciativas que abrange diversos âmbitos, do nível local à governança global, incluindo educação ambiental, gestão sócio-ambiental, comunicação, legislação e comunicação.
Um olhar essencial e primordial sobre a simbologia sagrada das águas para os candomblecistas. Para os candomblecistas o simbolismo das águas ultrapassa, e muito, o seu significado dos seus compostos químicos e das suas variadas formas de benefícios e de utilização do/no mundo moderno. O significado das águas nos terreiros de Candomblé situa-se num amplo universo de narrativas sagradas seculares, salvaguardando suas similaridades e suas diferenças com outras tradições religiosas, pois jamais se pode permitir ser interpretado e analisado com os procedimentos e os métodos da racionalidade cartesiana do mundo moderno. Dessa forma, as águas devem ser interpretadas a partir de “hidrofanias”, uma outra forma de ser no mundo: sagrada/profana. Assim sendo, a água no Candomblé é um elemento essencial e primordial a partir do qual tudo se configura e estrutura. E a água está presente na quartinha dos orixás; nos banhos e purificação dos corpos, dos animais, dos alimentos e folhas sagradas; ela restabelece a força regeneradora da energia vital; cura as diversas moléstias do corpo e da alma... E, necessário se faz lembrar, os candomblecistas ritualizam os significados primordiais das suas narrativas sagradas dos diferentes tipos de água: lamacenta, Nanã; doce, Oxum; salgada, Iemanjá. Portanto, diferente da racionalidade cartesiana que utiliza e beneficia da água em diversos momentos da sua comercialização, pois água é fonte de lucro e de riqueza.
O curso de Teologia da Faculdade Messiânica foi reconhecido pelo MEC em 2011 e tem uma proposta diferenciada de currículo que integra eixos de conhecimentos teológicos gerais com os específicos de uma teologia sui generis: a teologia da Igreja Messiânica Mundial (IMM - religião de origem japonesa fundada em 1935). Nesta comunicação pretendemos apresentar aspectos da proposta missionária da IMM que integra aspectos religiosos e práticas sociais (em terminologia messiânica denominada ‘ultrarreligião’) que conferem uma dimensão pública à sua teologia. Em especial, nos debruçaremos na análise do conteúdo e métodos de uma teologia prática com ênfase na visão do Fundador Meishu-Sama sobre “Arte da Agricultura Natural”; nos desdobramentos de uma práxis peculiar no campo da saúde, agricultura e meio ambiente e, finalmente, na reflexão sobre os possíveis fundamentos de uma ecoteologia messiânica.
Esta pesquisa se propõe a esclarecer os vínculos da Teoria da Complexidade, interpretada a partir de Edgar Morin, com a Ética Ecológica Planetária proposta por Leonardo Boff. Ela ganha importância à medida que enfatiza o pensamento complexo como sustentação teórica dos problemas globalizados apontados por Boff e que, por sua vez exigem soluções complexas que atendam a diversidade de povos e culturas. Não dá mais para esperar soluções milagrosas vindas de um determinado segmento religioso, científico ou político que atenda a todos de maneira satisfatória. Deve-se aprender a pensar de outro modo, como diz Edgar Morin em seu escrito sobre o método, (sexto volume: tema ética a exigência da solidariedade e da responsabilidade como meios de religação ética entre os seres humanos e o planeta terra, nossa pátria-mãe).
1. Direitos da Terra, Bem-viver e superação do
especismo: incidências no cristianismo
Pedro A.
Ribeiro de Oliveira. Doutor em sociologia – PUC-Minas
pedror.oliveira@uol.com.br A Carta da Terra levou o debate sobre consciência planetária do restrito âmbito de ambientalistas e pensadores/as para o público externo à academia. Embora esse público ainda seja pequeno, é certo que o tema tem-se desdobrado em várias questões que atingem um número cada vez maior de pessoas, muitas delas com forte marca cristã. Tendo presente a tradução antropocêntrica do cristianismo, cabe perguntar sobre as incidências dessas três dessas questões – Direitos da Terra, Bem-viver e especismo – na concepção cristã. Onde percebe-se pontos de resistência e de aceitação.
2. Culpa e mérito do Ocidente Cristão na
Crise Ambiental
Douglas Jorge
Arão. Doutor em Filosofia. PUC-Minas. djarao@gmail.com
Lynn White Jr., em seu celebre artigo “As raízes históricas da nossa crise ecológica”, não somente lamenta que o mandamento de Deus ao homem no livro do Gênesis seja de “dominar” a natureza, lamenta também o fato de ser um mandamento de “multiplicar” o número de descendentes deste homem primordial. De fato, Lynn White Jr., começa seu artigo mencionando Audous Huxley, e o efeito que o crescimento da população humana teve na degradação ambiental. A partir da constatação que a cristandade haveria uma enorme culpa no que diz respeito à crise ambiental, o autor duvida que a solução a esta crise possa estar no correto uso da ciência e da técnica e propõe uma visão alternativa àquela cristã. Mesmo depois de Copérnico ainda acreditaríamos na centralidade do nosso mundo, e mesmo depois de Darwin ainda “não seriamos capazes de nos conceber como membros do mundo natural”, segundo White. Ainda acreditamos na nossa superioridade e isso seria deplorável para o autor. Um ponto de fuga dessa visão seria o fato do autor salvar a figura de São Francisco de Assis, que White chama simplesmente Francis, como a figura cristã de maior impacto depois do próprio Cristo. Sua concepção democratiza a relação entre as criaturas de Deus, considerados como irmãos. White afirma que São Francisco “queria substituir o papel ilimitado do homem no cenário natural por uma idéia de igualdade entre as criaturas inclusive o homem” (..) A solução para a crise ecológica, profundamente enraizada em solo religioso, precisa de um remédio que seja igualmente religioso e a figura de São Francisco é de vital importância nesta empresa. Partindo da atualidade desta visão que vê uma grande culpabilidade a tradição Cristã no atual estado de alarme ecológico, analiso outros autores e outras versões do mesmo problema, comparando, principalmente com as ideias do economista e professor David Landes e sua obra "A Riqueza e pobreza das nações: Porque umas são tão ricas e outras tão pobres".
