terça-feira, 2 de março de 2010

CNBB anuncia oposição ao projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) defendeu ontem a paralisação do processo que autoriza a construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA), maior projeto do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).Os bispos defendem que, antes da execução da obra, os índios, os ribeirinhos e a população de Altamira (PA) sejam ouvidos a respeito da construção.
"Queremos sensibilizar a sociedade e esperamos que as autoridades tomem as devidas providências a fim de que não tenha início a execução do projeto antes de proporcionar reais oportunidades para que as populações implicadas possam debatê-lo, apresentar suas propostas e tenham suas considerações respeitadas", afirmou o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha.
Reunidos em conselho, os bispos da CNBB criticaram a concessão de licença ambiental do Ibama para a construção da hidrelétrica ao argumentarem que as obras vão destruir 1.500 km2 na Amazônia. Dom Geraldo saiu em defesa do bispo católico da região do Xingu, dom Erwin Kräutler, para quem a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte trará o "caos" para a região.
"O bispo está sendo ameaçado de morte por causa das suas posições em favor dos povos indígenas, na mesma região onde atuou a irmã Dorothy Stang [assassinada em Anapu (PA) em 2005]", afirmou.
A CNBB disse que o governo federal, ao autorizar a construção, ignorou as argumentações do MPF (Ministério Público Federal) contrárias à execução das obras. O MPF disse que vai entrar o mais rápido possível com uma ação pedindo a anulação da licença.
Procurada no final do dia de ontem para comentar as declarações das CNBB, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia informou que não localizou o ministro Edison Lobão para falar sobre o assunto.De acordo com o procurador da República em Belém (PA) Daniel Avelino, há também a possibilidade de que o técnico que assinou a licença seja processado sob a acusação de improbidade administrativa. Desde 2001, o MPF já moveu oito ações contra as obras da hidrelétrica.

Fonte: Folha de São Paulo, 26/02/2010

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