Nós somos parte da terra e a terra é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs.
Os rios são nossos irmãos.
O búfalo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos.
As cristas rochosas, os vales e campinas
O alto da montanha e o homem, todos pertencemos á mesma família.
Esta água brilhante correndo nos rios e regatos não é apenas água:
É o sangue de nossos antepassados.
O rumorejar da água é a voz da mãe de minha mãe.
Cada reflexo da água límpida dos lagos conta um evento da vida do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver.
Para ele, nenhum pedaço de terra é diferente do outro.
Porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite.
Ele trata sua mãe Terra e seu irmão Céu
como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas.
Sua voracidade vai arruinar a terra, deixando para traz apenas um deserto.
De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem,
é o homem que pertence à terra.
Todas as coisas estão interligadas como o sangue que une uma família.
Não foi o homem que teceu a trama da vida,
ele é simplesmente o fio dessa trama.
E tudo o que o homem fizer a ela, a si próprio estará fazendo.
Ensina teus filhos o que temos ensinado aos nossos:
A Terra é nossa mãe.
Tudo quanto fere a Terra, fere os filhos da Terra .
(Carta do cacique Seatle, de 1885, transformada em poema)
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Cresce desmatamento na Amazonia
Sérgio Abranches
O desmatamento na Amazônia voltou a crescer, depois de um longo período de queda.E o pior é que os principais responsáveis não são os culpados usuais. Agora, o principal vetor de desmatamento são as grandes e inadequadas obras de infra-estrutura que o Governo Federal impõe teimosamente ao país.
O sistema DETER de alerta prévio de desmatamento do Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE- já havia detectado aumento do desmatamento na Amazônia, no final do ano passado, inclusive em estados tradicionalmente de menor pressão sobre a floresta como o Amazonas.
Agora é o Imazon, centro de pesquisas do Pará, que também analisa dados de satélite para medir desmatamento, que indica essa possível reversão de tendência, de queda para aumento do desmatamento.
Em dezembro de 2010 o desmatamento, pelos dados do Imazon, foi mais de 10 vezes maior que em dezembro de 2009. Em janeiro, ele foi 22% maior que em janeiro do ano anterior. No acumulado agosto-dezembro, ele foi 3% maior, comparado ao mesmo período de 2009. A degradação florestal quadruplicou no segundo semestre, comparado ao segundo semestre de 2009. É indicação de desmatamento futuro.
A tabela mostra o desmatamento no período agosto 2010-janeiro 2011 por estado. Reparem que subiu em todos os estados, menos no Pará, onde ele caiu.
Fonte: www.ecopolitica.com.br
O desmatamento na Amazônia voltou a crescer, depois de um longo período de queda.E o pior é que os principais responsáveis não são os culpados usuais. Agora, o principal vetor de desmatamento são as grandes e inadequadas obras de infra-estrutura que o Governo Federal impõe teimosamente ao país.
O sistema DETER de alerta prévio de desmatamento do Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE- já havia detectado aumento do desmatamento na Amazônia, no final do ano passado, inclusive em estados tradicionalmente de menor pressão sobre a floresta como o Amazonas.
Agora é o Imazon, centro de pesquisas do Pará, que também analisa dados de satélite para medir desmatamento, que indica essa possível reversão de tendência, de queda para aumento do desmatamento.
Em dezembro de 2010 o desmatamento, pelos dados do Imazon, foi mais de 10 vezes maior que em dezembro de 2009. Em janeiro, ele foi 22% maior que em janeiro do ano anterior. No acumulado agosto-dezembro, ele foi 3% maior, comparado ao mesmo período de 2009. A degradação florestal quadruplicou no segundo semestre, comparado ao segundo semestre de 2009. É indicação de desmatamento futuro.
A tabela mostra o desmatamento no período agosto 2010-janeiro 2011 por estado. Reparem que subiu em todos os estados, menos no Pará, onde ele caiu.
