sábado, 10 de dezembro de 2011

ECOJUSTIÇA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Durante duas semanas, jovens cristãos de 20 países participam de treinamento sobre Eco-Justiça, em Durban, África do Sul, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro Nações Unidas para a Mudança do Clima (CQNUMC). O programa é coordenado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em conjunto com a Federação Luterana Mundial (FLM).

Veja o testemunho de Raquel Kleber, publicado pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC) em 09-12-2011.

Como integrante desse grupo, sinto-me privilegiada por poder vivenciar a troca de experiências com jovens de diversas realidades, através da discussão de questões socioambientais. Além de treinamentos e palestras sobre Economia, Teologia e o conceito e aplicabilidade de Justiça, estamos desenvolvendo projetos que serão posteriormente implementados nos nossos países, conectando, desta forma, as esferas internacional, nacional e local.
O projeto que pretendo desenvolver visa conectar as discussões levantadas nesse treinamento sobre Eco-Justiça, e aplicá-las no contexto brasileiro, através da capacitação de jovens luteranos, para que atuem como lideres em suas comunidades na promoção de justiça sócio ambiental.

O projeto estará relacionado com o já existente programa Criatitude, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Juventude Evangélica, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), contando com a participação dos jovens nas atividades ecumênicas da Conferência dos Povos na Convenção das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio +20, que será realizada no Rio de Janeiro, em 2012.
Os 28 jovens estão tendo também a oportunidade de participar das atividades da COP17, que, devido às expectativas negativas para o comprometimento dos países para um novo compromisso de redução das emissões de gases de efeito estufa, principais causadores das mudança do clima, tem mobilizado a sociedade civil que, por sua vez, demanda uma ação rápida e efetiva por parte dos governos.
Uma dessas ações foi o chamado Global Day of Action, uma marcha que se tornou tradição nas Conferências das Partes da CQNUMC. Mobilizando cerca de 20 mil pessoas, a demonstração teve o objetivo de chamar a atenção dos governos para a urgência de se tomar uma atitude com relação à mudança do clima, exigindo que eles alcancem um acordo.
O grupo Youth for Eco-Justice teve participação ativa na demonstração, levando um banner dizendo “Polluters Pay” (poluidores pagam), exigindo que os países que mais emitem gases de efeito estufa assumam a responsabilidade e o débito ambiental pela emissão que expelem na atmosfera.

Além disso, os jovens estiveram envolvidos em diversas atividades ecumênicas, como o Rally, encontro ecumênico prévio à COP17. Esse encontro contou com a participação da Secretaria Geral da UNFCC, Cristina Figueres, e com Desmond Tutu, ativista e bispo sul-africano.
Os jovens visitaram também uma comunidade local de Durban, chamada Clermont. Lá conhecemos a Associação Jovem, que tem como foco a busca por soluções para o problema do lixo na sua província.
Jovens foram treinados para trabalhar com o meio ambiente através do Conselho de Diaconia de Durban, o que os habilitou para implementar melhorias ambientais no local. O projeto tem uma forte ligação com a prefeitura, que remunera esses jovens para que realizem o trabalho de limpeza e de manutenção.
O projeto é uma forma de desenvolvimento sustentável, pois engaja jovens da região para cuidarem do ambiente onde vivem, de forma remunerada, e ainda com fundos adicionais através da reciclagem de materiais. O Conselho de Diaconia de Durban tem um papel crucial, ao educar e capacitar tais jovens para atuarem de modo condizente aos desafios locais.

A mudança climática, que vem sofrendo os impactos das ações insustentáveis da humanidade, é também um sinal de injustiça, pois são os setores menos favorecidos que enfrentam as maiores conseqüências. A fim de resolver esse problema, uma mudança no sistema econômico é essencial, mas também uma mudança nas ações humanas a partir da posição de dominadores para mordomos da criação de Deus.
No processo de criação de um mundo ecologicamente mais justo, a juventude tem um papel significativo a desempenhar, pois são os que têm esperança e energia para alterar essas situações, somadas à capacidade de netoworking e habilidade em tecnologia. Nós somos aqueles que serão afetados pela decisão de hoje com a oportunidade única em mãos de apresentar soluções para esse mundo e aplica-las.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agrotóxicos nos alimentos