3. Viabilidade da Ética e Espiritualidade
biocêntricas na Igreja Católica: uma análise do Catecismo romano
Luiz Eduardo
S. Pinto. Mestre em Ciências da Religião. UNIMONTES. eduardosouzait@yahoo.it Esta comunicação tem por objetivo apontar as contribuições e os limites do catolicismo romano a uma ética e espiritualidade biocêntricas. Ele toma como pressuposta a matriz antropocêntrica das religiões abraâmicas – entre as quais se inclui o cristianismo – mas levanta a hipótese de sua abertura a uma concepção biocêntrica. O campo empírico da busca é o Catecismo da Igreja Católica (CIC). O Catecismo é o documento oficial sobre a prática da fé e do ensinamento da doutrina. Nele estão contidos elementos que servem de orientações para a prática do catolicismo em todo o mundo, é um documento oficial de referência para os católicos. Nele há instruções sobre a profissão de fé, os sacramentos, a vida e a oração, sendo o mais completo documento da Igreja Católica acerca de sua doutrina. Justamente por isso serve de referência para qualquer estudo que se desenvolva sobre esta instituição religiosa. O período de elaboração do CIC (1985-1992) coincide com o início dos debates em várias partes do globo sobre questões como a extinção de espécies, o desmatamento, a poluição, o aquecimento global, o efeito estufa e o desenvolvimento sustentável. É um período de florescimento acentuado da consciência ambiental e das discussões sobre a relação dos humanos com a natureza. Nessa fase a perspectiva biocêntrica começa a entrar na pauta de discussão de intelectuais e instituições internacionais, dentre elas a Igreja Católica.
4 . As sete chaves da consciência
planetária à luz da ecoteologia.
Afonso T.
Murad. Doutor em Teologia, FAJE. murad4@hotmail.com
Inicialmente, caracterizaremos de forma breve os elementos que compõem o conceito de “Consciência planetária” e “Ecoteologia”. A seguir, apresentaremos as sete chaves, a saber:
- Encantamento: experiência sensível de contato com o meio ambiente, que desperta no ser humano o sentimento de reverência diante do mistério de todos os seres.
- Indignação: postura ética de “desconforto” diante das situações que atentam contra a dignidade dos seres humanos, sobrecarregam os ecossistemas e comprometem a continuidade da “teia da vida” no planeta.
- Informação: conhecer a situação dos ecossistemas no planeta, os impactos ambientais, a configuração do antropoceno e as alternativas de sustentabilidade.
- Visão sistêmica: superação da visão analítica que fragmenta a realidade, através do exercício da “alfabetização ecológica”, de compreensão holística e holográfica.
- Mística: desenvolvimento da eco-espiritualidade a partir da Bíblia, da Tradição Eclesial, do diálogo interreligioso e da sensibilidade aos Sinais dos Tempos, favorecendo a unidade da experiência salvífica cristã (criação – encarnação – redenção – recapitulação).
- Atitudes pessoais: posturas individuais, traduzidas em ações cotidianas referentes ao consumo de produtos e serviços e ao exercício da cidadania.
- Ações coletivas: complexo de iniciativas que abrange diversos âmbitos, do nível local à governança global, incluindo educação ambiental, gestão sócio-ambiental, comunicação, legislação e comunicação.
5. Um olhar essencial e primordial sobre a
simbologia sagrada das águas para os candomblecistas.
Amarildo
Fernando de Almeida. Mestre em Ciências da Religião. PUC-Minas. amarildo-fernando@uol.com.br
Um olhar essencial e primordial sobre a simbologia sagrada das águas para os candomblecistas. Para os candomblecistas o simbolismo das águas ultrapassa, e muito, o seu significado dos seus compostos químicos e das suas variadas formas de benefícios e de utilização do/no mundo moderno. O significado das águas nos terreiros de Candomblé situa-se num amplo universo de narrativas sagradas seculares, salvaguardando suas similaridades e suas diferenças com outras tradições religiosas, pois jamais se pode permitir ser interpretado e analisado com os procedimentos e os métodos da racionalidade cartesiana do mundo moderno. Dessa forma, as águas devem ser interpretadas a partir de “hidrofanias”, uma outra forma de ser no mundo: sagrada/profana. Assim sendo, a água no Candomblé é um elemento essencial e primordial a partir do qual tudo se configura e estrutura. E a água está presente na quartinha dos orixás; nos banhos e purificação dos corpos, dos animais, dos alimentos e folhas sagradas; ela restabelece a força regeneradora da energia vital; cura as diversas moléstias do corpo e da alma... E, necessário se faz lembrar, os candomblecistas ritualizam os significados primordiais das suas narrativas sagradas dos diferentes tipos de água: lamacenta, Nanã; doce, Oxum; salgada, Iemanjá. Portanto, diferente da racionalidade cartesiana que utiliza e beneficia da água em diversos momentos da sua comercialização, pois água é fonte de lucro e de riqueza.
6. Dimensão pública da teologia messiânica:
ensaios sobre a constituição de uma ecoteologia
Andrea G.
Santiago Tomita. Doutora em Ciências da Religião. Faculdade Messiânica. andreatomita@hotmail.com O curso de Teologia da Faculdade Messiânica foi reconhecido pelo MEC em 2011 e tem uma proposta diferenciada de currículo que integra eixos de conhecimentos teológicos gerais com os específicos de uma teologia sui generis: a teologia da Igreja Messiânica Mundial (IMM - religião de origem japonesa fundada em 1935). Nesta comunicação pretendemos apresentar aspectos da proposta missionária da IMM que integra aspectos religiosos e práticas sociais (em terminologia messiânica denominada ‘ultrarreligião’) que conferem uma dimensão pública à sua teologia. Em especial, nos debruçaremos na análise do conteúdo e métodos de uma teologia prática com ênfase na visão do Fundador Meishu-Sama sobre “Arte da Agricultura Natural”; nos desdobramentos de uma práxis peculiar no campo da saúde, agricultura e meio ambiente e, finalmente, na reflexão sobre os possíveis fundamentos de uma ecoteologia messiânica.