Fonte: www.ecopolitica.com.br
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Tarefas ecológicas das religiões (3)
Tarefa: (3) Participar da elaboração de uma epistemologia ambiental
Marcial Maçaneiro
Emergem ensaios de uma nova epistemologia, voltada para o saber complexo. Nesta direção convergem os ensaios interdisciplinares, o diálogo entre ciências humanas e ciências naturais e o encontro das várias esferas de realização do humanum com seus saberes (arte, direito, ética, comunicação, psicologia, sociologia, religião). Edgar Morin tem desenvolvido longa reflexão, tocando não apenas os elementos tópicos da epistemologia (e suas pretensões), mas o próprio paradigma do conhecimento humano. Também Pierre Dansereau tem reclamado a construção de uma epistemologia ecológica que inclua a ética e o princípio da síntese.
Tratar-se-ia de um verdadeiro desafio civilizacional. Alfredo Pena-Vega assume e desenvolve as perspectivas de Edgar Morin: insiste na ciência ecológica como construção e percepção complexas; um conhecimento até mesmo crítico, pois coloca “em xeque” nossas coordenadas gnosiológicas, nossa delimitação das ciências e até nosso comportamento.
Segundo os autores, não se trata apenas de reconfigurar o conhecimento, mas de colocá-lo a serviço da vida do planeta — o que requer também a revisão epistemológica. Para Alfredo Pena-Vega, participam da elaboração da epistemologia ecológica os dados da biologia, psicologia e física — desde que todos se disponham a rever seus paradigmas com humildade intelectiva e rigor metodológico.
A valorização das ecofontes, o paradigma da síntese (com seus emblemas milenares) e a relação pessoa-natureza no âmbito do sagrado têm levado vários desses autores a incluir elementos religiosos em suas propostas, ao menos em perspectiva.
Mirando uma nova epistemologia ambiental, Enrique Leff fala da colaboração dos saberes ancestrais e simbólicos, guardados secularmente pelas religiões, mas quase sempre desqualificados do ponto de vista considerado “científico”. Esse autor propõe, antes de tudo, rever o que seja “científico” para depois rever o que seja “conhecimento”. Investiga os diferentes “saberes” e procura recuperar a dignidade epistemológica do patrimônio simbólico, mítico e ritual dos povos.
Marcial Maçaneiro
Emergem ensaios de uma nova epistemologia, voltada para o saber complexo. Nesta direção convergem os ensaios interdisciplinares, o diálogo entre ciências humanas e ciências naturais e o encontro das várias esferas de realização do humanum com seus saberes (arte, direito, ética, comunicação, psicologia, sociologia, religião). Edgar Morin tem desenvolvido longa reflexão, tocando não apenas os elementos tópicos da epistemologia (e suas pretensões), mas o próprio paradigma do conhecimento humano. Também Pierre Dansereau tem reclamado a construção de uma epistemologia ecológica que inclua a ética e o princípio da síntese.
Tratar-se-ia de um verdadeiro desafio civilizacional. Alfredo Pena-Vega assume e desenvolve as perspectivas de Edgar Morin: insiste na ciência ecológica como construção e percepção complexas; um conhecimento até mesmo crítico, pois coloca “em xeque” nossas coordenadas gnosiológicas, nossa delimitação das ciências e até nosso comportamento.
Segundo os autores, não se trata apenas de reconfigurar o conhecimento, mas de colocá-lo a serviço da vida do planeta — o que requer também a revisão epistemológica. Para Alfredo Pena-Vega, participam da elaboração da epistemologia ecológica os dados da biologia, psicologia e física — desde que todos se disponham a rever seus paradigmas com humildade intelectiva e rigor metodológico.
A valorização das ecofontes, o paradigma da síntese (com seus emblemas milenares) e a relação pessoa-natureza no âmbito do sagrado têm levado vários desses autores a incluir elementos religiosos em suas propostas, ao menos em perspectiva.
