domingo, 7 de outubro de 2018

Francisco de Assis e o Cuidado da Casa Comum


Francisco de Assis é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.


O testemunho de São Francisco mostra-nos também que uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano. Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra, a reação de Francisco, sempre que olhava o sol, a lua ou os minúsculos animais, era cantar, envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas. Entrava em comunicação com toda a criação, chegando mesmo a pregar às flores «convidando-as a louvar o Senhor, como se gozassem do dom da razão».

Para ele, qualquer criatura era uma irmã, unida a ele por laços de carinho. Por isso, sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe. São Boaventura, seu discípulo, contava que ele, «enchendo-se da maior ternura ao considerar a origem comum de todas as coisas, dava a todas as criaturas – por mais desprezíveis que parecessem – o doce nome de irmãos e irmãs». Esta convicção não pode ser desvalorizada pois influi nas opções que determinam o nosso comportamento. 

Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos. Pelo contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio.

São Francisco, fiel à Sagrada Escritura, propõe-nos reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade: «Na grandeza e na beleza das criaturas, contempla-se, por analogia, o seu Criador» (Sab 13, 5) e «o que é invisível n’Ele – o seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1, 20). Por isso, Francisco pedia que, no convento, se deixasse sempre uma parte do horto por cultivar para aí crescerem as ervas silvestres, a fim de que, quem as admirasse, pudesse elevar o seu pensamento a Deus, autor de tanta beleza.

O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor. (Papa Francisco, Laudato Si 10-12)

domingo, 2 de setembro de 2018

Conversatorio El Clamor de la Tierra (foto)

Foto: Conversatorio "El clamor de la tierra y una Ecología Integral" - 2º dia

Que podemos hacer por nuestro Planeta?

Esquema utilizado en el Conversatorio "El clamor de la tierra y una Ecologia integral".
III Congresso Continental de Teología - El Salvador



¿Qué podemos hacer por nuestro planeta? Algunas prácticas
Afonso Murad – ecologiaefe.blogspot.com

Conocer las experiencias existentes -> aprender con ellas -> implantar -> compartir -> trabajar juntos-> perfeccionar -> divulgar

1. En la Iglesia
ü  Incorporar la cuestión ecológica en la catequesis, en la Crisma, en los grupos de jóvenes (los 5 sentidos + reflexión)
ü  Grupos de reflexión y círculos bíblicos sobre Laudato Si
ü  Vía Crucis ecológico-social
ü  Promover los Encuentros y Retiros con la mínima producción de basura
ü  Iniciar grupos de Pastoral de la Ecología, a partir de una lucha concreta en la comunidad
ü  Elaborar y divulgar cantos religiosos desde perspectiva ecológica
ü  Rezar los Salmos: unidad de creación y salvación / salvación
ü  Hacer celebraciones y oraciones comunitarias en contacto con la naturaleza (sol, árboles, tierra, agua)

Implantar la gestión ambiental en instituciones católicas
Analizar los impactos ambientales -> Estudiar cómo reducir estos impactos -> Trazar un plan de implantación de cambios -> Realizar reformas y construcciones con ecodesign -> Reforestación con plantas de nuestro bioma y árboles frutales -> Divulgar, para estimular la práctica en otras personas e instituciones

Campañas
Visita a parque y área de conservación; Plantar árboles; Acción coletiva de limpieza; Caminata ecológica; Feria de la economía solidaria; Paseo ciclístico; Colectar agua de lluvia; Compostaje y huerta casera; Consumo consciente; Reducción de agua y energía; Feria de intercambios

Procesos
Recolección y transformación de aceite de cocina; Destinación de residuos reciclables para la asociación de recogedores; Recolección de pilas y baterías; Taller de reutilización de productos; Huerto colectivo

2. Iniciativas en comunidades rurales con otros grupos e instituciones
ü  Estimular la práctica de agroecología, agricultura orgánica y proyectos agropastoril
ü  Banco de semillas nativas
ü  Asociaciones de Economía solidaria (plantar, cosechar, distribuir, vender, invertir)
ü  Organización de comunidades para enfrentar la minería
ü  Lucha para garantizar la posesión de tierras de comunidades indígenas y afrodescendientes
ü  Ocupación de tierras improductivas y posterior implantación de agroecología
ü  Lucha para mejorar la calidad de vida de los trabajadores en empresas de agronegocio
ü  Lucha para crear y mantener Unidades de Conservación (áreas de preservación permanente)
ü  Organización de comunidades rurales para proteger los manantiales
ü  Cisternas y quintal productivo en regiones semiáridas (recolección de agua de lluvia)

