quarta-feira, 22 de abril de 2009

Espiritualidade Ecológica: Teilhard de Chardin(1)

Leia e saboreie estas belas citaçóes de Teilhard de Chardin.

(1) A missa sobre o mundo
Não tenho nem pão nem vinho nem altar, eu me elevarei acima dos símbolos até vós e vos oferecerei sobre o altar da Terra inteira, o trabalho e a fadiga do Mundo. O meu cálice e a minha patena são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas as forças que, num instante, vão se elevar de todos os pontos do Globo e convergir para o Espírito.
Vós me destes, meu Deus, uma simpatia irresistível por tudo aquilo que se move na matéria obscura.
Subirei, esta manhã, carregado com as esperanças e as misérias de minha mãe Terra e invocarei o Fogo (p.19-21)

O fogo acima do mundo
No princípio havia o Verbo soberanamente capaz de sujeitar e de modelar toda Matéria que nascia. No princípio não havia frio e trevas; havia o Fogo (..) É a luz preexistente que, paciente e infalivelmente, elimina nossas sombras. Nós, criaturas, somos, por nós mesmos, a Sombra e o Vazio. E vós (..) Espírito ardente, Fogo fundamental e pessoal (p.22).
O fogo no mundo
Aconteceu. O Fogo, mais uma vez, penetrou a Terra. Não caiu ruidosamente sobre os cimos, como o raio em seu esplendor. O Senhor forçaria as portas para entrar em sua própria casa? Sem tremor, sem trovão, a chama iluminou tudo por dentro. Desde o coração de menor átomo até a energia das leis mais universais. Naturalmente invadiu, individualmente e em seu conjunto, cada elemento, cada força, cada ligação do nosso Cosmo. E este, espontaneamente, (..) se inflamou.
Toda a matéria doravante está encarnada, meu Deus, pela vossa Encarnação.
O universo, como a Carne, nos atrai pelo encanto que flutua no mistério de suas dobras (..) Como a carne, ele se decompõe e nos escapa sob o trabalho de nossas análises, de nossas perdas, de sua própria duração.
Deus me concedeu a percepção, que eu entrevia no pensamento e no coração, que as criaturas são solidárias entre si, e que elas estão suspensas num mesmo centro real, que uma verdadeira Vida, suportada em comum, definitivamente lhes dê sua consistência e sua união.
Eu vos agradeço, meu Deus, por ter, de mil modos, conduzido o meu olhar, até fazê-lo descobrir a imensa simplicidade das coisas!. Neste momento, vou saborear a forte e calma embriaguês de uma visão da qual não consigo esgotar a coerência e as harmonias (..) Como o monista, eu mergulho na Unidade total. Mas a Unidade que me acolhe é tão perfeita que nela sei encontrar, perdendo-me, a realização última de minha individualidade. Como o pagão, adoro um Deus palpável (..) Mas, preciso ir sempre mais longe, sem jamais poder em nada repousar, a cada instante arrebatado pelas criaturas, e a cada instante ultrapassando-as, em contínua acolhida e em contínua despedida. Como o quietista, deixo-me deliciosamente embalar pela divina Fantasia. Ao mesmo tempo, contudo, sei que a Vontade divina não me será revelada a não ser no limite do meu esforço.
Eu não saberia dizer, perdido no mistério da Carne divina, qual é a mais radiosa destas duas bem-aventuranças: ter encontrado o Verbo para dominar a Matéria, ou possuir a Matéria para alcançar e submeter-me à luz de Deus (..) Se creio que tudo, ao redor de mim, é o Corpo e o sangue do Verbo, então para mim se produz a maravilhosa diafania que faz objetivamente transparecer na profundidade de todo fato e todo elemento o calor luminoso de uma mesma Vida.
Para que em toda criatura eu vos descubra e vos sinta, Senhor que eu creia! (p.22-30).