Mirando uma nova epistemologia ambiental, Enrique Leff fala da colaboração dos saberes ancestrais e simbólicos, guardados secularmente pelas religiões, mas quase sempre desqualificados do ponto de vista considerado “científico”. Esse autor propõe, antes de tudo, rever o que seja “científico” para depois rever o que seja “conhecimento”. Investiga os diferentes “saberes” e procura recuperar a dignidade epistemológica do patrimônio simbólico, mítico e ritual dos povos.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O apelo das religiões: salvem o planeta
André Trigueiro
Diversas religiões e tradições espirituais tem se manifestado sobre a crise ambiental que ameaça a vida no planeta. Segue abaixo uma seleção de textos que confirmam a existência de uma teologia ambiental, e uma preocupação crescente dessas tradições em ratificar a presença do sagrado nas mais diversas manifestações de vida.
“A destruição da natureza resulta da ignorância, cobiça e ausência de respeito para com os seres vivos do planeta.(...) Muitos dos habitantes da Terra: animais, plantas, insetos e até microorganismos que já são raros ou estão em perigo, podem tornar-se desconhecidos das futuras gerações. Nós temos a capacidade, nós temos a responsabilidade. Nós precisamos agir antes que seja tarde”. Sua Santidade, o Dalai Lama; “Uma Abordagem Ética da Proteção Ambiental”
João Paulo II, muitas vezes apelidado de "O Papa Ambientalista" questiona: "como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta?". E acrescenta: "É urgente uma educação sobre a responsabilidade ecológica... O tema da proteção do Ambiente merece uma extrema atenção e reveste-se verdadeiramente de uma altíssima importância no momento atual da história e do desenvolvimento do nosso mundo moderno".
(Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente /SP; Leia “COMPROMISSOS DA PASTORAL DA ECOLOGIA”)
“Há chance de salvamento. Mas para isso devemos percorrer um longo caminho de conversão de nossos hábitos cotidianos e políticos, privados e públicos, culturais e espirituais. A degradação crescente de nossa casa comum, a Terra, denuncia nossa crise de adolescência. Importa que entremos na idade madura e mostremos sinais de sabedoria. Sem isso, não garantiremos um futuro promissor”. (Leonardo Boff, “Saber Cuidar”, Editoras Vozes, página 17)
“A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades , é que ele a emprega no supérfluo o que poderia ser empregado no necessário”. (Livro dos Espíritos; Allan Kardec,capítulo V, da Lei de Conservação)
“Toda Sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta” (...). (“Os domingos precisam de feriados”, rabino Nilton Bonder)
“Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, por um compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela rápida luta pela justiça e pela paz, e pela alegre celebração da vida”. (Carta da Terra , Paris, março de 2000)
(Fonte: http://www.mundosustentavel.com.br/espiritualidade.asp)
Diversas religiões e tradições espirituais tem se manifestado sobre a crise ambiental que ameaça a vida no planeta. Segue abaixo uma seleção de textos que confirmam a existência de uma teologia ambiental, e uma preocupação crescente dessas tradições em ratificar a presença do sagrado nas mais diversas manifestações de vida.
“A destruição da natureza resulta da ignorância, cobiça e ausência de respeito para com os seres vivos do planeta.(...) Muitos dos habitantes da Terra: animais, plantas, insetos e até microorganismos que já são raros ou estão em perigo, podem tornar-se desconhecidos das futuras gerações. Nós temos a capacidade, nós temos a responsabilidade. Nós precisamos agir antes que seja tarde”. Sua Santidade, o Dalai Lama; “Uma Abordagem Ética da Proteção Ambiental”
João Paulo II, muitas vezes apelidado de "O Papa Ambientalista" questiona: "como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta?". E acrescenta: "É urgente uma educação sobre a responsabilidade ecológica... O tema da proteção do Ambiente merece uma extrema atenção e reveste-se verdadeiramente de uma altíssima importância no momento atual da história e do desenvolvimento do nosso mundo moderno".
(Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente /SP; Leia “COMPROMISSOS DA PASTORAL DA ECOLOGIA”)
“Há chance de salvamento. Mas para isso devemos percorrer um longo caminho de conversão de nossos hábitos cotidianos e políticos, privados e públicos, culturais e espirituais. A degradação crescente de nossa casa comum, a Terra, denuncia nossa crise de adolescência. Importa que entremos na idade madura e mostremos sinais de sabedoria. Sem isso, não garantiremos um futuro promissor”. (Leonardo Boff, “Saber Cuidar”, Editoras Vozes, página 17)
“A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades , é que ele a emprega no supérfluo o que poderia ser empregado no necessário”. (Livro dos Espíritos; Allan Kardec,capítulo V, da Lei de Conservação)
“Toda Sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta” (...). (“Os domingos precisam de feriados”, rabino Nilton Bonder)
“Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, por um compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela rápida luta pela justiça e pela paz, e pela alegre celebração da vida”. (Carta da Terra , Paris, março de 2000)
(Fonte: http://www.mundosustentavel.com.br/espiritualidade.asp)
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ato em Brasília contra Usina de Belo Monte
Contra as mega-hidrelétricas na Amazônia! Mais de meio milhão de pessoas já assinaram as petições contra Belo Monte, que serão entregues no Palácio do Planalto!
Na terça-feira, dia 8 de fevereiro, centenas de indígenas, ribeirinhos, ameaçados e atingidos por barragens, lideranças e movimentos sociais da Bacia do Xingu e de outros rios amazônicos estarão em Brasília para protestar contra o Complexo Belo Monte e outras mega-hidrelétricas destrutivas na região. Também irão exigir do governo que rediscuta a política energética brasileira, abrindo um espaço democrático para a participação da sociedade civil nos processos de tomada de decisão.
Convocamos todos os nossos parceiros e amigos, e todos aqueles que se sensibilizam com a luta dos povos do Xingu, a se juntar a nós, porque, mais que o nosso rio, está em jogo o destino da Amazônia.
A concentração para o ato ocorrerá às 9hs, no gramado em frente à entrada do Congresso Nacional. Após o protesto, uma delegação de lideranças entregará à Presidência da República uma agenda de reivindicações e as petições contra Belo Monte.
Participe, e ajude a convocar!
Movimento Xingu Vivo para Sempre - MXVPS
Conselho Indigenista Missionário - Cimi
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Instituto Socioambiental - ISA
AVAAZ
Contatos:
Renata Pinheiro – MXVPS (93) 9172-9776
Cleymenne - Cimi (61) 9979-7059
Maíra – Cimi (61) 9979-6912
Nosso blog Ecologia e Fé apóia esta causa!
Na terça-feira, dia 8 de fevereiro, centenas de indígenas, ribeirinhos, ameaçados e atingidos por barragens, lideranças e movimentos sociais da Bacia do Xingu e de outros rios amazônicos estarão em Brasília para protestar contra o Complexo Belo Monte e outras mega-hidrelétricas destrutivas na região. Também irão exigir do governo que rediscuta a política energética brasileira, abrindo um espaço democrático para a participação da sociedade civil nos processos de tomada de decisão.
Convocamos todos os nossos parceiros e amigos, e todos aqueles que se sensibilizam com a luta dos povos do Xingu, a se juntar a nós, porque, mais que o nosso rio, está em jogo o destino da Amazônia.
A concentração para o ato ocorrerá às 9hs, no gramado em frente à entrada do Congresso Nacional. Após o protesto, uma delegação de lideranças entregará à Presidência da República uma agenda de reivindicações e as petições contra Belo Monte.
Participe, e ajude a convocar!
