Foto do grupo que participou da Oficina "Educación, Ecologia y Bien-viviv" durante o Encontro das Equipes Diretivas dos centros educativos maristas, em Mar Del Plata, Argentina.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Perspectivas escatológicas para o futuro do universo
No capítulo 5 de seu livro “Ciência e Sabedoria” (Ed.
Loyola), Jürgen Moltmann aborda o tema das perspectivas escatológicas da
teologia cristã para o futuro do universo. Ele pergunta: as escatologias humana
e cósmica podem ainda hoje ser pensadas juntas e harmonizadas? Para dar uma
resposta, o autor coloca a escatologia cristã, de forma crítica e autocrítica,
no contexto da astrofísica moderna. Como nos capítulos anteriores, Moltmann
segue a proposta da “teologia natural”, segundo a qual os conhecimentos
natural-científicos nos dizem algo sobre Deus, e as visões teológicas algo
sobre a natureza.
A teologia adquire horizonte escatológico a partir da
experiência especial de Deus (root-experience),
isto é, dos acontecimentos em que Deus se “revela” e que conferem às
comunidades humanas sua identidade religiosa. Essas “experiências de raiz”
contêm, desde o início, horizontes experienciais gerais e expectativas futuras
universais, pois são experiências temporais do Deus eterno.
Para o judaísmo, a experiência raiz é o Êxodo, em cujo
horizonte o Deus que liberta Israel é percebido como o “criador” de todas as
coisas em todas as coisas. Essa crença na criação dessacralizou e desencantou o
mundo, e também o abriu para a intervenção científica e técnica do ser humano.
Já no cristianismo, a experiência raiz é Cristo, sua morte e ressurreição.
Nesse horizonte, o Deus que tirou Cristo da morte é percebido não apenas como
criador, mas como consumador de todas as coisas. Na compreensão do evento
singular da ressurreição de Cristo já estava presente o horizonte escatológico
universal. A nova criação já começa no meio da velha. O desenvolvimento da
escatologia cristã representa as dimensões cósmicas do acontecimento Cristo.
As tradições bíblicas estão baseadas num princípio
antrópico, quer dizer, na concepção do ser humano como centro da criação e na
coincidência do fim deste mundo com o fim da humanidade. Mas, hoje sabemos que
a humanidade como um todo é mortal e que o universo num futuro longínquo pode
ser um universo sem pessoas. Essa constatação questiona o sentido da
escatologia humana.
Se se introduz o princípio cósmico nessa antropologia,
surge outra imagem. Vemos não apenas o universo no ser humano e o ser humano
como o sistema supremo, complexo e autoconsciente que conhecemos, mas também o
ser humano no universo e o universo como o mais amplo contexto para o
desenvolvimento das possibilidades humanas. Nessa perspectiva, o futuro do
universo não estaria atrelado ao futuro do ser humano, mas o futuro do ser
humano é que seria integrado ao futuro do universo.
Atualmente, conscientemente ou não, o ser humano
procura vencer a morte e viver o máximo possível, mas, um futuro infinito da
vida e do universo como hoje os conhecemos, é realmente desejável? Se a morte e
o tempo fossem superados, não haveria mais nada de novo, então, um mundo sem
fim seria o fim do mundo.
As concepções de um “fim do mundo” pressupõem que este
mundo é temporal e tem um começo e um fim com o tempo, que o universo está num
movimento singular chamado “história”. Teologicamente, as concepções
“milenaristas” do fim do mundo falam de uma meta (telos) do desenvolvimento do cosmos. Por outro lado, as concepções
“apocalípticas” falam de um fim (finis)
da história cósmica. Na escatologia cristã sempre está presente uma combinação
de ambas as ideias, fim e começo, pois a escatologia só pode ser considerada
cristã se se orienta pelo evento do Êxodo de Israel e pelo acontecimento de
Cristo. O cativeiro de Israel e a morte de Cristo são protótipos da catástrofe.
A saída para a liberdade da Terra Prometida e a ressurreição para a vida eterna
do mundo vindouro são protótipos do novo começo.
A destruição do
mundo (annihilatio mundi),
pregada pelos luteranos no séc. XVII e pelos “aniquilacionistas” evangélicos
modernos, anuncia a destruição como destino final do universo. Sua pregação diz
que anjos e crentes se entregarão totalmente à visão beatífica de Deus “face a
face”, de modo que não mais precisem deste mundo criado (2Pe 3,10.12; Ap 2,11;
Ap 21,1). Em outras palavras, o fim da criação é um movimento da existência
para o não-ser.
Por outro lado, a transformação
do mundo (transformatio mundi)
representa a expectativa teológica geral que espera a mudança do universo do
estado agora observável para um estado qualitativamente novo. Pregada pelos
calvinistas e a teologia católica da Idade Média, vê na fidelidade de Deus o
fundamento transcendente da criação e a garantia divina de duração para o
universo. A forma do velho mundo são pecado, morte e transitoriedade; a forma
do novo mundo são justiça, vida eterna e imperecibilidade.