Comunhão
Se o Fogo desceu ao coração do Mundo, foi para me tomar e me absorver. É preciso que eu o contemple, colabore para a consagração que o faz brotar e consinta com a Comunhão.
Eu me prostro, meu Deus, diante da vossa Presença no Universo tornado ardente e, sob os traços de tudo aquilo que eu encontrar, de tudo aquilo que me acontecer, e de tudo aquilo que eu realizar neste dia, eu vos desejo e por vós espero.
Para chegar ao centro flamejante do Universo, não basta que o homem viva cada vez mais para si mesmo, nem que faça a sua vida se gastar numa causa terrestre, por maior que ela seja”. O Mundo só pode vos alcançar, Senhor, “por uma espécie de inversão, de retorno, de excentração em que desaparecem por certo tempo, não só a obra dos indivíduos, mas também a própria aparência de toda superioridade humana.
Aquele que tiver amado apaixonadamente Jesus escondido nas forças que fazem a Terra morrer, a Terra, desfalecendo, o encerrará em seus braços gigantes, e com a Terra ele despertará no seio de Deus (p.31-34).

Oração
Cristo glorioso (..), que reunis em vossa exuberante unidade todos os encantos, todos os gostos, todas as forças, todos os estados – sois vós que o meu ser chamava com um desejo tão vasto quanto o Universo: Vós sois verdadeiramente o meu Senhor e meu Deus! Quanto mais profundamente vos encontramos, Mestre, mais a vossa influência se descobre universal.
Ensinai ao meu coração a verdadeira pureza, aquela que não é a separação que torna as coisas anêmicas (..); revelai-lhe a verdadeira caridade, aquela que não é o temor estéril de fazer o mal, mas a vontade vigorosa de forçar, todos juntos, as portas da vida.
Toda a minha alegria e o meu êxito, toda a minha razão de ser e o meu gosto de viver, meu Deus, estão suspensos a essa visão fundamental da vossa conjunção com o Universo (..) Para mim, dominado por uma vocação que atinge as últimas fibras da minha natureza, não quero e nem posso anunciar outra coisa senão os inumeráveis prolongamentos do vosso Ser encarnado através da Matéria; eu não conseguiria jamais proclamar a não ser o mistério de vossa Carne, ó Alma que transpareceis em tudo aquilo que nos envolve! (p.37-39)

(2) A potência espiritual da matéria
Para compreender o Mundo, o saber não basta; é preciso ver, tocar, viver na presença, beber a existência quente no próprio seio da Realidade (..) Até o último instante dos Séculos, a Matéria será jovem e exuberante, resplandecente e nova para quem quiser.
A pureza não está na separação, mas numa penetração mais profunda do Universo. Ela está no amor da Essência única, incircunscrita, que penetra e trabalha todas as coisas por dentro – mais além da zona mortal em que se agitam as pessoas e os números. Ela está num casto contato com aquele que é ‘o mesmo em todos’.
Ó como é belo o Espírito se elevando, enfeitado com as riquezas da Terra.
Banha-te na Matéria, filho do Homem. Mergulha nela, lá onde ela é mais violenta e mais profunda! Luta em sua corrente e bebe sua vaga! Foi ela que outrora embalou sua inconsciência – é ela que te levará até Deus”.

(O personagem) Compreendeu, para sempre, que o Homem, como o átomo, só vale pela parte de si mesmo que passa pelo Universo. Viu, como evidência absoluta, o frágil vazio das mais belas teorias, comparadas com a plenitude definitiva do menor fato, tomado em sua realidade concreta e total”. Contemplou, com impiedosa clareza, a ridícula pretensão dos Humanos de regular o Mundo – de lhe impor seus dogmas, suas medidas e suas convenções”.
Ele havia desligado para sempre o seu coração de tudo o que é local, individual e fragmentário, doravante somente a Matéria, em sua totalidade, seria para ele seu pai, sua mãe, sua família, sua raça, sua única e ardente paixão (..) Deus irradiava no cume da Matéria, cujas vagas lhe traziam o Espírito (p.68-69).