7.
O lugar da teoria da complexidade na ética ecológica de Leonardo Boff
Gabriel do Nascimento Vieira. Doutorando em
Ciências da Religião. UNIMONTES. bielvi@ig.com.br
Esta pesquisa se propõe a esclarecer os vínculos da Teoria da Complexidade, interpretada a partir de Edgar Morin, com a Ética Ecológica Planetária proposta por Leonardo Boff. Ela ganha importância à medida que enfatiza o pensamento complexo como sustentação teórica dos problemas globalizados apontados por Boff e que, por sua vez exigem soluções complexas que atendam a diversidade de povos e culturas. Não dá mais para esperar soluções milagrosas vindas de um determinado segmento religioso, científico ou político que atenda a todos de maneira satisfatória. Deve-se aprender a pensar de outro modo, como diz Edgar Morin em seu escrito sobre o método, (sexto volume: tema ética a exigência da solidariedade e da responsabilidade como meios de religação ética entre os seres humanos e o planeta terra, nossa pátria-mãe).
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Forum Temático: Religião, ecologia e cidadania planetária
Durante a 26º Congresso Internacional da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião), realizado nos dias 8 a 11 de julho de 2013, reúne-se o Forum Temático 2, em torno de "Religião, ecologia e cidadania planetária".
Coordenadores: Afonso Murad (FAJE) e Pedro Ribeiro de Oliveira (PUC-Minas)
Programação:
9 de julho: 14h às 15h45
14h às 14h15: Introdução do Fórum Temático. Finalidade e metodologia
14h15 às 14h45: Um olhar essencial e primordial sobre a simbologia sagrada das águas para os candomblecistas - Me. Amarildo Fernando de Almeida
14h45 às 15h15: Viabilidade da ética e espiritualidade biocêntricas na Igreja Católica: uma análise do catecismo romano - Me. Luiz Eduardo S. Pinto
15h15 às 15h45: O lugar da teoria da complexidade na ética ecológica de Leonardo Boff - Doutorando Gabriel do Nascimento Vieira
14h15 às 14h45 Culpa e mérito do ocidente cristão na crise ambiental - Dr. Douglas Jorge Arão
14h45 às 15h15 Direitos da Terra, bem-viver e superação do especismo: incidências no cristianismo - Dr. Pedro Assis Ribeiro de Oliveira
15h15 às 15h45 As sete chaves da consciência planetária à luz da ecoteologia - Dr. Afonso Tadeu Murad
15h45 às 16h Intervalo
16h às 16h30 Conclusão e avaliação do FT. Proposta de grupo de pesquisa permanente.
(Os resumos e publicações se encontram no site www.soter.org.br )
Coordenadores: Afonso Murad (FAJE) e Pedro Ribeiro de Oliveira (PUC-Minas)
Programação:
9 de julho: 14h às 15h45
14h às 14h15: Introdução do Fórum Temático. Finalidade e metodologia
14h15 às 14h45: Um olhar essencial e primordial sobre a simbologia sagrada das águas para os candomblecistas - Me. Amarildo Fernando de Almeida
14h45 às 15h15: Viabilidade da ética e espiritualidade biocêntricas na Igreja Católica: uma análise do catecismo romano - Me. Luiz Eduardo S. Pinto
15h15 às 15h45: O lugar da teoria da complexidade na ética ecológica de Leonardo Boff - Doutorando Gabriel do Nascimento Vieira
10 de julho: 14h às 16h30
14h às 14h15 Síntese do dia anterior e apresentação da pauta do dia14h15 às 14h45 Culpa e mérito do ocidente cristão na crise ambiental - Dr. Douglas Jorge Arão
14h45 às 15h15 Direitos da Terra, bem-viver e superação do especismo: incidências no cristianismo - Dr. Pedro Assis Ribeiro de Oliveira
15h15 às 15h45 As sete chaves da consciência planetária à luz da ecoteologia - Dr. Afonso Tadeu Murad
15h45 às 16h Intervalo
16h às 16h30 Conclusão e avaliação do FT. Proposta de grupo de pesquisa permanente.
(Os resumos e publicações se encontram no site www.soter.org.br )
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Mensagem do Papa Francisco no Dia Internacional do Meio Ambiente
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de concentrar-me sobre a questão do ambiente, como já tive oportunidade de fazer em diversas ocasiões. Também sugerido pelo Dia Mundial do Ambiente, promovido pelas Nações Unidas, que lança um forte apelo à necessidade de eliminar os desperdícios e a destruição de alimentos.
Quando falamos de ambiente, da criação, o meu pensamento vai às primeiras páginas da Bíblia, ao Livro de Gênesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra para que a cultivassem e a protegessem (cfr 2, 15). E me surgem as questões: O que quer dizer cultivar e cuidar da terra? Nós estamos realmente cultivando e cuidando da criação? Ou será que estamos explorando-a e negligenciando-a? O verbo “cultivar” me traz à mente o cuidado que o agricultor tem com a sua terra para que dê fruto e esse seja partilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e cuidar da criação é uma indicação de Deus dada não somente no início da história, mas a cada um de nós; é parte do seu projeto; quer dizer fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou tantas vezes que esta tarefa confiada a nós por Deus Criador requer captar o ritmo e a lógica da criação. Nós, em vez disso, somos muitas vezes guiados pela soberba do dominar, do possuir, do manipular, do explorar; não a “protegemos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito com o qual ter cuidado. Estamos perdendo a atitude de admiração, de contemplação, de escuta da criação; e assim não conseguimos mais ler aquilo que Bento XVI chama de “o ritmo da história de amor de Deus com o homem”. Porque isto acontece? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal, estamos nos afastando de Deus, não lemos os seus sinais.