Recente pesquisa da ANVISA mostrou que grande parte do nosso alimento está contaminado por agrotóxicos. Veja o quadro abaixo, publicado na Folha de São Paulo. O percentual significa a proporção de veneno além do permitido pela lei, nas amostras coletadas em quase todos os cantos do país.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lobby do agronegócio na aprovação do código florestal

Grandes doadores eleitorais do agronegócio que terão multas ambientais suspensas com a aprovação do Código Florestal injetaram cerca de R$ 15 milhões na campanha de 50 congressistas que participaram da votação da norma. É o que revela cruzamento de autos de infração do Ibama com as doações eleitorais. As contribuições foram feitas no pleito de 2010, quando a reforma do código já estava em andamento em comissão especial da Câmara. O valor é 42% maior do que o total doado pelas mesmas empresas na eleição anterior (2006).

As empresas foram autuadas, num total de R$ 1,6 milhão, por irregularidades como destruir vegetação nativa, áreas de preservação permanente, e consumir carvão de mata nativa. Há ainda multas impostas pela Justiça.
Com a nova lei, ao aderir a um programa de regularização ambiental, a empresa terá suas multas suspensas e convertidas em serviços de recuperação ambiental.

Fonte: Lúcio Vaz, Folha de São Paulo, 7/12/11.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Interpretaçóes sobre Belo Monte

Todo mundo está confuso, abarrotado de informações suspeitas, sem saber em que confiar, quando se fala em Belo Monte. Resolvi dar uma humilde contribuição sobre alguns pontos que, me parece, causam mais dúvidas.
Vou começar revelando uma coisa que você provavelmente já percebeu: o motivo pelo qual ninguém sabe quem está falando a verdade é que ambos os lados dessa peleja contam verdades incompletas.Dificilmente um ambientalista dirá que o motivo pelo qual Belo Monte só vai produzir um terço da sua capacidade instalada, em média, é que a usina foi reprojetada para operar como fio d’água, o que permitiu diminuir drasticamente o reservatório e… voilà! Menor impacto ambiental.Mas o outro lado não te conta que os engenheiros não fizeram isso porque têm a floresta no coração, mas porque o projeto anterior era tão absurdo que esse foi o único jeito de destravar o processo, embargado pelo STF desde 2002. E que a teimosia de manter os planos mesmo com essa enorme perda de eficiência (sim, nenhuma usina opera no total de sua capacidade o tempo todo, mas a discrepância de Belo Monte é acintosa) revela duas possibilidades:1- A principal motivação para essa usina não é tanto o suprimento energético nacional quanto a necessidade de fazer girar a manivela dos favores e benefícios escusos da política municipal, estadual e federal. E/OU 2- O projeto atual é um drible no licenciamento ambiental, quando o verdadeiro plano seria construir outras hidrelétricas na bacia do Xingu. Portanto, um acúmulo de reservatórios que permitiria a Belo Monte operar com muito mais eficiência. E daí o impacto ambiental será muito, mas muito maior.

“Uma Pergunta!” diz Ingrid Guimarães. “Qual é a solução para a questão energética no Brasil?”, complementa Marcos Palmeira, ambos no vídeo Gota d’Água. E eis que surge a grande besteira da campanha: dizer que as alternativas são energia solar e eólica. Ambas são fontes intermitentes. O sol se põe, o vento para de soprar. Com a tecnologia atual, o papel que essas fontes podem desempenhar é de complementaridade. A espinha dorsal da matriz elétrica brasileira é hidrelétrica e continuará sendo assim.A pergunta que se deve fazer é: precisa construir mais 77 usinas hidrelétricas na Amazônia, entre elas Belo Monte? As opiniões técnicas mais engajadas já cansaram de apontar a importância de medidas de eficiência, como ampliar a potência de usinas já existentes, e combater o desperdício da energia que se perde no caminho da distribuição, em níveis alarmantes. Mas isso nunca tem destaque –ou às vezes sequer aparece – na política pública. Por quê? Aquilo que não é grande obra não interessa?