A deificação do
cosmos (deificatio mundi) pregada
pela teologia ortodoxa considera que a pessoa humana e a natureza da Terra
formam uma unidade, portanto, o que é prometido à pessoa humana vale também
para o planeta e o cosmos. Se a escatologia humana e a cósmica constituem uma
unidade, não há futuro humano sem o futuro do universo. O cosmos é salvo se a
humanidade é salva, e vice-versa.
A concepção escatológica do futuro do universo
diferencia sua história em duas fases: o “tempo deste mundo” (tempo do mundo
transitório) e o “tempo do mundo futuro” (tempo de um mundo permanente e
eterno). Ela também distingue a realidade em “Terra” (mundo visível, singular)
e “Céus” (mundo invisível, plural). O tempo da “Terra” é o chronos com sua estrutura temporal irreversível do vir-a-ser e do perecer;
o tempo dos “Céus” é o aion, aevum com estrutura temporal reversível
do círculo do tempo.
O ser eterno de Deus se distingue da terra e dos céus
e seu tempo é a eternidade. Isso não quer dizer tempo sem fim, nem
atemporalidade, mas potência temporal. A eternidade do Criador em si deve ser
vista na anterioridade, simultaneidade e posterioridade dele. Sua eternidade se
determina com poder do futuro para o tempo irreversível: há, por conseguinte,
futuro passado, futuro presente e futuro futuro.
As consequências desses pressupostos para a
compreensão do universo cientificamente explorável são:
a) Consequências negativas: o universo visível não é divino, não mostra
qualidades divinas nem é celeste. É passageiro, temporal e contingente.
b) Consequências positivas: o universo visível é temporal, contingente e
finito, mas tem um futuro eterno, permanente e infinito no universo futuro,
novo. O mundo futuro, novo, trará aquilo de que sentimos falta neste mundo
finito: a presença eterna de Deus e a participação nas qualidades dessa
presença divina, ou seja, aquilo que tem sentido em si mesmo.
Então, a
passagem “deste mundo” para o “mundo futuro” é uma transformação universal
“deste mundo” (Ap 21,4: “Eis que faço novas todas as coisas”). Tudo o que é
criado, que foi, é e será aqui deverá ser feito “novo”. O mundo futuro, novo,
eterno deve ser a nova criação deste mundo que conhecemos. Não se pode dizer
quando isso acontecerá, pois esse momento escatológico precisa ser também o fim
do tempo irreversível, não podendo portanto cair neste tempo. Ante a eternidade
de Deus que aparece no momento escatológico, todos os tempos ficam simultâneos.
O momento escatológico põe fim ao tempo linear e assume um elemento do tempo
cíclico. Não ocorre um eterno retorno do mesmo, mas um retorno único de todas
as coisas.
Esse modelo escatológico para o “futuro do universo” é
o único modelo que percebe um futuro para o passado, exprime esperança para os
mortos e descobre futuro para os diferentes estágios do universo.
Resumo de: MOLTMANN, Jürgen. Perspectivas
escatológicas para o futuro do universo. In: ______. Ciência e sabedoria. São Paulo: Loyola, 2007. cap. 5, p. 95-114,
como atividade de PIBIC, bolsa da FAPEMIG, realizado por Gonzalo Benavides
Mesones, estudante de Teologia da FAJE, Faculdade Jesuíta.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Direitos cósmicos e espiritualidade
Marcelo
Barros
Comumente,
a sociedade dominante apresenta os Direitos Humanos apenas como campo de
inviolabilidade individual. Nele se destacam os direitos liberais de ir, vir,
comprar e consumir. Nas últimas décadas, quem mais invoca a Declaração dos
Direitos Humanos são os impérios ocidentais. Eles insistem nesses direitos
individuais, mas para tê-los o passaporte necessário é o dinheiro. Nesse tipo
de sociedade, a pessoa só é cidadã se puder ganhar e consumir (..) Mesmo nos
países que eles não invadem, violam a justiça internacional e patrocinam golpes
e financiam os piores partidos políticos, sempre à sombra dos direitos humanos
e até do nome de civilização cristã.
As
antigas civilizações da Ásia, Oceania e África, assim como as comunidades
índias e afrodescendentes da América insistem que os direitos não são apenas
individuais e sim comunitários e coletivos. Também não isolam direitos humanos
do cuidado com a mãe-terra, dos animais e de todos os seres vivos que se tornam
assim, de alguma forma, sujeitos de direitos. É uma outra concepção de direitos
humanos.
É
dever das pessoas de bem, das comunidades e organizações sociais incorporar em
seu trabalho essas concepções contra hegemônicas e alternativas dos Direitos
Humanos. O amor incondicional e solidário nos leva a assumir a responsabilidade
ética pelos mais frágeis e marginalizados por essa sociedade cruel. No entanto,
além de solidarizar-se à luta dos lavradores, índios, negros, mulheres oprimidas
e todas as categorias de alguma forma vítimas da sociedade excludente, essa
solidariedade nos leva a um novo modo de pensar e viver a relação com a Terra,
a água, a natureza, os animais e todo ser vivo. Também, a Terra, as águas, os
animais e as plantas precisam ser cuidados e defendidos. Não podemos tratá-los
como se fossem meras mercadorias. Conosco eles formam uma grande teia de
relação que é como uma comunidade: a comunhão da vida.