Mas o “cultivar e cuidar” não compreende somente a relação entre nós e o ambiente, entre o homem e a criação, diz respeito também às relações humanas. Os Papas falaram de ecologia humana, estritamente ligada à ecologia ambiental. Nós estamos vivendo um momento de crises; vemos isso no ambiente, mas, sobretudo, no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, a pessoa humana hoje está em perigo, eis a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é somente uma questão de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja destacou isso muitas vezes; e muitos dizem: sim, é certo, é verdade… mas o sistema continua como antes, porque aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de uma finança carentes de ética. Aquilo que comanda hoje não é o homem, é o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro comanda. E Deus nosso Pai deu a tarefa de cuidar da terra não ao dinheiro, mas a nós: aos homens e mulheres, nós temos esta tarefa! Em vez disso, homens e mulheres sacrificam-se aos ídolos do lucro e do consumo: é a “cultura do descartável”. Se um computador quebra é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades, os dramas de tantas pessoas acabam por entrar na normalidade. Se em uma noite de inverno, aqui próximo na rua Ottaviano, por exemplo, morre uma pessoa, isto não é notícia. Se em tantas partes do mundo há crianças que não têm o que comer, isto não é notícia, parece normal. Não pode ser assim! No entanto essas coisas entram na normalidade: que algumas pessoas sem teto morram de frio pelas ruas não é notícia. Ao contrário, a queda de dez pontos na bolsa de valores de uma cidade constitui uma tragédia. Um que morre não é uma notícia, mas se caem dez pontos na bolsa é uma tragédia! Assim as pessoas são descartadas, como se fossem resíduos.
Esta “cultura do descartável” tende a se transformar mentalidade comum, que contagia todos. A vida humana, a pessoa não são mais consideradas como valor primário a respeitar e cuidar, especialmente se é pobre ou deficiente, se não serve ainda – como o nascituro – ou não serve mais – como o idoso. Esta cultura do descartável nos tornou insensíveis também com relação ao lixo e ao desperdício de alimento, o que é ainda mais deplorável quando em cada parte do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem fome e desnutrição. Um dia os nossos avós estiveram muito atentos para não jogar nada de comida fora. O consumismo nos induziu a acostumar-nos ao supérfluo e ao desperdício cotidiano de comida, ao qual às vezes não somos mais capazes de dar o justo valor, que vai muito além de meros parâmetros econômicos. Recordemos bem, porém, que a comida que se joga fora é como se estivesse sendo roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome! Convido todos a refletir sobre o problema da perda e do desperdício de alimento para identificar vias que, abordando seriamente tal problemática, sejam veículo de solidariedade e de partilha com os mais necessitados.
Há poucos dias, na festa de Corpus Christi, lemos a passagem do milagre dos pães: Jesus dá de comer à multidão com cinco pães e dois peixes. E a conclusão do trecho é importante: “E todos os que comeram ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços” (Lc 9, 17). Jesus pede aos discípulos que nada seja perdido: nada desperdiçado! E tem este fato das doze cestas: por que doze? O que significa? Doze é o número das tribos de Israel, representa simbolicamente todo o povo. E isto nos diz que quando a comida vem partilhada de modo igualitário, com solidariedade, ninguém é privado do necessário, cada comunidade pode satisfazer as necessidades dos mais pobres. Ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntas.
Gostaria então que levássemos todos a sério o compromisso de respeitar e cuidar da criação, de estar atento a cada pessoa, de combater a cultura do lixo e do descartável, para promover uma cultura da solidariedade e do encontro. Obrigado.
(Mensagem de 05 junho 2013)
Hoje gostaria de concentrar-me sobre a questão do ambiente, como já tive oportunidade de fazer em diversas ocasiões. Também sugerido pelo Dia Mundial do Ambiente, promovido pelas Nações Unidas, que lança um forte apelo à necessidade de eliminar os desperdícios e a destruição de alimentos.
Quando falamos de ambiente, da criação, o meu pensamento vai às primeiras páginas da Bíblia, ao Livro de Gênesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra para que a cultivassem e a protegessem (cfr 2, 15). E me surgem as questões: O que quer dizer cultivar e cuidar da terra? Nós estamos realmente cultivando e cuidando da criação? Ou será que estamos explorando-a e negligenciando-a? O verbo “cultivar” me traz à mente o cuidado que o agricultor tem com a sua terra para que dê fruto e esse seja partilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e cuidar da criação é uma indicação de Deus dada não somente no início da história, mas a cada um de nós; é parte do seu projeto; quer dizer fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou tantas vezes que esta tarefa confiada a nós por Deus Criador requer captar o ritmo e a lógica da criação. Nós, em vez disso, somos muitas vezes guiados pela soberba do dominar, do possuir, do manipular, do explorar; não a “protegemos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito com o qual ter cuidado. Estamos perdendo a atitude de admiração, de contemplação, de escuta da criação; e assim não conseguimos mais ler aquilo que Bento XVI chama de “o ritmo da história de amor de Deus com o homem”. Porque isto acontece? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal, estamos nos afastando de Deus, não lemos os seus sinais.