E ainda que a gente fizesse tudo certinho, desse um tremendo gás no quesito eficiência, botasse freio nas indústrias eletrointensivas e revertesse o quadro de primarização da economia brasileira, ainda assim, daria para não construir mais nenhuma hidrelétrica e continuar crescendo? Não sei. E acho que ninguém sabe. Isso porque o planejamento energético nacional padece de falta de transparência. Ouço essa crítica há anos, tanto das ONGs quanto da Academia. Certa Vez, Gilberto Jannuzzi, professor livre-docente em sistemas energéticos da Unicamp, me disse que os estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) são tão obscuros que às vezes nem ele consegue entender.
O que se quer, mais que interromper Belo Monte, é iniciar um processo de diálogo com atores da sociedade e do governo e entender por que algumas recomendações técnicas são solenemente ignoradas enquanto outras são blindadas de participação.

Quando o sujeito vira pra você e fala “nenhum índio será atingido”, ele está se escondendo atrás das diferentes interpretações que apalavra “atingido” pode denotar. Aperte a tecla SAP do seu televisor e leia o seguinte: é que nenhum índio será afogado (como disse Celio Bermann em entrevista recente) pela cheia do reservatório e não haverá obras dentro da terra indígena. Mas isso está longe de significar uma boa noite de sono para os povos do Xingu.Como aponta um painel de 40 cientistas independentes, não se pode garantir que a mobilidade dos índios não será afetada pela diminuição da vazão do rio e nem que o suprimento de peixes continuará como dantes. Se os índios tiverem reduzida sua principal fonte de proteína e ficarem isolados em algum período do ano, a terra ancestral se tornará imprestável, mesmo sem obras ou inundação. Isso sem falar na dor de cabeça com o previsível aumento das invasões.

Desconfie de quem defende que Belo Monte é uma grande oportunidade de desenvolvimento local. Oportunidade é potência, não é realidade. Poderia melhorar a vida das pessoas? Poderia, sim. É uma montanha de dinheiro que começa a circular nos arredores de uma obra gigantesca. Às vezes, a arrecadação municipal dobra ou até triplica. Mas se o hospital modelo só fica pronto depois do pico das obras (como já aconteceu na Amazônia), quando milhares de migrantes já se mandaram para outras fronteiras, se o troço se torna caro e ocioso… de que adianta?Isso requer um planejamento muito bem feito, com medidas que precisam ser adotadas muito antes das obras, coisa que nenhum governo até hoje conseguiu implementar na Amazônia. Não é à toa que a prefeitura de Altamira, antes defensora fervorosa de Belo Monte, hoje pede a interrupção do projeto até que as medidas de compensação mais fundamentais sejam concluídas.A corda, como sempre, arrebenta no lado mais fraco… Seriam os efeitos colaterais relativizáveis de um bem maior, O Desenvolvimento Do País? Você é quem sabe.

Fonte: Planeta Sustentável

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cresce desmatamento na Amazônia

Depois de dois meses em queda, o desmatamento na Amazônia voltou a subir em outubro, de acordo com dado do governo federal.

O sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que flagra a devastação em tempo real, viu 385 km2 desmatados em outubro em comparação com 253,8 km2 no mês anterior - um aumento de quase 52%. A cifra é a mesma, porém, de outubro do ano passado -- quando o Deter enxergou 388 km2 devastados na região.
Diferentemente dos dois meses anteriores, em que houve queda na taxa, os dados do Deter não foram anunciados à imprensa pela ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente).
O Estado que mais desmatou foi Rondônia, passando o tradicional campeão Pará, e o município que mais registrou derrubadas foi Porto Velho, onde se constroem as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira.
Fonte: Folha on-line, 29 nov 2011

Infelizmente, não há novidade na notícia. Com o novo código florestal em vias de aprovação, os destruidores da floresta já se sentem contemplados e podem agir com mais desenvoltura. Afinal, sabem que mais cedo ou mais tarde, serão anistiados. À exploraçáo ilegal para colher madeira de lei se segue o avanço impiedoso do capim para o gado e da soja. Atrás deles, imensos campos de terra erodida, abandonada. Esta é a triste situação da Amazônia....