3. Comunidades urbanas y suburbanas
ü  Luchas para mejorar la calidad del transporte público urbano
ü  Implantación de calzadas para peatones.
ü  Reivindicación para el acceso al agua en las periferias
ü  Política pública para la depuradora de aguas residuales
ü  Separación de los residuos sólidos (basura) -> asociación de colectores de material para reciclaje
ü  Apoyo a los grupos de Economía solidaria (artesanía, producción de alimentos, servicios de cocina, limpieza ...)
ü  Ocupación de espacios públicos (parques, jardines)

4. Iniciativas transversales (urbanas y rurales)
ü  REPAM para la Amazonia
ü  Articulación "Iglesias y minería"
ü  Asociación de artesanía y arte popular
ü  Ecoturismo sostenible desde las comunidades locales
ü  Descubrir, utilizar y divulgar en Internet las tecnologías alternativas.
ü  Avanzar en la implantación de políticas públicas; y legislación social y ambiental (trabajar con los políticos)

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Conversatorio El clamor de la Tierra

Foto: Conversatorio "El clamor de la tierra y una ecologia integral.
III Congreso Continental de Teologia - El Salvador

terça-feira, 29 de maio de 2018

Dia mundial do Meio ambiente 2018

Com o tema “#AcabeComAPoluiçãoPlástica”, o dia do meio ambiente de 2018 convoca governos, empresas, igrejas, comunidades e indivíduos a reduzir a produção e o consumo excessivo de produtos plásticos descartáveis, que contaminam nossos oceanos, prejudicam a vida marinha e afetam a saúde humana.

Ao longo da última década, a humanidade produziu mais plástico do que em todo o século passado. Por ano, são consumidas entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas em todo o planeta e, a cada minuto, são compradas 1 milhão de garrafas plásticas. Metade do plástico consumido pelos humanos é de uso único e, anualmente, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos — é como se a cada minuto despejássemos nos mares a carga inteira de um caminhão de lixo plástico. O material representa atualmente 10% de todos os resíduos gerados pelo homem.
“Trata-se de uma emergência global que afeta todos os aspectos de nossas vidas. Está na água que bebemos e na comida que comemos”. Está destruindo nossas praias e oceanos, afirmou o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim.

A Índia sediará as celebrações globais do Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado em 5 de junho. “A filosofia e o estilo de vida da Índia estão há muito tempo fundamentados no conceito de coexistência com a natureza. Estamos comprometidos em fazer do planeta Terra um lugar mais limpo e mais verde”, afirmou o ministro do Meio Ambiente indiano, Harsh Vardhan. O dirigente defendeu que cada cidadão de cada país se empenhe para praticar pelo menos uma “boa ação ecológica” por dia.
O Governo da Índia irá liderar as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente com uma série de atividades para engajar o público, como mutirões de limpeza em áreas públicas, reservas nacionais, florestas e praias. A Índia já tem uma das mais altas taxas de reciclagem do mundo e o objetivo dos eventos é despertar o interesse e a mobilização da população. Com isso, a nação asiática busca dar exemplos para todo o mundo de como acabar com a poluição plástica.

Na América Latina e no Caribe, a capital regional para as celebrações será o Peru, um dos primeiros países a participar da campanha #MaresLimpos da ONU Meio Ambiente, que busca reduzir drasticamente a poluição plástica nos oceanos.

No Brasil, a superação da poluição plástica vem avançando, apesar de correntes contrárias. Campanhas para o consumo consciente de sacolas plásticas, a assinatura do Acordo Setorial de Logística Reversa de Embalagens e o processo de elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, por exemplo, criam o ambiente institucional necessário para avançar nesta questão fundamental com a sociedade brasileira.

Desde que foi instituído em 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente tornou-se uma plataforma global para a conscientização pública sobre questões ambientais. A data é mais uma oportunidade para aumentar nossa consciência sobre o Cuidado da Casa Comum.
Adaptado de: https://nacoesunidas.org/india-sediara-celebracoes-do-dia-mundial-do-meio-ambiente-em-2018/

sexta-feira, 23 de março de 2018

Ecologia e Fé: Declaração final do Fórum Alternativo Mundial das ...

Ecologia e Fé: Declaração final do Fórum Alternativo Mundial das ..