Esse
modo de viver e compreender a vida e os direitos humanos faz parte de uma
cultura amorosa que compreende e pratica a Espiritualidade como forma de viver
plenamente humana e humanizadora. As tradições religiosas têm como missão
ajudar as pessoas a aprofundar esse sentido mais profundo da vida.
Infelizmente, ainda há muita gente que confunde Espiritualidade com
Espiritualismo e trata a fé como se se tratasse de um assunto meramente íntimo
da relação livre do fiel com uma divindade. A mística francesa Simone Weil
afirmava: "Eu reconheço quem é de Deus não quando me fala de Deus, mas
pelo seu modo de tratar as outras pessoas”.
Todas
as religiões, de uma forma ou de outra, reconhecem: o divino só pode ser
encontrado realmente no humano. A espiritualidade, religiosa ou não, faz da
defesa dos direitos do ser humano e da natureza um método de intimidade com o
Divino, presente no mundo. No século II, Irineu, pastor da Igreja de Lyon,
ensinava: "Como você poderá divinizar-se se ainda nem se tornou humano?
Antes de tudo, garanta a condição de ser humano e, assim, poderá participar da
glória divina”.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
O Espírito em uma criação esplêndida e ameaçada
Buscando visualizar numa terra esplêndida e ameaçada,
a espiritualidade ecumênica da criação, Simone Morandini, doutor em teologia
ecumênica, associa criação, espiritualidade e crise ecológica e faz um estudo da
crise ambiental como tempo de especiais interrogações para fé e para vivencia
de uma espiritualidade ecumênica da criação. O teólogo levanta as seguintes
questões: A crise ambiental é espaço de conversão? A crise ecológica pode ser
vivida como tempo de interrogações para fé e construção de uma sólida espiritualidade?
É possível a ação do Espírito em uma criação esplêndida, mas ameaçada? Trata-se
de reconhecer a palavra que chega do Senhor por meio da criação, que convoca a
uma relação de contemplação da presença amorosa do Criador na criação,
expressão do seu Espírito.
O desejo da espiritualidade nos conduz ao espírito,
à realidade da sua ação na criação. O Espírito - na sua dinâmica de dar a vida
e fazer viver, que cria e recria renovando a presença da força em nós - é
visível na criação. É importante reencontrar o vínculo estreito que existe
entre o espírito e a criação e colocá-lo em primeiro plano na espiritualidade
ecumênica da criação. Viver essa espiritualidade significa apreender o
movimento do Espírito criador, deixando-se envolver a ponto de sermos inseridos
no processo próprio do espírito com a sua criação. Esse renova e cria vida em
nós, dotando-nos de sensibilidade de visão da beleza do Criador por sua
criatura e por sua criação que merece ser cuidada e respeitada.
Uma espiritualidade experimentada na perspectiva da
relação com a criação direciona-nos a palavra da Escritura. A ação do Deus de
Abrão já não interessa unicamente à interioridade humana, mas está sempre
estreitamente entrelaçada com a referência à sua providencia que age no cosmo.
A espiritualidade autenticamente cristã compreende e vive plenamente o mistério
da páscoa de Jesus de Nazaré em relação com o grande mistério de um mundo
criado bom pelo Pai e conduzido a seu cumprimento pelo Espírito. O espírito é
presença do amor de Deus em nossa criação e ao mesmo tempo é força na
construção de uma relação de cuidado, de respeito pela vida criada, que ensina
a sentir a natureza também na sua fragilidade e o seu gemido.
A atração de uma espiritualidade da criação não
deixa de apresentar os seus riscos. Há espiritualidades que se apresentam como
alternativas de vida mais próxima da natureza, mas não convincentes em sua
prática. Segue nesta direção a New Age, que separa as diversas esferas da vida
e do nosso ser; como também a espiritualidade da creation espirituality que contrapõe a espiritualidade centrada na
criação a uma espiritualidade tradicional, atenta ao pecado e à redenção. Devem
apresentar características interessantes, mas nem sempre são suficientes para
entender o que caracteriza a escritura cristã na sua complexidade de mostrar o
sentido do negativo, da dor. Cremos que
o próprio esplendor da criação só pode ser vivido em plenitude desde que
apreendido com o gemido que se eleva na crise ecológica.
Criação e redenção não podem ser contrapostas. É
preciso ver a realização de ambas no Verbo que se fez carne. Na encarnação do
Filho é possível descobrir um Deus que se aproxima da criação, que se faz
presença na dinâmica positiva dela, levando-a além dos seus gemidos. O espírito
de Deus opera vida na dinâmica da criação, para conduzi-la à vida plena.