Trechos de P. Teilhard de Chardin, Hino do Universo. Paulus, São Paulo, 1994, p.19-68.
Desenho: Irmão Anderson, MSC

26 comentários:

  1. Regina Reinart (ITESP)22 de abril de 2009 21:46

    Tenho duas reações: I) São os verbos que me encantam neste HINO DO UNIVERSO de TEILHARD DE CHARDIN: “elevar, subir carregado com as esperanças e as misérias, invocar, saborear, mergulhar, ir, deixar-se embalar pela divina Fantasia (Chardin coloca fantasia em maiúsculo), descobrir e sentir Deus, deixar-se absorver, contemplar, colaborar, prostrar-se, amar apaixonadamente Jesus escondido nas forças, ver, tocar, viver na presença, beber a existência quente no próprio seio da Realidade....” Para que nós possamos viver cada instante consciente dos nossos cinco sentidos. Teilhard de Chardin escreveu este texto fazendo escavações na China, longe da civilização, já acostumado com o silêncio e com a solitude, convivendo intensamente com a natureza.
    II) Passando ontem pelo centro de São Paulo, eu vi pessoas dormindo em cima dos grades do Metro, se aquecendo com o ar menos frio, subindo da escuridão da área sub-terrena. São jovens meninas e meninos, são homens adultos e magros, são mulheres cansadas e acabados! Como vão saborear Deus? Como vão contemplar Deus? Como vão sentir DEUS? E nós: como vamos nos aproximar deste povo sofrido? Como vamos transmitir a eles esta divina Fantasia querendo lhes embalar? Como entendemos o convite a amar apaixonadamente este Jesus escondido? Quatro horas depois de ter passado a Praça da República indo para Praça F. Roosevelt, eu voltei pela mesma rua: lá estavam eles todos - ainda! Eles estão lá também hoje, estarão lá amanhã e depois de amanhã! Não sou pessimista, ao contrário, mantenho a esperança e bebo da mensagem deste Cristo cósmico que faz a inclusão acontecer.

    O próprio Chardin experimentou exclusão. Foi mandado para China. A expulsão dele se tornou a impulsação de algo novo. As viagens longas e as horas preenchidas por observações geológicas, fizeram deste “inortodoxo” homem uma fonte de sabedoria mística e única. Ela é recordada e cientificamente redigida nos livros O MEIO DIVINO e O FENÔMENO HUMANO,. Pelos cinco sentidos Chardin experimentou o Deus imanente em tudo. Pelos cinco sentidos, estas pessoas expulsas para a rua (se forem drogadas), vão experimentar – um dia – este Deus imanente em tudo e especialmente nelas. Sabemos que nós já vemos o Deus nelas!

    Pergunto ao Chardin que diz que a “pureza não está na separação, mas numa penetração mais profunda do Universo”, como eu deveria agir diante desta realidade separatista e excludente! Concordo com Teilhard: “[a pureza] está no amor da Essência única, incircunscrita, que penetra e trabalha todas as coisas por dentro – mais além da zona mortal em que se agitam as pessoas e os números. Ela está num casto contato com aquele que é ‘o mesmo em todos’.” “O mesmo em todos!” “Além da zona mortal!” Deixo estas frases me penetrarem e permito-me a me aproximar destas pessoas na situação de rua com amor. São 14000 mil pessoas vivendo na situação de rua (segundo um artigo no caderno cotidiano da Folha de São Paulo, 01.03.2009). Chardin fala da ecogênesis e de uma espiritualidade que propõe o ser humano fazendo parte do universo e sendo absorvido nele. Bem sei, da minha convivência com as pessoas na situação de rua que eles convivem com o cosmo, principalmente com a noite, de um modo muito mais próximo do universo. Elas são os nossos “professores” quando se trata da matéria “natureza” (ecologia). A lua por exemplo, é conhecida a elas muito mais intimamente do que a nós cegos e dormentes. São elas que formular poemas como Goethe muitas “lunas” atrás (

    Sim, sou dominada por esta vocação missionária-monástica-mística e sinto que ela “atinge as últimas fibras da minha natureza” como Chardin anuncia. Desejo fazer memória de um Deus que nos une ao redor de uma mesa, nos faz partilhar a vida com os excluídos e nos ensina a ser verdadeiramente humano. A minha fragilidade é palpável, o meu coração, as vezes é um “campo de guerra” (Etty Hillesum, com 28 anos se tornou vítima no campo de concentração Auschwitz-Birkenau em 1943). Mas na presença deste Deus, que me completa, sou transformada. Redenção é possível, pois contemplação pale-ONTO-lógica (Chardin) ou urbana, me colocar diante do horizonte vertical. Chardin escreveu este HINO DO UNIVERSO numa situação extraordinária. Para nós mulheres – no espaço eclesial oficial - que não temos nem pão, nem vinho, nem altar (mesmo que somos nós que providenciamos pão e cuidamos do altar), o HINO DO UNIVERSO é o nosso grito e o de muitos homens também!!! Mas este comentário levaria mais de um parágrafo.... fica para a próxima! Termino com mais uma citação da Etty: „Gott ist nicht verantwortlich für das sinnlose Leid, das wir einander zufügen. Wir sind vor Gott dafür verantwortlich“ (Deus não é responsável pelo sofrimento absurdo, que nós infligimos uns nos outros. Nós somos responsáveis por ele diante de Deus.)