Declaração final do Fórum Alternativo Mundial das Águas


Quem somos
Nós, construtores e construtoras do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), reunidos de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília, declaramos para toda a sociedade o que acumulamos após muitos debates, intercâmbios, sessões culturais e depoimentos ao longo de vários meses de preparação e nestes últimos dias aqui reunidos. Somos mais de 7 mil trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, das águas e das florestas, representantes de povos originários e comunidades tradicionais, articulados em 450 organizações nacionais e internacionais de todos os continentes. Somos movimentos populares, tradições religiosas e espiritualidades, organizações não governamentais, universidades, pesquisadores, ambientalistas, organizados em grupos, coletivos, redes, frentes, comitês, fóruns, institutos, articulações, sindicatos e conselhos.

Na grandeza dos povos, trocamos experiências de conhecimento, resistência e de luta. E estamos conscientes que a nossa produção é para garantir a vida e sua diversidade. Estamos aqui criando unidade e força popular para refletir e lutar juntos e juntas pela água e pela vida nas suas variadas dimensões. O que nos faz comum na relação com a natureza é garantir a vida. A nossa luta é a garantia da vida. É isso que nos diferencia dos projetos e das relações do capital expressos no Fórum das Corporações – Fórum Mundial da Água. Também estamos aqui para denunciar a 8º edição do Fórum Mundial da Água (FMA), o Fórum das Corporações, evento organizado pelo chamado Conselho Mundial da Água, como um espaço de captura e roubo das nossas águas.
O Fórum e o Conselho são vinculados às grandes corporações transnacionais e buscam atender exclusivamente a seus interesses, em detrimento dos povos e da natureza.

Nossas constatações sobre o momento histórico
O modo de produção capitalista, historicamente, concentra e centraliza riqueza e poder, a partir da ampliação de suas formas de acumulação, intensificação de seus mecanismos de exploração do trabalho e aprofundamento de seu domínio sobre a natureza, gerando a destruição dos modos de vida. Vivemos em um período de crise do capitalismo e de seu modelo político representado pela ideologia neoliberal, na qual se busca intensificar a transformação dos bens comuns em mercadoria, através de processos de privatização, precificação e financerização.

A persistência desse modelo tem aprofundado as desigualdades e a destruição da natureza, através dos planos de salvamento do capital nos momentos de aprofundamento da crise. Nesse cenário, as ações do capital são orientadas pela manutenção a qualquer custo das suas taxas de juros, lucro e renda. Esse modelo impõe à América Latina e ao Caribe o papel de produtores de artigos primários e fornecedores de matéria prima, atividades econômicas intensivas em bens naturais e força de trabalho. Subordina a economia desses países a um papel dependente na economia mundial, sendo alvos prioritários dessa estratégia de ampliação da exploração a qualquer custo. O Brasil, que sedia esta edição do FAMA, é exemplar nesse sentido.

O golpe aplicado recentemente expõe a ação coordenada de corporações com setores do parlamento, da mídia e do judiciário para romper a ordem democrática e submeter o governo nacional a uma agenda que atenda seus interesses rapidamente. A mais dura medida orçamentária do mundo foi implantada em nosso país, onde o orçamento público está congelado por 20 anos, garantindo a drenagem de recursos públicos para o sistema financeiro e criando as bases para uma onda privatizante, incluindo aí a infraestrutura de armazenamento, distribuição e saneamento da água. Quais são as estratégias das corporações para a água? Identificamos que o objetivo das corporações é exercer o controle privado da água através da privatização, mercantilização e de sua titularização, tornando-a fonte de acumulação em escala mundial, gerando lucros para as transnacionais e ao sistema financeiro. Para isso, estão em curso diversas estratégias que vão desde o uso da violência direta até formas de captura corporativa de governos, parlamentos, judiciários, agências reguladoras e demais estruturas jurídico-institucionais para atuação em favor dos interesses do capital.

Há também uma ofensiva ideológica articulada junto aos meios de comunicação, educação e propaganda que buscam criar hegemonia na sociedade contrária aos bens comuns e a favor de sua transformação em mercadoria. O resultado desejado pelas corporações é a invasão, apropriação e o controle político e econômico dos territórios, das nascentes, rios e reservatórios, para atender os interesses do agronegócio, hidronegócio, indústria extrativa, mineração, especulação imobiliária e geração de energia hidroelétrica. O mercado de bebida e outros setores querem o controle dos aquíferos.