A perspectiva ecumênica acredita na força do diálogo
interconfessional e inter-religioso para construir uma espiritualidade que salvaguarda
a vida dada à criação pelo criador. Somente o diálogo e a escuta recíproca é
capaz de dar valor àquela força espiritual que as varias confissões de fé doam para
preservar o espaço comum, que é o planeta. Ecologia e ecumenismo compartilham
da mesma casa. Espiritualidade ecumênica da criação não se resume em buscar
algo em comum existente. Mais do que isso, indica gestos e palavras que ajudem
concretamente a viver com mais força a própria fé e o cuidado com o planeta.
Antonio Luis
Oliveira S. Filho, bolsista PIBIC em teologia na FAJE
Fonte:
MORANDINI, Simone. Terra esplêndida e ameaçada. Por uma espiritualidade
ecumênica da criação. São Paulo: Loyola, 2008. Cap. I
domingo, 7 de setembro de 2014
A transparência divina na trama da criação
Frei
Sinivaldo Tavares
Transcendente e imanente, na
perspectiva cristã, se relacionam de maneira inusitada e deveras singular. Não
seguem padrões dualistas típicos de tradições religiosas antigas nem de
clássicas escolas de pensamento. No Ocidente, por exemplo, transcendente e
imanente foram concebidos quase sempre como separados e opostos entre si. A
alternativa a esta posição hegemônica acabou deslizando para o polo oposto: a
fusão entre ambos, causando assim uma verdadeira confusão entre transcendente e
imanente de modo a se sacrificar toda e qualquer distinção entre ambos.
Esta clássica polarização entre
transcendente e imanente acabou gerando uma específica configuração: de um
lado, temos as distintas formas de monoteísmo rígido com suas correspondentes
cosmologias que desqualificam tudo o que é natural, histórico, humano e
material. De outro, todavia, temos as conhecidas expressões de panteísmo que
confundem criador com criatura, ocasionando uma série de incongruências.
Ao professar a fé no Deus trino e
uno, as comunidades cristãs propiciam uma peculiar relação entre Transcendente
e imanente. A profissão de fé no Deus Pai criador salienta o caráter
absolutamente transcendente do Deus trino e uno. Ele é o criador absoluto, que
cria sem pressupostos e sem condições, e, portanto, o Senhor de tudo quanto
existe, selando assim sua irredutível transcendência face ao caráter
contingencial de suas criaturas.
A profissão de fé no Filho unigênito
de Deus que se encarnou, sublinha a singela solidariedade de Deus para com suas
criaturas. O próprio Deus, na pessoa de seu Verbo encarnado, penetra no mais
íntimo de uma de suas criaturas – o ser humano concreto e circunstanciado, Jesus
de Nazaré – e, assim fazendo, instaura laços de profunda solidariedade com cada
uma e com todas as criaturas. É o evento da mais radical irrupção do Todo no
fragmento, da emergência do transcendente a partir do âmago mesmo da imanência.
A profissão de fé no Espírito Santo,
como evento da interiorização do próprio Deus no coração mesmo da matéria, da
história, da corporalidade de suas criaturas, acena para a revelação do Deus
trino e uno como a interioridade mais íntima do cosmos, da história e da vida
de cada uma e de todas as criaturas. Ocorre, portanto, dialetizar
transcendência e imanência através da consideração do evento da interiorização
do próprio Deus no coração mesmo da matéria, da história e dos corpos de suas
criaturas. O evento da interioridade de Deus, mediante Seu Espírito, no coração
mesmo de suas criaturas, impede toda e qualquer bipolaridade rígida e
excludente entre transcendência e imanência.
A profissão de fé no Deus trino e
uno propicia aos cristãos, portanto, uma peculiar relação entre transcendente e
imanente: nem pura transcendência, nem mera imanência, mas a celebração da
transparência divina na trama da Criação.
Fonte: Conclusão do artigo publicado
em Rev. Pistis Prax., Teol. Pastor., Curitiba, v. 1, n. 2, p. 339-354
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Campanha eleitoral e a questão agrária
Nota da Comissão Pastoral da Terra (CPT)
A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão
Pastoral da Terra unem sua voz à de milhares e milhares de indígenas,
quilombolas, pescadores, ribeirinhos, camponeses e camponesas e trabalhadores e
trabalhadoras rurais do Brasil, que expressam sua perplexidade e descrença
diante do atual quadro político-eleitoral do momento. É frequente
ouvir deles que nenhum candidato e nenhuma proposta se identifica com as suas
necessidades e reivindicações
Vem crescendo uma justa revolta diante do
conchavo permanente entre poderosos grupos econômicos privados, nacionais e
estrangeiros, ruralistas, agroindustriais, mineradores, para ocupar e controlar
cargos nas instituições públicas tanto do executivo, quanto do legislativo. Com
isso objetivam influenciar leis e políticas públicas que facilitem a
perpetuação do latifúndio e da grilagem, que retirem os direitos duramente
conquistados pelos povos indígenas, comunidades quilombolas e outras
comunidades tradicionais, e que flexibilizem os direitos trabalhistas, para
garantir o lucro a qualquer custo para os investimentos e empreendimentos
capitalistas.