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  2. O Hino do Universo, como um grande salmo polifônico, cantado por toda a criação, eleva ao Deus da vida os seus louvores. A íntima fusão de todos os seres e da criação toda no Verbo que como uma seiva perpassa o universo, a criação e a história da humanidade, nos dá um senso de profunda vertigem que arrepia o nosso ser. Chardin num estado místico, como um outro Moisés no cimo da montanha, celebra uma eucaristia côsmica onde os elementos do pão e do vinho são representado pela matéria e pela energia, elementos primordiais que compoem o universo. A grande celebraçao côsmica de agradecimento ao princípio unificador, que se encontra como que embutido, mas não confundido, nas tramas da multiplicidade e do perene devir, nos deixa sem folego. O pensamento se funde e se unifica e por um instante nos arranca da nossa contigência para nos projetar nas esferas da dança côsmica e nos sentimos 'uno' e unidos em uma grande teia universal e sentimos que somos matéria e energia, isto é, contingentes e divinos. Mas como Pedro, Tiago e João depois da transfiguração, da grande experiência na qual bebemos à fonte da divindade, somos convidados a descer da montanha, como peregrinos e pastores de um secreto divino para caminhar carregando o peso da história, para recolher os fragmentos, de miséria e divindade, dos milhares que nos precederam e entragá-los como herança aos milhares que virão depois.

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  3. O ALTAR DO MUNDO

    A Vila da Namaacha é um pequeno lugarejo ao sul de Moçambique, região montanhosa situada entre a África do Sul e o pequeno reino da Suazilândia, o país dos Suázis, uma monarquia onde o rei escolhe, a cada ano, numa concorrida cerimônia pública, uma esposa nova.

    Nessa vila há um santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de Fátima, onde acontece uma grande peregrinação no mês de maio. Muitos peregrinos - a maioria jovens, mas também adultos e mesmo famílias inteiras - percorrem a pé os 70 km que separam a capital, Maputo, da Vila da Namaacha. Essa peregrinação, herança do recente passado colonial, foi interrompida durante a guerra civil em que o país esteve mergulhado, porque impossibilitava a circulação das pessoas, mesmo nas proximidades das principais cidades do país.

    Mas, bastou que a guerra terminasse, para que a peregrinação voltasse com maior força, certamente revigorada por todos aqueles que se dirigem ao santuário para agradecer a paz conquistada. Os peregrinos que se dirigem ao santuário a pé fazem-no principalmente durante a noite. Mas, é durante o dia que a região revela toda a beleza das suas montanhas, cobertas ora por uma relva rente ao solo, ora por uma vegetação semelhante à das savanas. No meio dessas montanhas existe um lugar, próximo da estrada, onde, de costas para a mesma, é possível vislumbrar um vasto horizonte e contemplar diante de nós as montanhas da África do Sul e, um pouco à esquerda, as montanhas da Suazilândia. É esse o lugar onde, sempre que possível, eu celebro a minha "missa no altar do mundo".

    "A missa no altar do mundo" é um dos escritos místicos mais belos do padre francês Pierre Teilhard de Chardin, falecido em 1955. Padre Chardin foi um geopaleontólogo e sacerdote jesuíta que logrou construir uma visão integradora entre a ciência e a teologia. Disposto a desfazer o mal-entendido entre a ciência e a religião, conseguiu ser malvisto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do lado da Igreja Católica, por sua vez, foi ameaçado de excomunhão, proibido de publicar suas obras e submetido a um quase exílio na China.