As corporações querem também o controle de toda a indústria deabastecimento de água e esgotamento sanitário para impor seu modelo de mercado e gerar lucros ao sistema financeiro, transformando direito historicamente conquistado pelo povo em mercadoria. Querem ainda se apropriar de todos os mananciais do Brasil, América Latina e dos demais continentes para gerar valor e transferir riquezas de nossos territórios ao sistema financeiro, viabilizando o mercado mundial da água Denunciamos as transnacionais Nestlé, Coca-Cola, Ambev, Suez, Veolia, Brookfield (BRK Ambiental), Dow AgroSciences, Monsanto, Bayer, Yara, os organismos financeiros multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, e ONGs ambientalistas de mercado, como The Nature Conservancy e Conservation International, entre outras que expressam o caráter do “Fórum das Corporações”. Denunciamos o crime cometido pela Samarco, Vale e BHP Billiton, que contaminou com sua lama tóxica o Rio Doce, assassinando uma bacia hidrográfica inteira, matando inúmeras pessoas, e até hoje seu crime segue impune.

Denunciamos o recente crime praticado pela norueguesa Hydro Alunorte que despejou milhares de toneladas de resíduos da mineração através de canais clandestinos no coração da Amazônia e o assassinato do líder comunitário Sergio Almeida Nascimento que denunciava seus crimes. Exemplos como esses têm se reproduzido por todo o mundo. Os povos têm sido as vítimas desse avanço do projeto das corporações. As mulheres, povos originários, povos e comunidades tradicionais, populações negras, migrantes e refugiados, agricultores familiares e camponeses e as comunidades periféricas urbanas têm sofrido diretamente os ataques do capital e as consequências sociais, ambientais e culturais de sua ação. Nos territórios e locais onde houve e/ou existem planos de privatização, aprofundam-se as desigualdades, o racismo, a violência sexual e sobrecarga de trabalho para as mulheres, a criminalização, assassinatos, ameaças e perseguição a lideranças, demissões em massa, precarização do trabalho, retirada e violação de direitos, redução salarial, aumento da exploração, brutal restrição do acesso à água e serviços públicos, redução na qualidade dos serviços prestados à população, ausência de controle social, aumentos abusivos nas tarifas, corrupção, desmatamento, contaminação e envenenamento das águas, destruição das nascentes e rios e ataques violentos aos povos e seus territórios, em especial às populações que resistem às regras impostas pelo capital.

A dinâmica de acumulação capitalista se entrelaça com o sistema hetero-patriarcal, racista e colonial, controlando o trabalho das mulheres e ocultando intencionalmente seu papel nas esferas de reprodução e produção. Nesse momento de ofensiva conservadora, há o aprofundamento da divisão sexual do trabalho e do racismo, causando o aumento da pobreza e da precarização da vida das mulheres. A violência contra as mulheres é uma ferramenta de controle sobre nossos corpos, nosso trabalho e nossa autonomia. Essa violência se intensifica com o avanço do capital, refletindo-se no aumento de assassinato de mulheres, da prostituição e da violência sexual. Tudo isso impossibilita as mulheres de viver com dignidade e prazer. Para as diversas religiões e espiritualidades, todas essas injustiças em relação às águas e seus territórios, caracterizam uma dessacralização da água recebida como um dom vital, e dificultam as relações com o Transcendente como horizonte maior das nossas existências.

Destacamos que para os Povos Originários e Comunidades Tradicionais há uma relação interdependente com as águas, e tudo que as atinge, e que todos os ataques criminosos que sofre, repercutem diretamente na existência desses povos em seus corpos e mentes. Esses povos se afirmam como água, pois existe uma profunda unidade entre eles e os rios, os lagos, lagoas, nascentes, mananciais, aquíferos, poços, veredas, lençóis freáticos, igarapés, estuários, mares e oceanos como entidade única. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada. Por fim, constatamos que a entrega de nossas riquezas e bens comuns conduz a destruição da soberania e a autodeterminação dos povos, assim como a perda dos seus territórios e modos de vida.