Isso, que homens e mulheres do campo, das águas e das
florestas percebem, fica claro na análise dos programas de governo dos candidatos
que, em âmbito federal e estadual, disputam com possibilidades de sucesso as
eleições. Todos eles exaltam a eficiência e importância do agronegócio,
enquanto nem sequer reservam uma linha para a necessidade da reforma agrária,
ou aqueles que a ela se referem, a colocam num plano insignificante. O máximo
que os programas pontuam é algum tipo de apoio à agricultura familiar e uma
insinuação à necessidade de uma agricultura agroecológica e saudável.
O resultado previsto, quaisquer sejam os vencedores, será a
confirmação de um modelo de desenvolvimento que ameaça os territórios
indígenas, quilombolas e camponeses, a continuidade da vida nos nossos biomas e
os direitos trabalhistas. Um modelo de desenvolvimento que, no dizer de
Maninha, do Movimento dos Pescadores e Pescadoras, "traz sofrimento para
nossas comunidades".
O próprio financiamento das campanhas eleitorais pelas
grandes empresas é a expressão cabal do conluio capital/política. Qual será o
interesse, por exemplo, das três empresas responsáveis, até o momento, por 65%
do arrecadado pelos três principais candidatos à presidência da república, JBS
(Friboi), Ambev (Cervejaria) e OAS Construtora, se elas estão envolvidas em
denúncias e punições por violações aos direitos trabalhistas de seus funcionários,
inclusive em situações análogas ao trabalho escravo?
Na contramão dos programas das agremiações partidárias,
infelizmente hegemônicas, insistimos sobre a centralidade da Reforma Agrária.
Trata-se de uma Reforma Agrária ressignificada, que vai além da mera
distribuição de terras: é sonho e projeto que brota e floresce com as novas
experiências e articulações dos indígenas e dos quilombolas, que defendem e
retomam seus territórios, com a proposta de economias que defendam o futuro do
Planeta, ameaçado pelo efeito estufa e mudanças climáticas, agroecologias como
visão do mundo, aproveitamento das energias limpas, soberania e segurança
alimentar respeitosas da Vida, moratórias que preservem o que sobra da
Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampas, com suas bacias
hidrográficas e aquíferos destruídos e constantemente agredidos.
Se não houver uma mudança radical no curso destas eleições,
a CPT sente que elas não marcarão nenhum salto qualitativo em relação às
grandes expectativas que o Brasil fez eclodir, com muita esperança, nas
manifestações de junho de 2013 e nas mobilizações indígenas e camponesas deste
último ano. Por isso conclama a todos quantos sentem a urgência de um Brasil
novo, à participação no plebiscito popular a acontecer na semana da pátria, em
vista da convocação de uma Constituinte soberana e independente para a
construção de uma reforma política que abra espaço para organizações populares,
de classe e de territórios. Estas representadas e presentes nas decisões mais
importantes da vida do País, lutarão para que sejam reconhecidos e aceitos a
autonomia e o protagonismo de grupos que resistem à massificação dos métodos do
capital e propõem alternativas a um modelo de desenvolvimento elitista e
falido.
Se a dimensão política é a "maneira de melhor exercer o
maior mandamento do amor" (Papa Francisco, discurso do dia 10 de junho de
2013), cabe-nos, como Comissão Pastoral da Terra, denunciar as viciadas formas
de exercer o poder que alimentam e fortalecem os grupos já poderosos, que agridem
e ameaçam não só os direitos dos mais fracos, mas a própria Constituição
brasileira.
Goiânia, 27 de agosto de 2014. Comissão
Pastoral da Terra
Fonte: www.cptnacional.org.br
domingo, 24 de agosto de 2014
A criação com sistema aberto
O teólogo Jürgen Moltmann, no capítulo II de seu livro
“Ciência e Sabedoria”, indica que existe uma crise na relação entre crença na
criação e ciência natural desde o início da modernidade. Para conciliar ambas é
preciso revisar o conceito teológico de criação e o conceito de natureza da
ciência natural clássica. Segundo a compreensão protológica da escatologia, a
redenção é o restabelecimento da boa criação original, que foi se deteriorando
e envelhecendo pelo pecado. O teólogo opta por uma compreensão escatológica da
criação, isto é, compreender a criação sob a luz da escatologia, a
partir da qual ele faz uma revisão da doutrina da criação.
Compreender a criação como “sistema fechado” é
exegeticamente impossível. A concepção da criação como um sistema perfeito em
si e autossuficiente, como resultado de
um processo concluído é contrária à “compreensão
soteriológica da obra da criação” do povo de Israel. Num sistema fechado a
história começa com o pecado original e termina com o restabelecimento da
criação na redenção, o que leva os seres humanos de volta para o estado santo
inicial. Mas a crença na criação surgiu da experiência histórica de Deus por
parte de Israel. Daí que eles tiveram acesso à crença da criação através da
história salvífica. Nesse sentido, a história de Deus com o mundo começa com a
criação e não apenas depois do pecado original. A frase “no início Deus criou” (Gn
1) permite compreender a criação como um sistema aberto, já que a presença do
tempo traz consigo sempre mudança, estrutura assimétrica,abertura ao futuro que
não precisa ser o retorno do início perdido. Nessa visão, o ser humano está
juntamente com todos os outros seres vivos no vir-a-ser do processo de criação
ainda aberto, não-consumado.