    Em 1923, numa de suas expedições arqueológicas ao deserto de Ordos, na China, quando o Pe. Chardin se encontrava impossibilitado de celebrar a Eucaristia por não ter pão, nem vinho com que a celebrar, ele escreveu "A missa no altar do mundo", em que, em comunhão com toda a humanidade e com toda a matéria presente no universo, ele convocava essa mesma matéria para se tornar transparente à presença eucarística de Cristo (era a Festa da Transfiguração). Ele iniciava dizendo: "Visto que, uma vez mais, Senhor, já não nas florestas do Aisne, mas nas estepes da Ásia, não tenho nem pão, nem vinho, nem altar, elevar-me-ei acima dos símbolos até à pura majestade do real, e oferecer-vos-ei, eu, Vosso sacerdote, no altar da Terra inteira, o trabalho e a dor do Mundo." E segue-se, então, o desenrolar daquela liturgia mística: "Colocarei na minha patena, ó meu Deus, a colheita esperada deste novo esforço. Derramarei no meu cálice a seiva de todos os frutos que serão hoje esmagados. O meu cálice e a minha patena são as funduras de uma alma largamente aberta a todas as forças que, dentro de um instante, se elevarão de todos os pontos do Globo e convergirão a caminho do Espírito. - Venham, pois, a mim a recordação e a presença mística daqueles que a luz desperta para uma nova jornada!"

    .......

    Por vocação e por opção, não sou sacerdote. Entretanto, isso não significa que eu tenha renunciado à dimensão sacerdotal da minha vocação, comum a todos nós, batizados. Pelo contrário. Trata-se antes de descobrir e viver toda a riqueza do sacramento da Eucaristia, celebrada quotidianamente pelos ministros ordenados. Entender e viver a dimensão sacerdotal do nosso batismo é uma via de mão dupla. Se, por um lado, somos alimentados tanto pelo sacramento quanto pelo testemunho dos ministros ordenados, por outro lado, também eles saberão enriquecer-se com o testemunho maduro dos demais fiéis que os ajudam a viver o seu ministério sacerdotal.

    O Pe. Chardin é uma das pessoas que me ajudam a compreender e viver o meu sacerdócio comum dos batizados. A Carta aos Hebreus é um outro ponto de referência importante para todos nós. O nosso altar e a matéria do nosso sacrifício são diferentes, pelo menos aparentemente, daquela dos ministros ordenados. O nosso altar, como na liturgia do Pe. Chardin, é o mundo inteiro, todos os lugares onde haja o esforço humano para criar um mundo melhor, para erradicar as doenças, para plantar a paz. A matéria do nosso sacrifício não são apenas o pão e o vinho. É a pedra talhada de onde emerge a Pietá. São os números e as relações de onde emerge toda a elegância do universo físico. É a terra, mãe generosa que nos dá sustento. São as notas musicais irmanadas para resultarem no Messias, de Handel. Na verdade, pão e vinho são mais do que mera comida e bebida. São, antes de mais nada, trabalho, esforço, transformação e ação humana.

    Muito se fala sobre a dimensão fraterna da eucaristia, sobre a dimensão de denúncia contra as injustiças que ela traz em seu bojo, que o fruto da eucaristia deveria ser a partilha dos bens, que as nossas missas deveriam desmascarar os novos rostos da idolatria. Tudo isso é, certamente, verdadeiro. Mas, em se tratando da eucaristia, é pouco. E uma verdade não menos importante que o sacramento da eucaristia nos revela é que, pela ação humana no mundo, a matéria e as relações são santificadas, ou, antes, tornam-se transparentes à santificação definitiva do mundo já operada pela encarnação de Jesus. Alguém já afirmou: quem não tem para com o pão quotidiano a mesma reverência prestada ao pão eucarístico, ainda não entendeu suficientemente o sentido da encarnação de Jesus. Há também, é claro, a dimensão da comunhão presente na eucaristia. Desde a comunhão mais visível - comungamos todos o mesmo e único pão eucarístico - até a comunhão definitiva com a mãe terra, quando essa, generosamente, nos abraça e envolve em seus braços, passando pela comunhão com todas as pessoas e criaturas ao nosso redor. Do alto das montanhas da Namaacha, sozinho, com o sol se pondo no horizonte, feito imensa hóstia de fogo e luz, as palavras do Pe. Chardin ganham vida e a comunhão torna-se realidade.