Mas nós afirmamos: resistimos e venceremos!
Nossa resistência e luta é legítima. Somos os guardiões e guardiãs das águas e defensores da vida. Somos um povo que resiste e nossa luta vencerá todas as estruturas que dominam, oprimem e exploram nossos povos, corpos e territórios. Somos como água, alegres, transparentes e em movimento. Somos povos da água e a água dos povos. Nestes dias de convívio coletivo, identificamos uma extraordinária diversidade de práticas sociais, com enorme riqueza de culturas, conhecimento e formas de resistência e de luta pela vida. Ninguém se renderá. Os povos das águas, das florestas e do campo resistem e não se renderão ao capital. Assim também tem sido a luta dos povos, dos operários e de todos os trabalhadores e trabalhadoras das cidades que demonstram cada vez maior força.

Temos a convicção que só a luta conjunta dos povos poderá derrotar todas as estruturas injustas desta sociedade. Identificamos que a resistência e a luta têm se realizado em todos os locais e territórios do Brasil e do mundo e estamos convencidos que nossa força deve caminhar e unir-se a grandes lutas nacionais e internacionais. A luta dos povos em defesa das águas é mundial. Água é vida, é saúde, é alimento, é território, é direito humano, é um bem comum sagrado.

O que propomos
Reafirmamos que as diversas lutas em defesas das águas dizem em alto e bom som que água não é e nem pode ser mercadoria. Não é recurso a ser apropriado, explorado e destruído para bom rendimento dos negócios. Água é um bem comum e deve ser preservada e gerida pelos povos para as necessidades da vida, garantindo sua reprodução e perpetuação. Por isso, nosso projeto para as águas tem na democracia um pilar fundamental. É só por meio de processos verdadeiramente democráticos, que superem a manipulação da mídia e do dinheiro, que os povos podem construir o poder popular, o controle social e o cuidado sobre as águas, afirmando seus saberes, tradições e culturas em oposição ao projeto autoritário, egoísta e destrutivo do capital. Somos radicalmente contrários às diversas estratégias presentes e futuras de apropriação privada sobre a água, e defendemos o caráter público, comunitário e popular dos sistemas urbanos de gestão e cuidado da água e do saneamento. Por isso saudamos e estimulamos os processos de reestatização de companhias de água e esgoto e outras formas de gestão.

Seguiremos denunciando as tentativas de privatização e abertura de Capital, a exemplo do que ocorre no Brasil, onde 18 estados manifestaram interesse na privatização de suas companhias. Defendemos o trabalho decente, assentado em relações de trabalho democráticas, protegidas e livre de toda forma de precarização. Também é fundamental a garantia do acesso democrático e sustentável à água junto à implementação da reforma agrária e defesa dos territórios, com garantia de produção de alimentos em bases agroecológicas, respeitando as práticas tradicionais e buscando atender a soberania alimentar dos trabalhadores e trabalhadoras urbanos e do campo, florestas e águas.

Estamos comprometidos com a superação do patriarcado e da divisão sexual do trabalho, pelo reconhecimento de que o trabalho doméstico e de cuidados está na base da sustentabilidade da vida. O combate ao racismo também nos une na luta pelo reconhecimento, titulação e demarcação dos territórios dos povos originários e comunidades tradicionais e na reparação ao povo negro e indígena que vive marginalizado nas periferias dos centros urbanos. Nosso projeto é orientado pela justiça e pela solidariedade, não pelo lucro. Nele ninguém passará sede ou fome, e todos e todas terão acesso à água de qualidade, regular e suficiente bem como aos serviços públicos de saneamento.

Nosso plano de ações e lutas
A profundidade de nossas debates e elaborações coletivas, o sucesso da nossa mobilização, a diversidade do nosso povo e a amplitude dos desafios que precisam ser combatidos nos impulsionam a continuar o enfrentamento ao sistema capitalista, patriarcal, racista e colonial, tendo como referência a construção da aliança e da unidade entre toda a diversidade presente no FAMA 2018. Trabalharemos, através de nossas formas de luta e organização para ampliar a força dos povos no combate à apropriação e destruição das águas. A intensificação e qualificação do trabalho de base junto ao povo, a ação e a formação política para construir uma concepção crítica da realidade serão nossos instrumentos. O povo deve assumir o comando da luta. Apostamos no protagonismo e na criação heroica dos povos.

Vamos praticar nosso apoio e solidariedade internacional a todos os processos de lutas dos povos em defesa da água denunciam a arquitetura da impunidade, que, por meio dos regimes de livre-comércio e investimentos, concede privilégios às corporações transnacionais e facilitam seus crimes corporativos. Multiplicaremos as experiências compartilhadas no Tribunal Popular das Mulheres, para a promoção da justiça popular, visibilizando as denúncias dos crimes contra a nossa soberania, os corpos, os bens comuns e a vida das mulheres do campo, das florestas, águas e cidades. A água é dom que a humanidade recebeu gratuitamente, é direito de todas as criaturas e bem comum. Por isso, nos comprometemos a unir mística e política, fé e profecia em suas práticas religiosas, lutando contra os projetos de privatização, mercantilização e contaminação das águas que ferem a sua dimensão sagrada.

O Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) apoia, se solidariza e estimulará todos os processos de articulação e de lutas dos povos no Brasil e no mundo, tais como a construção do “Congresso do Povo”, do “Acampamento Terra Livre”, da “Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos”, da “Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo”; da campanha internacional para desmantelar o poder corporativo e pelo “tratado vinculante” como ferramenta para exigir justiça, verdade e reparação frente aos crimes das transnacionais. Convocamos todos os povos a lutar juntos para defender a água. A água não é mercadoria. A água é do povo e pelos povos deve ser controlada. É tempo de esperança e de luta. Só a luta nos fará vencer. Triunfaremos!

Assinam a declaração: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil Articulação Semiárido Brasileiro Associação Brasileira de Saúde Coletiva Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento Cáritas Brasil Central de Movimentos Populares Conselho Nacional das Populações Extrativistas Confederação Nacional dos Urbanitários Confederação Nacional das Associações de Moradores Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Comissão Pastoral da Terra Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas Central Única dos Trabalhadores Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental Federação Nacional dos Urbanitários Federação Única dos Petroleiros Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental Internacional de Serviços Públicos Marcha Mundial das Mulheres Movimento dos Atingidos por Barragens Movimento dos Pequenos Agricultores Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Movimento dos Trabalhadores Sem Teto ONG Proscience Rede Mulher e Mídia Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental Vigência.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ecoteologia y mineria

En este diálogo, el teólogo brasileño Afonso Murad, revela la conexión de la minería con la teología y cómo, a partir de los desafíos concretos de la minería, podemos hacer lectura de la fe cristiana. Esa es la cuestión central de la Ecoteología. La entrevista la realizó el misionero comboniano Dário Bossi, de la Red Iglesias y Minería:

Seguramente muchos se preguntarán ¿qué conexión puede existir entre la Teología y la Minería?, y también ¿de qué manera la Ecoteología puede ser útil a las comunidades que resisten y a las iglesias que se oponen al impacto de la minería?
La minería es un sector dentro de la cadena productiva de economía del mercado, donde la gente percibe un mayor impacto directo sobre el ambiente. La destrucción de las fuentes de agua, la destrucción de los bosques, un impacto sobre el agua y toda la biodiversidad, entonces, claro que eso tiene que ver muy de cerca con la teología.
Segundo, percibimos como la minería es un fenómeno de destrucción, aniquilamiento de las comunidades que están en sus territorios que ahora son ocupados por las empresas mineras. Entonces, son grandes exigencias para los cristianos en defensa de los pobres, de las comunidades tradicionales: quilombolas, indígenas, comunidades ribereñas. Esto nos toca de cerca, de alguna manera nos convoca a estar al lado y junto a los débiles. En ese sentido, diría que la minería da muchas cosas a la teología porque trae elementos nuevos, fuertes y nosotros aquí estamos, queriendo hacer ese largo camino de lectura de la fe cristiana a partir de esos desafíos específicos que nos plantea la actividad minera.

¿Cómo define usted a la Ecoteología?
La teología es una reflexión crítica, sistemática, elaborada sobre la fe cristiana o sobre cualquier tema significativo, a luz de la fe cristiana. Desde ese punto de partida, la Ecoteología es una teología que se hace en el horizonte de la ecología -no es que ella trata solo de ecología-, Sino que lo hace desde la convicción que nosotros, seres humanos, formamos parte de la Casa Común, del planeta tierra. Esta Casa Común que la habitamos con otros seres abióticos como el agua, el aire, la energía, el sol, y todos los otros seres vivos desde las plantitas hasta los grandes árboles, desde los insectos hasta los mamíferos. Nosotros somos parte de esa tierra, de esa Casa Común. Por lo tanto, nosotros somos responsables para que ella continúe habitable, esa es la gran realidad que nos impulsa a hacer una Ecoteología. O sea, cómo comprender la llamada doctrina cristiana, la Revelación, cómo vivir la fe cristiana dentro de ese horizonte. Y, también, Cómo contribuir para tornar nuestro planeta más habitable y más guiado principalmente por los más pobres.