A “creatio ex nihilo” (criação a partir do nada) é um
ato sem pressupostos e designa a liberdade do criador e a contingência do ente;
ela descreve o motivo positivo da criação a partir do desejo de Deus. A criação
do tempo implica uma “criação mutabilis”, que não é perfeita, mas perfectível,
pois é aberta para a história da perdição e da salvação, aberta para a
corrupção e a consumação. Nesse contexto, a criação no início é a criação das condições para as possibilidades
de sua história. É a criação aberta para o tempo e sua transformação no tempo.
Disso se conclui que o ser humano foi criado como “possibilidade para”. Ele é
determinado para a justiça, não para o pecado; para a glória, não para a morte.
Mas ele pode se desencontrar dessa determinação de sua possibilidade. No
sentido ético, isso pode ser designado como uma possibilidade que não deve ser
realizada.
O povo de Israel tinha uma compreensão “criacionista”
da salvação na história. A crença na criação está a serviço da crença na
salvação, porque para esta a salvação surge de novas criações de Deus. Os
acontecimentos de criação da história
são atos livres de Deus e, nesse sentido, contingentes. Mas não são sem
pressupostos como a criação no início. São representados como criação do novo a
partir do velho, da salvação a partir da miséria, e da vida a partir das
ossadas dos mortos. O criar divino da redenção é compreendido como esforço e
trabalho, o criar da salvação para o povo ímpio provém do sofrimento do amor de
Deus por seu povo. Nessa perspectiva, o pecado e a servidão são consequências
do auto-isolamento de “sistemas abertos” em relação ao tempo e às suas
possibilidades. E, ao contrário, a salvação na história se apresenta nas
aberturas divinas de “sistemas fechados”. Se Deus cria graça para o pecador,
ele o liberta de seu retraimento em si mesmo, liberta-o para a liberdade e para
seu futuro. Como os sistemas fechados só podem ser abertos pela comunicação
renovada com outros, a abertura a Deus ocorre pelo sofrimento de Deus devido ao
isolamento do ser humano. Desse modo, a abertura humana para Deus é causada
pela graça, e a graça surge do sofrimento do amor de Deus para com o homem
fechado. Como Deus sofreu em Cristo nosso retraimento, ou seja, nossa morte,
ele nos abre, pela ressurreição de Cristo, à plenitude de sua vida eterna. Para
interpretar a salvação nessa perspectiva, devemos enxerga-la como abertura
definitiva e universal do homem retraído e do retraimento “deste mundo” para a
plenitude da vida divina.
A consumação do
processo criacional no Reino da glória é concebida como morada de Deus na
nova criação. O céu e a terra são novamente criados para que o próprio Deus
habite neles. O ser humano e o mundo não são divinizados, mas tomam parte na
vida divina; eles são finitos, mas não mais mortais. A consumação do processo
da criação não deve ser pensada como fechamento definitivo do aberto e dos
sistemas abertos. Se o processo criacional deve ser consumado pela habitação de
Deus, então é inerente à nova criação a abundância ilimitada de possibilidades
de Deus, e o ser humano glorificado é ilimitadamente livre em sua participação
na liberdade ilimitada de Deus. No Reino da glória poderemos aceitar tempo e
história, futuro e possibilidade, numa medida desimpedida e de maneira não mais
ambígua. Como toda realização de possibilidade por sistemas abertos cria
abertura para novas possibilidades, podemos imaginar o Reino da glória como a
abertura de todos os sistemas vivos finitos para a infinitude de Deus. Isso
inclui pensarmos o ser de Deus como a possibilitação transcendente de todas as
realidades possíveis.
A compreensão da criação como um estado original,
pronto e perfeito em si levou a ver em Gn 1,28 a verdadeira e essencial
determinação do ser humano. Isso resultou numa ênfase unilateral da posição
privilegiada do ser humano no cosmos que, com o impulso da técnica, resultou
hoje na crise ecológica mundial. A interação entre ser humano e natureza escapa
ao modelo de domínio e submissão. É necessário desenvolver um novo modelo “de
comunicação e cooperação” que revele que a natureza é uma relação de sistemas
vivos abertos com subjetividade própria.
Pela fé cristã, Cristo é o ‘verdadeiro ser humano’ e a
‘imagem de Deus’ na Terra. Ele não veio ‘para dominar, mas para servir’. Serviu
a fim de libertar para a comunhão com Deus e para a abertura entre os seres
humanos. Nessa perspectiva, Gn 1,28 deve ser interpretado de modo novo: não
‘dominai a terra’, mas ‘libertai a terra pela comunhão com ela’. A consequência
disso para o ethos da sociedade
humana é a reorientação da vontade de
potência para a solidariedade, de luta pela existência para a paz na
existência e de busca da felicidade para a comunidade.