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CAMARÕES E CÓDIGO FLORESTAL

A Comissão de Meio Ambiente concluiu na tarde desta quinta-feira (24) a votação do projeto que reforma o Código Florestal. O projeto agora vai a plenário. O texto principal havia sido aprovado na quarta-feira e restavam destaques para votação na comissão. Uma das principais polêmicas do código, a criação de camarões em mangue, foi reaberta no encerramento da votação. Por pressão de parlamentares do Nordeste, os relatores do código, Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC), se comprometeram a apresentar na votação do código no plenário uma emenda decretando a aquicultura como atividade de "interesse social". Isso poderá permitir que a carcinicultura continue ocupando os chamados apicuns, áreas alagáveis dos manguezais.

Ontem, os senadores José Agripino (DEM-RN) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) entraram na sessão de votação do código na Comissão de Meio Ambiente para exigir que a criação de camarão fosse liberada, aprovando uma emenda do senador que retirava apicuns e salgados (outra subdivisão do manguezal) da categoria de Area de preservação permanente No governo, a avaliação é de que, caso seja aprovada, a emenda pode ser vetada pela presidente Dilma Rousseff.
Fonte: Folha on-line.

Mais uma vez, o poder econômico faz valer sua pressão. É sabido que a cultura de camarão, tal como é realizada no Brasil, sobretudo no Nordeste, aniquila com o ecossistema das áreas ocupadas. Considerar tal atividade como “de interesse social” é no mínimo um grande cinismo. Além disso, os manguezais são áreas preciosas para a cadeia alimentar de rios e mares. Permitir que sejam destinados para criação de camarão em cativeiro é comprometer o futuro da vida nos rios e mares. Onde está a consciência dos nossos políticos?

domingo, 6 de novembro de 2011

IDH e ameaças ambientais

As ameaças ambientais podem comprometer avanços no desenvolvimento humano nos próximos anos, e os principais prejudicados serão os países mais pobres do mundo. O alerta é do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que divulgou o relatório Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos.
De acordo com o Pnud, os avanços em saúde e renda, que, junto com educação, compõem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), poderão ser ameaçados pelas consequências das mudanças climáticas e da destruição ambiental. "Os resultados alcançados nas últimas décadas poderão ser revertidos se não levarmos em conta o desenvolvimento sustentável, compreender que a desigualdade afeta a degradação ambiental e vice-versa", apontou o pesquisador do Relatório de Desenvolvimento 2011, Alan Fuchs.

Pelas projeções do Pnud, se o ritmo de evolução do IDH dos últimos 40 anos for mantido, em 2050 a grande maioria dos países terá índices considerados muito elevados. No entanto, essa trajetória pode ser comprometida pelos riscos ambientais, que foram divididos pelo Pnud em dois cenários: desafio e desastre ambiental.
Até 2050, sem os novos desafios ambientais, o IDH global seria 19% maior que o atual, com melhora principalmente nos índices de países em desenvolvimento. No cenário de desafio ambiental, que considera a poluição do ar e da água e os impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura, o IDH global em 2050 seria 8% menor do que no cenário-base. Na hipótese de desastre ambiental, o IDH global seria 15% menor que o projetado para 2050 no cenário básico.

"Sob um cenário de desastre ambiental, a maior parte dos ganhos do início do século será perdida até 2050, com os sistemas biofísicos e humanos sujeitos à pressão do uso excessivo de combustíveis fósseis, da queda dos lençóis freáticos, da desflorestação e degradação da terra, dos declínios dramáticos da biodiversidade, da maior frequência de eventos climáticos extremos", lista o relatório. Os impactos serão maiores nos países do Sul da Ásia e da África Subsaariana, mais vulneráveis, por exemplo, aos impactos das mudanças climáticas, tais como a alteração na ocorrência de chuvas e elevação do nível do mar.
O Pnud sugere mudanças significativas na implementação de políticas públicas e investimentos em sustentabilidade para reverter a situação. "É preciso haver uma mudança macro. Um ambiente limpo e seguro deve ser um direito e não um privilégio", avaliou Fuchs.

Entre as medidas, os autores do relatório defendem a criação de um imposto verde, para taxar as grandes transações financeiras internacionais e financiar o enfrentamento das mudanças climáticas e da pobreza extrema. Segundo cálculos do Pnud, uma taxa de 0,005% sobre as negociações cambiais poderia gerar anualmente US$ 40 bilhões para essas causas.

Fonte: Folha on-line, 3 nov 2011.

sábado, 29 de outubro de 2011

Rede de Esgoto nos municípios brasileiros

Pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que quase metade (44,8%) dos municípios brasileiros não tinha rede coletora de esgoto em 2008.