Movimento Xingu Vivo para Sempre - MXVPS
Conselho Indigenista Missionário - Cimi
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Instituto Socioambiental - ISA
AVAAZ
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Renata Pinheiro – MXVPS (93) 9172-9776
Cleymenne - Cimi (61) 9979-7059
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma de nossa legislação ambiental
O coletivo de organizações não-governamentais ambientalistas SOS Florestas lançou esta semana em janeiro de 2011 a cartilha Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma de nossa legislação ambiental. A publicação busca explicar, com argumentos técnicos, científicos e históricos, as principais consequências das mudanças propostas pelos deputados ruralistas ao Código Florestal.
Com o documento, o SOS Florestas procura levar para parlamentares, imprensa e cidadãos brasileiros um debate que vem ocorrendo em portas fechadas, de forma tendenciosa sem ouvir o movimento social, especialistas e academia. A cartilha será distribuída para parlamentares e tem sua versão eletrônica disponibilizada na íntegra no site do WWF-Brasil.
A cartilha é amparada por diversos estudos científicos que foram ignorados na elaboração do projeto de mudanças no Código Florestal apoiado pelos ruralistas. Demonstra que as mudanças causariam devastação da cobertura florestal às margens de cursos d’água, contribuindo para o assoreamento do leito dos rios, aumentando a velocidade de escoamento das águas, provocando erosões e enxurradas.
Fazem parte da frente SOS Florestas as ONGs Apremavi, Greenpeace, Imaflora, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA) e WWF-Brasil.
Baixe aqui a cartilha "Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma de nossa legislação ambiental
Com o documento, o SOS Florestas procura levar para parlamentares, imprensa e cidadãos brasileiros um debate que vem ocorrendo em portas fechadas, de forma tendenciosa sem ouvir o movimento social, especialistas e academia. A cartilha será distribuída para parlamentares e tem sua versão eletrônica disponibilizada na íntegra no site do WWF-Brasil.
A cartilha é amparada por diversos estudos científicos que foram ignorados na elaboração do projeto de mudanças no Código Florestal apoiado pelos ruralistas. Demonstra que as mudanças causariam devastação da cobertura florestal às margens de cursos d’água, contribuindo para o assoreamento do leito dos rios, aumentando a velocidade de escoamento das águas, provocando erosões e enxurradas.
Fazem parte da frente SOS Florestas as ONGs Apremavi, Greenpeace, Imaflora, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA) e WWF-Brasil.
Baixe aqui a cartilha "Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma de nossa legislação ambiental
Fonte: WWF
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A flor mais grande do mundo- José Saramago
A animação acima foi dirigida por Juan Pablo Etcheverry em 2006, e é baseada no conto “A maior flor do mundo”, único escrito infantil de Saramago, que também é o narrador neste curta.
O filme começa com um escritor que se diz incapaz de escrever histórias para crianças. Então ele começa a relatar como seria esse conto, se soubesse contá-lo.
O protagonista é um menino de uns 7 anos, que em uma tarde de verão decide explorar o fascinante mundo existente a cinco minutos de sua casa.
Durante esta aventura ele chega a lugar seco e inóspito onde encontra uma flor murcha. O menino não duvida em ajudar a flor a recuperar toda a sua beleza e vai a procura de água. O trabalho para ele é imenso e esgotador, mas ele usa todo o seu empenho. A flor não apenas renasce, mas também cresce de uma forma fantástica, convertendo-se na maior flor do mundo e, provavelmente, na mais formosa.
Quando o locutor termina, lamenta-se não saber produzir histórias infantis, e sugere que agora que todos conhecem o assunto, talvez possam contar melhor que ele, e quem sabe um dia ele possa aprender.
O filme começa com um escritor que se diz incapaz de escrever histórias para crianças. Então ele começa a relatar como seria esse conto, se soubesse contá-lo.
O protagonista é um menino de uns 7 anos, que em uma tarde de verão decide explorar o fascinante mundo existente a cinco minutos de sua casa.