Mas o “cultivar e cuidar” não compreende somente a relação entre nós e o ambiente, entre o homem e a criação, diz respeito também às relações humanas. Os Papas falaram de ecologia humana, estritamente ligada à ecologia ambiental. Nós estamos vivendo um momento de crises; vemos isso no ambiente, mas, sobretudo, no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, a pessoa humana hoje está em perigo, eis a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é somente uma questão de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja destacou isso muitas vezes; e muitos dizem: sim, é certo, é verdade… mas o sistema continua como antes, porque aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de uma finança carentes de ética. Aquilo que comanda hoje não é o homem, é o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro comanda. E Deus nosso Pai deu a tarefa de cuidar da terra não ao dinheiro, mas a nós: aos homens e mulheres, nós temos esta tarefa! Em vez disso, homens e mulheres sacrificam-se aos ídolos do lucro e do consumo: é a “cultura do descartável”. Se um computador quebra é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades, os dramas de tantas pessoas acabam por entrar na normalidade. Se em uma noite de inverno, aqui próximo na rua Ottaviano, por exemplo, morre uma pessoa, isto não é notícia. Se em tantas partes do mundo há crianças que não têm o que comer, isto não é notícia, parece normal. Não pode ser assim! No entanto essas coisas entram na normalidade: que algumas pessoas sem teto morram de frio pelas ruas não é notícia. Ao contrário, a queda de dez pontos na bolsa de valores de uma cidade constitui uma tragédia. Um que morre não é uma notícia, mas se caem dez pontos na bolsa é uma tragédia! Assim as pessoas são descartadas, como se fossem resíduos.
Esta “cultura do descartável” tende a se transformar mentalidade comum, que contagia todos. A vida humana, a pessoa não são mais consideradas como valor primário a respeitar e cuidar, especialmente se é pobre ou deficiente, se não serve ainda – como o nascituro – ou não serve mais – como o idoso. Esta cultura do descartável nos tornou insensíveis também com relação ao lixo e ao desperdício de alimento, o que é ainda mais deplorável quando em cada parte do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem fome e desnutrição. Um dia os nossos avós estiveram muito atentos para não jogar nada de comida fora. O consumismo nos induziu a acostumar-nos ao supérfluo e ao desperdício cotidiano de comida, ao qual às vezes não somos mais capazes de dar o justo valor, que vai muito além de meros parâmetros econômicos. Recordemos bem, porém, que a comida que se joga fora é como se estivesse sendo roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome! Convido todos a refletir sobre o problema da perda e do desperdício de alimento para identificar vias que, abordando seriamente tal problemática, sejam veículo de solidariedade e de partilha com os mais necessitados.
Há poucos dias, na festa de Corpus Christi, lemos a passagem do milagre dos pães: Jesus dá de comer à multidão com cinco pães e dois peixes. E a conclusão do trecho é importante: “E todos os que comeram ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços” (Lc 9, 17). Jesus pede aos discípulos que nada seja perdido: nada desperdiçado! E tem este fato das doze cestas: por que doze? O que significa? Doze é o número das tribos de Israel, representa simbolicamente todo o povo. E isto nos diz que quando a comida vem partilhada de modo igualitário, com solidariedade, ninguém é privado do necessário, cada comunidade pode satisfazer as necessidades dos mais pobres. Ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntas.
Gostaria então que levássemos todos a sério o compromisso de respeitar e cuidar da criação, de estar atento a cada pessoa, de combater a cultura do lixo e do descartável, para promover uma cultura da solidariedade e do encontro. Obrigado.
(Mensagem de 05 junho 2013)
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Ajude nossa campanha pela Amazônia (URGENTE)
Nosso blog aderiu a esta causa. Colabore você também.
Temos pouco tempo para salvar e defender a Amazônia! Assine essa petição urgente e exija que os Senadores e Senadoras revisem essa proposta absurda e rejeitem qualquer autorização que permita a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia.
A Amazônia Legal é uma região importante, que comporta diferentes biomas, como Amazônia, Campos Gerais e Cerrado. Ela é vital para a fauna e flora e para uma parcela significativa da população brasileira e indígena (56% vivem na Amazônia Legal). Entretanto, há em andamento no Senado Federal uma proposta que autoriza o plantio de cana-de-açúcar nesta região, o que pode gerar consequências devastadoras para o meio ambiente, como perda da biodiversidade, e ameaçar a sobrevivência de populações indígenas e tradicionais.
É hora de preservar e defender a Amazônia! Assine a petição e exija que Senadores e Senadoras revisem este projeto de lei e rejeitem qualquer menção sobre a autorização de plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal.
Clique aqui para assinar a petição e envie para todos:
http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160
Senadores a favor da floresta estão fazendo todo o possível para garantir que esse projeto de lei não seja levado à Câmara dos Deputados, onde os donos de terra têm a maioria e podem fazer vistas grossas para a lei, aprovando-a sem discussão. Treze senadores já se comprometeram. Porém, eles precisam do maior apoio possível para continuar fortes em sua posição. Se milhares de nós nos unirmos agora em uma só voz assinando a petição criada pela Action Aid Brasil , podemos dar a estes senadores o apoio de que eles precisam, e conseguiremos mais adesão no Senado contra o lobby, impedindo a pressão econômica para a devastação da Amazônia. Temos pouco tempo!
http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160
Temos pouco tempo para salvar e defender a Amazônia! Assine essa petição urgente e exija que os Senadores e Senadoras revisem essa proposta absurda e rejeitem qualquer autorização que permita a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia.
A Amazônia Legal é uma região importante, que comporta diferentes biomas, como Amazônia, Campos Gerais e Cerrado. Ela é vital para a fauna e flora e para uma parcela significativa da população brasileira e indígena (56% vivem na Amazônia Legal). Entretanto, há em andamento no Senado Federal uma proposta que autoriza o plantio de cana-de-açúcar nesta região, o que pode gerar consequências devastadoras para o meio ambiente, como perda da biodiversidade, e ameaçar a sobrevivência de populações indígenas e tradicionais.
É hora de preservar e defender a Amazônia! Assine a petição e exija que Senadores e Senadoras revisem este projeto de lei e rejeitem qualquer menção sobre a autorização de plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal.