As diferenças regionais, porém, são grandes: enquanto no Estado de São Paulo apenas Itapura estava nessa situação, na região Norte as cidades sem o serviço chegavam a 96,5% do total.
Os dados consideram apenas a existência ou não da rede coletora, e não a abrangência de cobertura dentro de cada município --ou seja, mesmo que vários bairros de uma cidade não sejam atendidos pelo serviço, ela pode figurar na lista se a coleta for feita em parte de seu território.
Além disso, a pesquisa mostra que a coleta não é acompanhada na mesma proporção pelo tratamento do esgoto. Do total coletado, apenas 68,8% passa por estações de tratamento antes de ser descartado.
Nesse quesito, mais uma vez, é possível notar grandes diferenças regionais. Em São Paulo, 78,4% dos municípios processam ao menos parte do esgoto gerado. No Maranhão, esse percentual cai para apenas 1,4%.
Em parte dos municípios do país que não têm rede de esgoto, porém, é possível encontrar soluções alternativas, como a fossa séptica (dispositivo do tipo câmara que é isolado do solo e faz a filtragem do dejeto). É o caso, por exemplo, de vários municípios gaúchos.
Além disso, os dados mostram uma melhora em relação à pesquisa anterior, de 2000. Naquele ano, a parcela de municípios sem rede coletora de esgoto era de 47,8%.
(Fonte: Folha de São Paulo)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia mundial sem carro

O presidente da ONG Rodas da Paz, Uirá Felipe Lourenço, concedeu entrevista à IHU On-Line, que divulgamos aqui.


Em que contexto surgiu o Dia Mundial sem Carro e de que forma este momento pode contribuir para uma sociedade mais sustentável?
Uirá: A data surgiu na França em 1998, espalhou-se pela Europa e chegou ao Brasil. Atualmente muitas cidades brasileiras promovem ações. A data é uma oportunidade de repensar o modelo de cidade que temos, com excessiva frota motorizada em circulação.

Que problemas o Dia Mundial sem Carro ajuda a minimizar?
Uirá – A proposta do Dia Mundial sem Carro alerta para os diversos malefícios que a excessiva dependência do automóvel nas cidades causa: acidentes e mortes no trânsito, congestionamento, poluição, barulho, estresse e mau uso do espaço público.

De que maneira esta data pode ajudar a sociedade a repensar a cidade?
Uirá – As várias ações propostas servem para que a população reflita sobre o transporte nas cidades. O Desafio Intermodal, por exemplo, testa as diversas modalidades de transporte quanto a tempo, custo, poluição e segurança. As bicicletas costumam se destacar e chegar em primeiro lugar. Mesmo em Brasília, com o contexto altamente favorável ao automóvel, nas três edições do Desafio Intermodal realizadas, a bicicleta se destacou em todos os quesitos, inclusive tempo.
Outra ação interessante, geralmente realizada na semana em que se comemora o Dia Mundial sem Carro, é a Vaga Viva. No espaço tradicionalmente ocupado por carros (vagas de estacionamento) promovem-se atividades de lazer, esportivas e culturais. Por exemplo, deixam-se livros e poltronas para que a pessoa possa se sentar e ler. Um espaço morto, em que o motorista deixa o carro o dia inteiro parado (área sem utilidade pública), ganha vida e utilidade para a população.

Por que a cidade “tem um contexto urbano que não favorece pedestres e ciclistas”?
Uirá – As cidades brasileiras, de forma geral, ainda permanecem com a lógica atrasada de incentivar o transporte individual motorizado. Túneis, viadutos e ampliações de vias ainda fazem parte dos planos e das obras governamentais. Cidades modernas já não fazem isso há décadas. A ordem do dia nas cidades efetivamente modernas é investir em transporte coletivo e no transporte não motorizado. Assim, tais cidades investem em corredores exclusivos de ônibus, em integração, em moderação de tráfego (por exemplo, reduz-se o limite de velocidade na via para permitir melhor convivência entre motorizados e não motorizados), em ciclovias, ciclofaixas e calçadas contínuas e de boa qualidade.
Como exemplo da política atrasada, na nossa capital federal, o estacionamento de carros em área pública é gratuito, um grande incentivo a se permanecer com a alta dependência do carro. Ao mesmo tempo, inexistem vagas públicas para bicicletas. Existem projetos para aumentar ainda mais as vagas para carros, inclusive com estacionamentos subterrâneos, e para ampliar mais vias. E o transporte coletivo continua sofrível: caro, desintegrado, superlotado, sem pontualidade e nem informações básicas aos usuários sobre linhas e horários.