¿Qué espera usted de la Red Iglesias y Minería, en un contexto en que las empresas se están acercando también a las iglesias y, por otro lado, las comunidades están pidiendo apoyo? En un futuro, cuáles son los pasos que la red puede realizar
Una primera cosa para mí como teólogo, participar de la red es un aprendizaje constante. Yo nací en una región donde oía como pasaba el tren llevando mineral de hierro todos los días. Pero, yo nunca me di cuenta de lo que éso significaba para el medio ambiente, y para las poblaciones afectadas.
Sucede qué la minería es una dimensión invisible de la explotación. Quienes vivimos en las ciudades desconocemos los problemas que genera la minería; la minería de hierro, de oro, de los metales radioactivos, eso nos toca muy poco. Nosotros consumimos materiales relacionados a los metales y no sabemos de dónde vienen ni qué impactos causan. Entonces, yo pienso que el tema de la minería es muy importante para la Ecoteología y para las Iglesias.
En referencia a la importancia de las redes: Trabajar en red es fundamental, exactamente porque nosotros somos débiles. El poder económico de las grandes mineras que hacen una alianza perversa con el poder político, nos convoca a juntarnos. Y ahí pienso también que la Red Iglesias y Minería, efectivamente tiene que ser más ecuménica, de “iglesias”. Reunir, por ejemplo, a las pequeñas iglesias evangélicas, que son minoría, pero que están comprometidas con la cuestión social para así tener más fuerza. Ese tipo de red son efectivas porque divulgan información, muestran las luchas exitosas, ayudan a madurar la metodología y a responder esa pregunta vital que es: ¿cuáles son las estrategias exitosas de nuestros aliados -y de nosotros también- y cuáles son las estrategias que nuestros opositores utilizan. Si no trabajamos en red, muy poco podemos avanzar.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Tecnologia e violência (Aspectos históricos)