Clique aqui para assinar a petição e envie para todos:
http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160
Senadores a favor da floresta estão fazendo todo o possível para garantir que esse projeto de lei não seja levado à Câmara dos Deputados, onde os donos de terra têm a maioria e podem fazer vistas grossas para a lei, aprovando-a sem discussão. Treze senadores já se comprometeram. Porém, eles precisam do maior apoio possível para continuar fortes em sua posição. Se milhares de nós nos unirmos agora em uma só voz assinando a petição criada pela Action Aid Brasil , podemos dar a estes senadores o apoio de que eles precisam, e conseguiremos mais adesão no Senado contra o lobby, impedindo a pressão econômica para a devastação da Amazônia. Temos pouco tempo!
http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160
sábado, 18 de maio de 2013
O Espírito Santo na criação
Adaptado de J. Moltmann
Dios en la creacíon, Salamanca: Sígueme, p. 22-26
“A criação é um acontecimento trinitário: o Pai cria pelo Filho no Espírito. Conseqüentemente, a criação foi realizada por Deus, conformada por meio de Deus e existe em Deus”.
O Espírito leva a termo a atuação do Pai e do Filho. O Deus uno e trino inspira sua criação sem interrupção alguma. “Tudo quanto é, existe e vive sob o permanente afluxo das energias e possibilidades do Espírito cósmico”. Assim, compreende-se a realidade criada em chave energética e a consideramos como possibilidade realizada do Espírito divino. “O criador mesmo está presente em sua criação, mediante as energias e possibilidades do Espírito (..) Entra nela e é, ao mesmo tempo, imanente a ela”.
O fundamento bíblico para a “criação no Espírito” é o Sl 104, 29s: Escondes teu rosto e se aniquilam, retiras teu sopro e expiram, e ao pó retornam. Envias teu sopro e são criadas, e renovas a face da terra. Assim, “as criaturas são criadas com o afluxo permanente do Espírito divino, existem no Espírito e são renovadas mediante ele”.
Como Ruah é feminino em hebraico, deve-se captar a vida divina da criação com metáforas femininas. É o caso também da visão da sabedoria da criação, filha de Deus (Prov 8,22-31). Até nossos dias não se desenvolveu teologicamente a sabedoria da criação e o conceito teológico da criação no Espírito.
Se o Espírito Santo é derramado sobre toda criatura, então a fonte da vida está presente em tudo o que é e vive. As criaturas manifestam a presença da divina fonte da vida. Ora, o Espírito cria a comunhão de todas as criaturas com Deus e entre elas mesmas. Então, “a existência, a vida e o tecido das relações recíprocas subsistem no Espírito: nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28).
Aqui há uma mudança de perspectiva. Superando a teoria mecanicista, vemos que as relações são tão primigênias como as coisas. “Tudo existe, vive e se move em outros, com outros, para outros, nas conexões cósmicos do Espírito divino” (..) Da e na comunhão do Espírito divino nascem os modelos e simetrias, os movimentos e os ritmos, os campos e os conglomerados materiais da energia cósmica.
O ‘ser’ da criação no Espírito é, pois, a cooperação, e as conexões manifestam a presença do Espírito na medida em que permitem conhecer a harmonia global”. Como diz M. Buber: no princípio era a relação.
Não é um panteísmo, pois o Espírito de Deus atua introduzindo-se no mundo sem confundir-se com ele. E este mundo está aberto ao futuro do Reino da glória, “que renovará, unirá e consumará a terra e o céu”.
O Espírito Santo atua na criação como sujeito, como força e como possibilidade. O Espírito que cria, também conserva, renova e leva à consumação todos os seres.
Dios en la creacíon, Salamanca: Sígueme, p. 22-26
“A criação é um acontecimento trinitário: o Pai cria pelo Filho no Espírito. Conseqüentemente, a criação foi realizada por Deus, conformada por meio de Deus e existe em Deus”.
O Espírito leva a termo a atuação do Pai e do Filho. O Deus uno e trino inspira sua criação sem interrupção alguma. “Tudo quanto é, existe e vive sob o permanente afluxo das energias e possibilidades do Espírito cósmico”. Assim, compreende-se a realidade criada em chave energética e a consideramos como possibilidade realizada do Espírito divino. “O criador mesmo está presente em sua criação, mediante as energias e possibilidades do Espírito (..) Entra nela e é, ao mesmo tempo, imanente a ela”.
O fundamento bíblico para a “criação no Espírito” é o Sl 104, 29s: Escondes teu rosto e se aniquilam, retiras teu sopro e expiram, e ao pó retornam. Envias teu sopro e são criadas, e renovas a face da terra. Assim, “as criaturas são criadas com o afluxo permanente do Espírito divino, existem no Espírito e são renovadas mediante ele”.
Como Ruah é feminino em hebraico, deve-se captar a vida divina da criação com metáforas femininas. É o caso também da visão da sabedoria da criação, filha de Deus (Prov 8,22-31). Até nossos dias não se desenvolveu teologicamente a sabedoria da criação e o conceito teológico da criação no Espírito.
Se o Espírito Santo é derramado sobre toda criatura, então a fonte da vida está presente em tudo o que é e vive. As criaturas manifestam a presença da divina fonte da vida. Ora, o Espírito cria a comunhão de todas as criaturas com Deus e entre elas mesmas. Então, “a existência, a vida e o tecido das relações recíprocas subsistem no Espírito: nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28).
Aqui há uma mudança de perspectiva. Superando a teoria mecanicista, vemos que as relações são tão primigênias como as coisas. “Tudo existe, vive e se move em outros, com outros, para outros, nas conexões cósmicos do Espírito divino” (..) Da e na comunhão do Espírito divino nascem os modelos e simetrias, os movimentos e os ritmos, os campos e os conglomerados materiais da energia cósmica.
O ‘ser’ da criação no Espírito é, pois, a cooperação, e as conexões manifestam a presença do Espírito na medida em que permitem conhecer a harmonia global”. Como diz M. Buber: no princípio era a relação.
Não é um panteísmo, pois o Espírito de Deus atua introduzindo-se no mundo sem confundir-se com ele. E este mundo está aberto ao futuro do Reino da glória, “que renovará, unirá e consumará a terra e o céu”.