O elemento mais importante para o posterior
desenvolvimento da civilização é a justiça social, não o crescimento do poder
econômico. A justiça social não pode ser alcançada sem justiça para o ambiente
natural e vice-versa. Solidariedade e comunidade são os valores que tornam
suportáveis o sofrimento inevitável e a renúncia necessária. A justiça é a
forma da interdependência autêntica entre ser humano e natureza e entre
sociedade e ambiente. Seu pressuposto é o reconhecimento da independência e da
subjetividade do outro sistema de vida. O projeto de uma teoria escatológica da
criação com auxílio da teoria de sistemas abertos e sua comunicação deve servir
a essa tarefa, sem cuja realização o ser humano e a natureza não têm chance de
sobrevivência.
Resumo de: MOLTMANN, Jürgen. Criação como sistema
aberto. In: ______. Ciência e sabedoria.
São Paulo: Loyola, 2007. p. 51-75, como atividade de PIBIC, bolsa da FAPEMIG,
realizado por Gonzalo Benavides Mesones.
terça-feira, 29 de julho de 2014
A Grande Transformação
Leonardo
Boff
Constatamos um fato singular: na medida em que crescem os danos à natureza que afetam mais e mais as sociedades e a qualidade de vida, cresce simultaneamente a consciência de que, na ordem de 90%, tais danos se tributam à atividade irresponsável e irracional dos seres humanos, mais especificamente, àquelas elites de poder econômico, político, cultural e mediático que se constituem em grandes corporações multilaterais e que assumiram por sua conta os rumos do mundo. Temos, com urgência, que fazer alguma coisa que interrompa este percurso para o precipício. Como adverte a Carta da Terra: "ou fazemos uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destruição e a da diversidade da vida” (Preâmbulo).
A
questão ecológica, especialmente após o Relatório do Clube de Roma em 1972 sob
o título "Os Limites do Crescimento”, tornou-se tema central da política,
das preocupações da comunidade científica mundial e dos grupos mais despertos e
preocupados pelo nosso futuro comum.
O
foco das questões se deslocou: do crescimento/desenvolvimento sustentável
(impossível dentro da economia de mercado livre) para a sustentação de toda a
vida. Primeiro há que se garantir a sustentabilidade do planeta Terra, de seus
ecossistemas, das condições naturais que possibilitam a continuidade da vida.
Somente garantidas estas pré-condições, se pode falar em sociedades
sustentáveis e em desenvolvimento sustentável ou de qualquer outra atividade
que queira se apresentar com este qualificativo.
A
visão dos astronautas reforçou a nova consciência. De suas naves espaciais ou
da Lua se deram conta de que Terra e a Humanidade formam uma única entidade.
Elas não estão separadas nem justapostas. A Humanidade é uma expressão da
Terra, a sua porção consciente, inteligente e responsável pela preservação das
condições da continuidade da vida. Em nome desta consciência e desta urgência,
surgiu o princípio responsabilidade (Hans Jonas), o princípio cuidado (Boff e
outros), o princípio sustentabilidade (Relatório Brundland), o princípio
interdependência, o princípio cooperação (Heisenberg/Wilson/Swimme/Morin/Capra)
e o princípio prevenção/precaução (Carta do Rio de Janeiro de 1992 da ONU),
oprincípio compaixão (Schoppenhauer/Dalai Lama) e o princípio Terra (Lovelock e
Evo Morales).
A
reflexão ecológica se complexificou. Não se pode reduzi-la apenas à preservação
do meio ambiente. A totalidade do sistema mundo está em jogo. Assim, surgiu uma
ecologia ambiental que tem como meta a qualidade de vida; uma ecologia social
que visa um modo sustentável de vida e uma sobriedade compartida (produção,
distribuição, consumo e tratamento dos dejetos); uma ecologia mental que se
propõe erradicar preconceitos e visões de mundo, hostis à vida e formular um
novo design civilizatório, à base de princípios e de valores para uma nova
forma de habitar a Casa Comum; e, por fim, uma ecologia integral que se dá
conta que a Terra é parte de um universo em evolução e que devemos viver em
harmonia com o Todo, uno, complexo e perpassado de energias que sustentam a
vitalidade da Terra e carregado de propósito.
Criou-se,
destarte uma grelha teórica, capaz de orientar o pensamento e as práticas
amigáveis à vida. Então, se torna evidente que a
ecologia mais que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços escassos
representa uma arte, uma nova forma de relacionamento com a vida, a natureza e
a Terra e a descoberta da missão do ser humano no processo cosmogênico e no
conjunto dos seres: cuidar e preservar.
Por
todas as partes do mundo, surgiram movimentos, instituições, organismos, ONGs,
centro de pesquisa, cada qual com sua singularidade: quem se preocupa com as
florestas, quem com os oceanos, quem com a preservação da biodiversidade, quem
com as espécies em extinção, quem com os ecossistemas tão diversos, quem com as
águas e os solos, quem com as sementes e a produção orgânica. Dentre todos
estes movimentos cabe enfatizar o Greenpeace pela persistência e coragem de
enfrentar, sob riscos, aqueles que ameaçam a vida e o equilíbrio da Mãe Terra.