Eduardo Hoonaert
Muitos de nós pensam que a tecnologia é ‘neutra’ e não tem nada a ver com violência. Mas quem estuda a história pensa diferente. Basta contemplar a história do Brasil, de Cuba, do sul dos Estados Unidos e de Colômbia, para verificar como a simples tecnologia de transformar cana de açúcar em tabletes de rapadura (açúcar não refinado) está na origem do tráfico negreiro e das misérias da escravidão, que perduram até hoje.
Como o tema é pouco conhecido e de grande importância, a presente contribuição na série ‘violência’ será um pouco mais comprida que as anteriores e vai se desdobrar em dois textos. Vou me concentrar numa história concreta: a história da produção tecnológica de tecidos a partir de algodão. Isso pelo seguinte motivo: três anos atrás, o escritor americano Sven Beckert publicou um livro impressionante, que demonstra como a tecnologia do algodão mudou, nos últimos séculos, a face do mundo. O título do livro é Empire of Cotton (Vintage Books, New York, 2015) e mostra como o ‘império inglês’, na realidade, é o ‘império do algodão’. Pelo que me consta, o livro não foi traduzido ao português. Nele se pode ler, a partir do exemplo da tecnologia do algodão, como se deu o surgimento e o crescimento do capitalismo industrial, a lógica da agricultura industrial e das multinacionais de alimentos etc.
Ao longo de milhares de anos, os povos cultivam seu algodão em equilíbrio com as lavouras de alimentos. Há um equilíbrio. Como se entende então que, a partir do final do século XVIII, depois de muitos milhares de anos de crescimento econômico lento em toda a humanidade, algumas partes dessa humanidade repentinamente se tornam muito ricas, enquanto outras mergulham na pobreza? Eis o que a história do algodão industrial mostra, pois ela marca o início da Revolução Industrial. Embora, na atualidade, a indústria de algodão tenha sido ultrapassada por outras indústrias, o produto continua a ser importante para o emprego e o comércio mundiais. A produção mundial, em 2013, foi de 123 milhões de fardos, cada um com cerca de 180 quilos, suficientes para 20 camisetas por pessoa.
Estima-se que, já em 1621, a Companhia das Índias Orientais – criada pelos ingleses em 1600 – importou cerca de 50 mil peças de produtos de algodão para a Grã-Bretanha. No entanto, esse comércio era marginal em comparação com o que os comerciantes do Oriente Médio e da Índia negociavam. Esses últimos detinham, durante séculos, o comércio internacional nas mãos, ou seja, ‘vestiam a humanidade’. Mas, a partir do momento em que os ingleses começaram a ‘dominar as águas’ (‘rule the waves’), ou seja, possuíam as frotas marítimas mais poderosas do mundo, as coisas mudaram.  A tese do livro acima citado consiste em mostrar que, concomitantemente com a presença sempre mais forte do Império Britânico em todo o planeta, se deu o primeiro processamento de algodão na Inglaterra, exatamente em 1784.
Em 1784, a cidade inglesa de Liverpool se tornou um rico porto de tráfico de escravos e é com base nessa riqueza negreira que a emergente indústria de algodão pôde florescer. Um membro de alguma família negreira bem situada, Samuel Greg, reuniu em 1784, numa pequena fábrica às margens do Rio Bollin, algumas máquinas de fiação ultramodernas (conhecidas como water frame), movidas a água (ainda não a vapor). Um grupo de órfãos e trabalhadores domésticos de aldeias da região começou a trabalhar com um estoque de algodão proveniente do Caribe. Toda novidade de Greg consistia no fato que ele não utilizava mais a força do músculo humano, mas a queda d’água. Embora modesta, sua fábrica era algo novo, que ia mudar os destinos do mundo. Pela primeira vez na história humana, a produção de fios era feita por máquinas não impulsionadas por mãos humanas.
A fábrica de Greg provocou mudanças que ele mesmo nunca imaginou. A matéria-prima que ele precisava para as suas máquinas era fornecida por comerciantes de Liverpool, os quais a haviam comprado de navios provenientes da Jamaica e do Brasil. Greg passou a expulsar fiadores e tecelões indianos que até então dominavam a produção, tanto no mercado doméstico quanto no internacional. Além disso, ele lutou para que grande parte de sua produção deixasse o Reino Unido e sustentasse o comércio de escravos na Costa Oeste da África, além de vestir seus próprios escravos em Santo Domingos, no Caribe.
Mais, ele começou a atender usuários na Europa Continental, fora da Inglaterra. Assim se formou uma vasta rede internacional. Partindo de Liverpool, os comerciantes britânicos dominavam os mares e formavam as redes comerciais. Desse modo se formou um triângulo de consequências positivas para uns, nefastas para outros. Eis os pontos do triângulo:
a. a Inglaterra (Liverpool) que, naquela época, controlava os mares com sua frota comercial e militar;
b. a África Ocidental, onde os ingleses trocavam seus tecidos por escravos;
c. a América, que comprava escravos em troca de fardos de algodão cru cultivados por escravos da África.
Era a repetição do triângulo feito em torno da produção de açúcar no Brasil, no Caribe e na América do Norte, mas desta vez com repercussões mundiais. Os fardos de algodão eram usados como carga de retorno a Liverpool ou Manchester, onde os tecidos eram fabricados. Desse modo, a carga dos navios estava sempre assegurada. As máquinas maravilhosas de Greg, impulsionadas pela força da água (e, mais tarde, por vapor), impulsionavam outra inovação de grande importância: passaram a ser operadas por assalariados e se tornaram fonte de riqueza por causa da grande acumulação de capital. Isso criou um novo tipo de Estado, impulsionador do ‘progresso’, ou seja, criado como principal pilar do novo império do algodão. A partir desse embrião local nas redondezas de Liverpool, a Inglaterra acabaria por dominar uma economia global amplamente ramificada e por se apropriar de uma das principais indústrias da humanidade.  A Inglaterra passou a ‘vestir a humanidade’ e estendeu suas asas por todo o globo. Eis como nasceu o mundo como a conhecemos hoje.
Sob pressão do império do algodão inglês, os agricultores na Ásia e na África foram forçados a entrar na monocultura do algodão, o que resultou, às vezes, em grande escassez de alimentos. Morreram milhões de pessoas em 1877 e, novamente, na década de 1890, tanto na Índia como no Nordeste do Brasil. A especialização em algodão – com seus preços voláteis – dominava o universo do dinheiro. Estamos diante de uma evolução violenta, que causa a morte de milhões de pessoas, enquanto beneficia a poucos ricos.

Outro mundo é possível? Outro modelo de tecnologia que não seja violenta e não cause morte e pobreza para muitos, enquanto produz riqueza para poucos? Existe tecnologia não violenta? Gandhi tentou, outros ainda tentam, até hoje. Num próximo texto, prossigo contando essa história de imbricação entre tecnologia e violência.