O Espírito Santo atua na criação como sujeito, como força e como possibilidade. O Espírito que cria, também conserva, renova e leva à consumação todos os seres.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Água nossa de cada dia
Marcelo Barros
22 de março é o dia internacional da água. Neste ano, a data ganha importância maior porque a ONU lançou 2013 como ano mundial da cooperação pela água. O objetivo da iniciativa é incentivar o relacionamento social positivodas pessoas e comunidades, a partir da água como instrumento de relação. É bom nos perguntarmos que consequência isso pode ter para o mundo, ou seja, depois dessa celebração, o que ficará como consequência. A cada ano se repete que a água não é um bem ilimitado. Ao contrário do que parecia antigamente, se esgota. Regiões antigamente ricas em água, hoje, são desérticas.
Outro ponto fundamental é o reconhecimento de que a água é uma necessidade essencial de todo ser vivo. Por isso, é direito básico de toda a humanidade, assim como dos animais e plantas. Sem água nenhum ser vivo pode viver. A ONU também revela que, cada vez mais os conflitos entre nações ocorrem não mais simplesmente por territórios, mas pelo direito do uso de águas de rios e lagos. Em Israel, o governo israelita desviou as águas do rio Jordão e canalizou-as em tubos subterrâneos, de forma que os acampamentos e assentamentos palestinos não podem delas se beneficiar. Um jornal palestino conta que na cidade de Caná da Galileia, onde, segundo a tradição, Jesus transformou a água em vinho, o prefeito atual da cidade declarou: "Se, hoje, Jesus voltasse por aqui, nós lhe pediríamos para transformar vinho em água”.
O Brasil detém 12% de toda água doce do mundo, mas como em todo o planeta, essa distribuição é desigual e problemática. O Nordeste brasileiro enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos. No cerrado e em todo o planalto central, as pesquisas revelam uma assustadora diminuição das fontes de água e do nível hidrográfico dos rios. Nessa região sempre houve secas. Hoje, é diferente a intensidade e a frequência com que esses fenômenos ocorrem. Diferentemente de antes, agora, com o desflorestamento e a destruição da natureza, é a sociedade humana que provoca desastres ecológicos como secas, terremotos e inundações.
Infelizmente as religiões e tradições espirituais que deveriam dar à humanidade uma cultura amorosa de relação com a terra e as águas, não têm vivido com êxito essa missão. A maioria das tradições espirituais acredita que a vida nasceu a partir das águas e por isso a água é sempre símbolo e instrumento do Espírito de Deus. Na Bíblia e nos evangelhos, Jesus promete o Espírito Santo como água viva que quem beber jamais terá sede. Em vários países, cristãos e pessoas conscientes dessa espiritualidade têm vencido importantes lutas legais contra a privatização da água e têm participado de comissões de defesa de rios, lagos e fontes de água. Nesse ano da cooperação mundial da água, as comunidades cristãs são chamadas a verem a água como instrumento de comunhão entre as pessoas e da solidariedade entre os povos. É possível e bom aprofundar a relação entre pessoas, como também entre povos através da partilha da água comum. Assim como os cristãos reconhecem na partilha do pão o próprio Jesus presente, agora somos convidados a testemunhar o Espírito Divino presente em cada pouco d´água que partilhamos como sacramento da presença e ação do Espírito Mãe da Vida.
22 de março é o dia internacional da água. Neste ano, a data ganha importância maior porque a ONU lançou 2013 como ano mundial da cooperação pela água. O objetivo da iniciativa é incentivar o relacionamento social positivodas pessoas e comunidades, a partir da água como instrumento de relação. É bom nos perguntarmos que consequência isso pode ter para o mundo, ou seja, depois dessa celebração, o que ficará como consequência. A cada ano se repete que a água não é um bem ilimitado. Ao contrário do que parecia antigamente, se esgota. Regiões antigamente ricas em água, hoje, são desérticas.
Outro ponto fundamental é o reconhecimento de que a água é uma necessidade essencial de todo ser vivo. Por isso, é direito básico de toda a humanidade, assim como dos animais e plantas. Sem água nenhum ser vivo pode viver. A ONU também revela que, cada vez mais os conflitos entre nações ocorrem não mais simplesmente por territórios, mas pelo direito do uso de águas de rios e lagos. Em Israel, o governo israelita desviou as águas do rio Jordão e canalizou-as em tubos subterrâneos, de forma que os acampamentos e assentamentos palestinos não podem delas se beneficiar. Um jornal palestino conta que na cidade de Caná da Galileia, onde, segundo a tradição, Jesus transformou a água em vinho, o prefeito atual da cidade declarou: "Se, hoje, Jesus voltasse por aqui, nós lhe pediríamos para transformar vinho em água”.
O Brasil detém 12% de toda água doce do mundo, mas como em todo o planeta, essa distribuição é desigual e problemática. O Nordeste brasileiro enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos. No cerrado e em todo o planalto central, as pesquisas revelam uma assustadora diminuição das fontes de água e do nível hidrográfico dos rios. Nessa região sempre houve secas. Hoje, é diferente a intensidade e a frequência com que esses fenômenos ocorrem. Diferentemente de antes, agora, com o desflorestamento e a destruição da natureza, é a sociedade humana que provoca desastres ecológicos como secas, terremotos e inundações.