A
própria ONU criou uma série de instituições que visam acompanhar o estado da
Terra. As principais são o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente), a FAO (Organização das Nações Unidas para a alimentação e a
agricultura), a OMS (Organização Mundial para a Saúde), a Convenção sobre a
Biodiversidade e especialmente o IPPC (Painel Intergovernamental para as
Mudanças Climáticas) entre outras tantas.
Esta
Grande Transformação da consciência opera uma complicada travessia, necessária
para fundar um novo paradigma, capaz de transformar a eventual tragédia
ecológico-social numa crise de passagem que nos permitirá um salto de qualidade
rumo a um patamar mais alto de relação amistosa, harmoniosa e cooperativa entre
Terra e Humanidade. Se não assumirmos esta tarefa o futuro comum estará
ameaçado.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Forum Temático "Religião, ecologia e cidadania planetária" (foto)
Nesta tarde encerramos a programação de duas tardes do Fórum Temático ""Religião, ecologia e cidadania planetária", durante o Congresso Internacional da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião), realizado na PUC Minas.
A programação foi postada neste blog. A reflexão foi diversificada, com contribuição da filosofia, da teologia e das ciências da religião. Textos completos serão publicados em breve no portal da SOTER.
A foto abaixo retrata o grupo que participou hoje.
A programação foi postada neste blog. A reflexão foi diversificada, com contribuição da filosofia, da teologia e das ciências da religião. Textos completos serão publicados em breve no portal da SOTER.
A foto abaixo retrata o grupo que participou hoje.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Forum temático "Religião, ecologia e cidadania"
Estamos no 27º Congresso Internacional da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião), que se realiza na PUC Minas.
Veja a programação do nosso Forum Temático "Religião, Ecologia e Cidadania Planetária"
Veja a programação do nosso Forum Temático "Religião, Ecologia e Cidadania Planetária"
Coordenadores: Prof. Dr. Afonso Murad – FAJE, MG; Prof. Dr.
Luis Carlos Susin – PUC-RS; Prof. Dr. José Carlos Aguiar de Souza – ISTA e PUC
Minas, Prof. Dr. Pedro A. Ribeiro de Oliveira – PUC Minas, MG
O FT visa dar continuidade ao trabalho realizado
desde 2011, priorizando questões teóricas e experiências relevantes na relação
entre Religião, ecologia e cidadania planetária. Serão aceitas comunicações que
(1) abordem problemas teóricos envolvidos no debate atual, (2) analisem
experiências de formação da consciência ecológica/planetária, (3) apresentem
dados de pesquisa empírica sobre o assunto, (4) reflitam sobre as imagens de
Deus e a espiritualidade que afloram de práticas em favor da sustentabilidade.
Os temas deverão favorecer a discussão sobre a contribuição da religião para a
cidadania planetária e o “bem viver”. As comunicações serão realizadas
juntamente com o seminário do grupo de pesquisa MODERNIDADE, RELIGIÃO E
ECOLOGIA. Tempo de cada exposição: 15 minutos, seguido de 5 minutos para
discussão.
Dia
16/07/2014
14:00 Ciência
moderna e racionalismo filosófico: o problema ecológico (Felipe L Correia Luz)
14:20 A
questão de um ethos mundial nos escritos de Leonardo Boff (Gabriel do nascimento Vieira)
14:40 Bioconsciência
e cidadania: coleta seletiva e seus desafios para o recolhimento dos resíduos sólidos gerados na unidade
escolar Funec-Oitís e famílias do entorno.
(Gilson Ramos Faria)
15:00 "A
guerra das águas" e a ecologia da paz: uma nova hermenêutica (José
Carlos A. Souza)
15:20 "Acaso
Deus se preocupa com os bois" (1Cor 9,9): os animais e teologia de
Santo Tomás de Aquino (Reginaldo José Horta)
15:40 - INTERVALO
16:00 Ética e
autenticidade na filosofia de Jean-Paul Sartre: pressupostos de uma religiosidade planetária, cidadã e
ecológica para o século XXI (Durval Baranowske)
16: 20 A
dimensão ecológica no semi-árido nordestino na visão de Padre Cícero (José Rocha C. Filho)
16:40 Síntese do dia.
Dia:
17/07/2014
14:00 Ecoteologia:
aproximação conceitual (Afonso Murad)
14:20 A
teologia da consciência cósmica em Máximo o confessor (Getúlio Bertelli)
14:40 A
religiosidade holística e o pensamento complexo (Maria C. P. Hernandez)
15:00 Espiritualidade
e consciência planetária (Josinaldo Dantas da Silva)
15:20 Espiritualidade
e preservação: uma conversão à beleza (Douglas J. Arão)
15:40 Intervalo
16:00 Seminários
evangélicos e educação ambiental (Angela Maringoli)
16:20
"Comei de tudo ... porque do senhor
é a terra e a plenitude": ecoteologia sob
a
perspectiva da alimentação (William K. de Oliveira)
16:40
Ética e espiritualidade biocêntricas: a
contribuição de L. Boff (Luis Eduardo Pinto)
17:00 Síntese do FT e prospectivas.
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