    Você, amigo e amiga que me lêem, já devem ter se encontrado com um sacerdote que marcou a sua caminhada. Eu já encontrei mais do que um. Mas, hoje, escrevo por causa de um em particular, que completa 25 anos de sacerdócio. Nesses 25 anos de exercício do seu sacerdócio ministerial, tenho certeza de que o mundo se tornou mais transparente àquela bondade simples, gratuita e despretensiosa do nosso Deus. Ainda que as sombras interiores e exteriores afirmem o contrário, é a essa certeza - a bondade simples e despretensiosa do nosso Deus - que, com serenidade, eu me agarro.

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  4. João Carlos disse:
    O esforço feito por Teilhard Chardin em sintetizar o cristianismo em poucas idéias basilares, sobretudo numa concepção global cósmica é atual e pertinente. Sinto que perpassa nesta síntese uma visão apocalíptica das realidades terrestres, que se fundamentaliza em uma concepção evolutiva. Podemos ou não afirmar que essa linguagem transmite uma angústia... ansiedade...paradoxo? a resposta encontramos no silêncio que o Mistério impõe.
    O Místico é como a semente que trabalha escondida, a obscuridade e pequenez da semente, pode e deve ser comparada à obscuridade e pequenez do Místico frente ao Mistério, mas no entanto não são obstáculos ao crescimento, à força evolutiva. Teilhard de Chardin expõem algumas formulações ambivalentes, sem prever todas as implicações decorrentes... Esse Hino nos remete à algumas ambivalências paradoxais "Não tenho nem pão nem vinho nem altar" "as profundezas de uma alma largamente aberta" "carregado com as esperanças e as misérias" "a sombra e o vazio".
    O crescimento da semente, como "as profundezas de uma alma largamente aberta" é repleta de vicissitudes.
    "Na terra já está presente o Reino, mas em Mistério" (GS 39)

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  5. Omir Oliveira, svd - ITESP - São Paulo26 de abril de 2009 14:36

    Achei o texto de Teilhard Chardin muito interessante e algo que me levou a pensar em orações que muitos povos têm feito trazendo aquilo que é de mais sagrado para suas culturas e tradições. Assim, essa oração dos Povos Masai do Leste Africano me veio à mente.

    ORAÇÃO MASAI*

    Deus Criador, nós anunciamos sua bondade porque é muito visível nos céus,
    Onde está a luz do sol, o calor do sol, e a luz da noite. Onde têm as núvens cheias de água.

    A Terra mostra sua bondade, porque ela pode ser vista nas árvores e nas suas sombras.
    Está visível na água e na grama, nas vacas leiteiras, e nas vacas que nos dão a carne.

    Seu amor é visível todo o tempo: de manhã e durante o dia,
    No entardecer e na noite. Grande é o seu amor!
    Ele encheu a Terra, ele encheu o povo de boas coisas.

    Nós dizemos: “obrigado, nosso Deus”, porque você nos deu tudo o que temos.
    Você nos deu nossos pais e nossas mães. Nossos irmãos e nossas irmãs, nossas crianças, nossos amigos...

    Você nos deu vacas, grama e água. Não temos nada além daquilo que você nos deu.
    Você é o nosso escudo, nossa proteção. Você é o nosso guarda; você cuida de cada um de nós. Você é a nossa segurança, todos os dias.

    Você fica conosco sempre, sempre. Você é a nossa mãe e o nosso pai. Portanto, dizemos: “obrigado”.
    Nós te adoramos com nossas bocas. Nós te adoramos com nossos corpos. Nós te adoramos com tudo o que temos. Porque somente você nos deu tudo.

    Nós dizemos: “obrigado” hoje.
    E amanhã. E todo dia.
    Nós não nos cansamos de te dizer: “obrigado.

    *Masai – povo nativo do Leste Africano, mais presente na Tanzania e no Quênia – que cultiva uma cultura muito próxima à criação de Deus, nos seres humanos e em todas as outras criaturas. Sua relação com tudo e todos faz-nos ver que eles valorizam tudo da mesma forma, pois tudo é criação de Deus.

    No texto: “Espiritualidade Ecológica”, de Teilhard de Chardin, vemos essa mesma intimidade/respeito com a criação que provém do mesmo Deus, que tanto ensina, que tanto nos chama a sermos cocriadores de um mundo novo cheio de vida para tudo e para todos.