Durante esta aventura ele chega a lugar seco e inóspito onde encontra uma flor murcha. O menino não duvida em ajudar a flor a recuperar toda a sua beleza e vai a procura de água. O trabalho para ele é imenso e esgotador, mas ele usa todo o seu empenho. A flor não apenas renasce, mas também cresce de uma forma fantástica, convertendo-se na maior flor do mundo e, provavelmente, na mais formosa.
Quando o locutor termina, lamenta-se não saber produzir histórias infantis, e sugere que agora que todos conhecem o assunto, talvez possam contar melhor que ele, e quem sabe um dia ele possa aprender.
Fonte: Luís Nassif Online
Fonte: Blog E-books Grátis
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O preço de não escutar a natureza- Leonardo Boff
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro - Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo -, na segunda semana de janeiro de 2011, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam freqüentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que distribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco, pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que aí viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que distribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco, pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que aí viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Tarefas ecológicas das religiões (2)
Interpretar a condição humana no quadro da vida planetária
Na história das civilizações, a religião registra as primeiras leituras interpretativas da condição humana em seu meio. As hierofanias sempre revelam um forte nexo entre divindade, humanidade e natureza. As narrativas de origem do cosmo e do ser humano — com sua linguagem metafórica, figuras emblemáticas e rememorações rituais — compuseram visões de mundo e ajudaram o próprio ser humano a situar-se, em relação com os astros, com seu meio vital, com os semelhantes e consigo mesmo.
Assim emergiram variadas noções de tempo, espaço e transcendência, conjugando o particular e o universal. De tal sorte que, ainda hoje — após séculos de evolução tecnológica e científica — o acervo das religiões surpreende pela sua complexidade e promessas. Nem mesmo o fundamentalismo e a violência presentes na história das religiões, dolorosamente dramáticos, desqualificam por si só a contribuição religiosa à humanidade.
Neste sentido a atual construção do saber, dinamizada por diferentes paradigmas — e particularmente o conhecimento em humanidades e em ciência ecológica— volta-se ao patrimônio antropológico, ético e pedagógico das religiões, como fonte de sabedoria e compêndio de um primeiro conhecimento ecológico, cujas premissas ainda perduram em muitas culturas. A importância vital das águas e florestas, a observação dos astros e o fenômeno das estações fazem parte do conceito religioso de sagrado, influenciando as culturas, dos ritos à linguagem, das artes à culinária.
Esse tipo de saber e valoração da natureza se inclui na busca de saberes essenciais da humanidade neste terceiro milênio. Especialmente para que o ser humano se situe adequadamente no mundo, inserindo-se, dialogando e construindo — em vez de distanciar-se, isolar-se e destruir-se, destruindo também o meio ambiente.
Alguns autores reclamam um saber humano que inclua a noção de mistério no tratar do cosmo, da vida e da natureza humana. Este saber (mais holístico) situa o mundo físico, biológico e vivo no horizonte de um “além de plenitude” que seja inspirador e educador para a humanidade. Outros cumprem a mesma tarefa desde dentro das tradições religiosas que professam. A identidade confessional é colocada a serviço do bem humano em geral e do bem ecológico em particular. Releem suas fontes mitológicas, litúrgicas e escriturísticas, encontrando na sua religião uma inscrição do próprio cosmo. Emergem, então, vários elementos que podem beneficiar a vida humana e de todo o planeta.
Essa releitura ecológica das fontes atinge também o acervo das tradições orais que perduram na comunidade religiosa que narra, festeja, semeia, colhe, come, bebe e dança ritualisticamente, revivendo no corpo a sabedoria ancestral (Reginaldo Prandi). É um uso respeitoso do patrimônio das religiões, além de necessário e vital para nosso quadro de crise ecológica. Desse modo, as religiões interpretam a condição terrena e cósmica da humanidade e nos levam a perceber que somos membros de uma comunidade planetária.
Marcial Maçaneiro
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
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