De que forma a data pode auxiliar as autoridades a repensar as capitais e o meio ambiente?
Uirá – Por meio de seminários e de várias ações, as autoridades e técnicos que lidam com o tema mobilidade urbana também são convidados a repensar sobre o modelo ultrapasso de cidade em termos de mobilidade.

O senhor acredita que o grande problema não está no carro isoladamente, mas na “cultura do carro”, que se instalou na sociedade contemporânea? Por quê?
Uirá – O carro em si não é culpado. Países ricos e com alta motorização, como Holanda e Dinamarca, conseguem ser exemplo em mobilidade urbana. Lá, a população tem carro, mas não o utiliza de forma abusiva, no dia a dia. As pessoas pedalam e caminham muito, além de contar com um ótimo sistema de transporte coletivo. Aqui a cultura é de se priorizar o carro, incentivar o uso. Até mesmo pelo status que um carro novo e potente ainda representa.

Quais seriam as estratégias para diminuir o número cada vez maior de carros nas ruas?
Uirá – Oferecer boas condições para os usuários do transporte coletivo, com um sistema eficiente e integrado, e dar segurança e conforto aos que optam por pedalar e caminhar. Num momento posterior, pensar em restrições ao automóvel, como taxar ou proibir a circulação de carros na área central.

Que implicações ambientais, sociais, de saúde e urbanos o número de carros cada vez maior nas ruas pode trazer?
Uirá – Mortes e feridos no trânsito (o Brasil tem níveis epidêmicos, são cerca de 40 mil mortes por ano no trânsito), desigualdade no uso do espaço urbano (a minoria usuária de carro conta com a maior parte do espaço na via), isolamento social (o carro isola as pessoas no seu interior), fator adicional de obesidade, congestionamentos e perda de produtividade, estresse e barulho.

O Dia Mundial sem Carro é um momento que alerta para a mudança dos hábitos diários da população. Mas, de que maneira a data pode significar uma real mudança cotidiana, e não apenas em alguns dias do ano?
Uirá – A ideia é refletir sobre a cidade e demonstrar boas iniciativas. É fundamental que a partir da reflexão promovida na data se apliquem ações em favor da mobilidade saudável.

Que ações o governo pode tomar para oferecer outras saídas viáveis de locomoção e bem estar à população, para que estas dependam menos dos carros para se locomover?
Uirá – Medidas simples como reduzir o limite de velocidade nas vias, criar calçadas contínuas e caminhos seguros aos ciclistas. Criar vagas de estacionamento seguros e confortáveis para usuários de bicicleta.

Como vê a relação carros/ciclistas no trânsito das cidades?
Uirá – Infelizmente, os motoristas não têm boa formação e, muitas vezes, desconhecem ou ignoram os dispositivos do código de trânsito que protegem ciclistas e pedestres. Por exemplo, a distância lateral de um metro e meio ao passar por um ciclista e a preferência que o ciclista tem na via. E por parte do poder público faltam campanhas educativas e de fiscalização que garantam a segurança do ciclista. Mesmo assim, é possível pedalar nas cidades, tomando-se as devidas precauções e escolhendo-se os caminhos mais tranquilos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

8 Rs da sustentabilidade

O Instituto Akatu foi além dos 3 Rs que resumem o consumo consciente: Reduzir, Reutilizar, Reciclar criando mais cinco. O Ecologia e Fé compartilha os 8 Rs publicados no site do Akatu:
1 - Refletir: Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos do consumo no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos.
2- Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia.
3- Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço.
4 - Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil, quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na coleta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou para o catador.
5 - Respeitar: A si mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meio ambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor” e “obrigado”.
6 - Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe.
7 - Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade.
8 - Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consumo consciente. Retuite, reenvie e-mails.
O Ecologia e Fé está cumprindo o oitavo "erre", repassando estas dicas.
Faça o mesmo.