Infelizmente as religiões e tradições espirituais que deveriam dar à humanidade uma cultura amorosa de relação com a terra e as águas, não têm vivido com êxito essa missão. A maioria das tradições espirituais acredita que a vida nasceu a partir das águas e por isso a água é sempre símbolo e instrumento do Espírito de Deus. Na Bíblia e nos evangelhos, Jesus promete o Espírito Santo como água viva que quem beber jamais terá sede. Em vários países, cristãos e pessoas conscientes dessa espiritualidade têm vencido importantes lutas legais contra a privatização da água e têm participado de comissões de defesa de rios, lagos e fontes de água. Nesse ano da cooperação mundial da água, as comunidades cristãs são chamadas a verem a água como instrumento de comunhão entre as pessoas e da solidariedade entre os povos. É possível e bom aprofundar a relação entre pessoas, como também entre povos através da partilha da água comum. Assim como os cristãos reconhecem na partilha do pão o próprio Jesus presente, agora somos convidados a testemunhar o Espírito Divino presente em cada pouco d´água que partilhamos como sacramento da presença e ação do Espírito Mãe da Vida.
domingo, 17 de março de 2013
Pobres perdem mais tempo no trânsito
As famílias na faixa de renda 10% mais baixa do Brasil
perdem, em média, 20% mais tempo no trânsito por dia em deslocamentos de casa
para o trabalho do que as famílias na faixa de renda 10% mais alta. Na prática,
duas em cada dez pessoas entre os mais pobres do país levam pelo menos uma hora
para chegar em casa. Os dados são parte da pesquisa "Tempo de deslocamento
casa-trabalho no Brasil (1992-2009): diferenças entre regiões metropolitanas,
níveis de renda e sexo", publicado na semana passada pelo Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A pesquisa é baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e explicita consequências da priorização de investimentos em transporte público e a desigualdade hoje vigente no trânsito. De acordo com Rafael Henrique Moraes Pereira, que escreveu o estudo com Tim Schwanen, o modelo rodoviarista, no qual são priorizadas a abertura, alargamento e expansão de avenidas, e a construção de túneis e viadutos, pode ser comparado a um "buraco negro" de investimentos de recursos e deve ser repensado. "A priorização [de investimentos em infraestrutura para carros] teve impacto de piorar o trânsito e não melhorar. Não adianta aumentar a capacidade de fluxo porque no médio e longo prazo a via vai saturar e, todo investimento feito para facilitar, embora tenha dado resultado no curto prazo, será perdido", defende.
São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as cidades com os piores congestionamentos do planeta. Nas duas, o tempo perdido no trânsito chega a ser 31% maior do que nas demais regiões metropolitanas do Brasil. Em ranking cidado no estudo que considera alguma das principais metrópoles do mundo, mas não todas, as duas capitais brasileiras ficam atrás apenas de Xangai no quesito congestionamento. O modelo de abertura de avenidas e priorização do fluxo automóveis que marcou o urbanismo das duas capitais no século passado é um dos fatores para o colapso no trânsito (..)
Os dados sobre a desigualdade de tempo gasto no trânsito são subestimados. Por exemplo, no Distrito Federal as informações são referentes apenas à Brasília, mas tem um número considerável de cidades satélites que fazem parte da região metropolitana e não entram na conta. São regiões mais pobres, distantes, dependentes de transporte público.
Fonte: www.oeco.com.br
A pesquisa é baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e explicita consequências da priorização de investimentos em transporte público e a desigualdade hoje vigente no trânsito. De acordo com Rafael Henrique Moraes Pereira, que escreveu o estudo com Tim Schwanen, o modelo rodoviarista, no qual são priorizadas a abertura, alargamento e expansão de avenidas, e a construção de túneis e viadutos, pode ser comparado a um "buraco negro" de investimentos de recursos e deve ser repensado. "A priorização [de investimentos em infraestrutura para carros] teve impacto de piorar o trânsito e não melhorar. Não adianta aumentar a capacidade de fluxo porque no médio e longo prazo a via vai saturar e, todo investimento feito para facilitar, embora tenha dado resultado no curto prazo, será perdido", defende.
Ele ressalta que a
situação é especialmente delicada nas metrópoles. A pesquisa que conduziu
considera a situação das nove maiores regiões metropolitanas e do Distrito
Federal. "Nas grandes cidades, é preciso investimento pesado em transporte
público de alta capacidade, metrô, faixa de ônibus. Nas situações mais
extremas, onde a taxa de motorização é muito alta, faz sentido até pensar em medidas
de desestímulo ao transporte individual e estímulo ao transporte público (..) Uma
coisa é desestimular o consumo do transporte privado, outra é desistimular o
uso. Ter o carro em si não é tão problemático - na Europa, em algumas cidades,
a taxa de motorização é alta. Só que o uso lá é mais racional. A gente tende a
ser mais pró a taxação do uso do automóvel, com imposto sobre combustível,
estacionamento, e até pedágio urbano nas regiões centrais, do que sobre o
consumo", ressalta.O pesquisador do Ipea afirma que outros levantamentos feitos
indicam que os resultados das políticas públicas de incentivo de compra de
automóveis e motos têm indicado resultados preocupantes. "A população mais
baixa está saindo do transporte público e migrando para o individual. É uma
crítica que a gente faz ao governo federal. As cidades do nordeste são mais
pobres e existe um padrão asiático de motorização em curso, baseado em
motocicletas", afirma, referindo-se a explosão do número de motos no
interior do Brasil. "A tendência de piora com a motorização é grotesca em
algumas cidades. Em Belém foi brutal".
São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as cidades com os piores congestionamentos do planeta. Nas duas, o tempo perdido no trânsito chega a ser 31% maior do que nas demais regiões metropolitanas do Brasil. Em ranking cidado no estudo que considera alguma das principais metrópoles do mundo, mas não todas, as duas capitais brasileiras ficam atrás apenas de Xangai no quesito congestionamento. O modelo de abertura de avenidas e priorização do fluxo automóveis que marcou o urbanismo das duas capitais no século passado é um dos fatores para o colapso no trânsito (..)
Os dados sobre a desigualdade de tempo gasto no trânsito são subestimados. Por exemplo, no Distrito Federal as informações são referentes apenas à Brasília, mas tem um número considerável de cidades satélites que fazem parte da região metropolitana e não entram na conta. São regiões mais pobres, distantes, dependentes de transporte público.
Fonte: www.oeco.com.br
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