    Que nós possamos também aprender a respeitar e a conviver com toda criatura, respeitando e celebrando sua prsença como dom mais precioso de um pai/mãe que nos proteje a cada instante e quer nos ver crescendo e multiplicando.

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  6. “A missa sobre o mundo...” mergulhar nas profundezas da pessoa humana e de lá recolher o que este ser tem de mais belo! Eis a capacidade e a liberdade de escolher Deus, como único Bem.
    “O meu cálice e a minha patena são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas as forças, que num instante, vão se elevar de todos os pontos do globo e convergir para o Espírito”. Assim em todo o Universo, como numa imensa teia que entrelaça e sustenta a Vida, está o ser humano que reina sobre as obras de Deus (Sl 8,7). Na flexibilidade de um ecossistema onde limite e intolerância bailam sobre tensão e equilíbrio, se fundem a dupla vocação: filhos (as) da terra e filhos (as) do céu.
    “O fogo acima do mundo... O Fogo no mundo”. Numa linguagem mística e poética, P.Teilhard de Chardin nos faz entender a força transformadora do Fogo do Espírito. Esta força gera em todos os tempos, homens e mulheres que com suas vidas se tornam testemunhas do Verbo Encarnado e sinais de esperança para o mundo contemporâneo.
    Assim viveu Card. – Xavier Nguyen Van Thuan, bispo e cardeal vietnamita.
    Vinha de uma família que contava com inúmeros mártires da fé – seus antepassados.
    Foi ordenado sacerdote em 11 de junho de l953, e em 24 de junho de 1967 foi nomeado bispo da diocese de Nhá Trang – centro do Vietnam. Oito anos depois Paulo VI o nomeou arcebispo coadjutor de Saigon. Sua nomeação foi rejeitada pelo governo comunista, que no dia 15 de agosto de 1975 – dia de Nossa Senhora da Assunção, foi decretado sua prisão domiciliar. Posteriormente foi preso por treze anos, em l976 foi para o cárcere da prisão de Phu Khan-e após, foi conduzido ao campo de reeducação de Vinh Phu no Vietnam do Norte.
    Rumo à prisão, tomou uma decisão: Vinham-me à mente muitos pensamentos confusos: tristeza, abandono, cansaço depois de três meses de tensões... Porém, em minha mente surgiu claramente uma palavra que dispersou toda a escuridão, a palavra que Monsenhor John Walsh na China, pronunciou quando foi libertado depois de doze anos de cativeiro: ‘Passei a metade da minha vida esperando’. É verdadeiríssimo: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: ‘Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor’.
    De fato, foi o que fez: amou, amou, amou. As condições não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos. Os nove primeiros anos foram terríveis, (dentro daquela solitária). Uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho, caminhando dentro daquela minúscula cela, desde a manhã até as nove e meia da noite para não ser destruído pela artrose, no limite da loucura.
    O amor é criativo – Sempre inspirado pela criatividade amorosa, Van Thuan escreveu uma carta aos amigos pedindo que enviasse um pouco de vinho, como remédio para doenças estomacais. Assim, a cada dia, três gotas de vinho e uma de água eram suficientes para trazer “Jesus eucarístico” à prisão. Os pedacinhos de pão consagrado eram conservados em papel de cigarro, guardado no bolso com reverência. De madrugada, ele e os poucos cristãos católicos detidos ali davam um jeito de adorar o Senhor escondido com eles.
    Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: Queira cortar um pedaço de madeira em forma de cruz... Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só. Assim conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo.
    Para completar sua obra, pediu: Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico? Esse ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam-se.
    Van Thuan explicou: Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz. Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.
    O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia 21 de novembro de 1988. Em setembro de l991 deixou o Vietnam e foi para Roma, onde presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz.
    João Paulo II pediu-lhe que lhe pregasse o retiro espiritual da quaresma e à cúria romana no ano de 2.000 – por ocasião da passagem do jubileu.
    Padecendo de um câncer, na idade de 74 anos, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.
    Seu último livro – “Testemunhas da esperança” – Abaixo segue algumas frases colhidas do seu último livro ditas na solidão do cárcere.

    “Fazer o ordinário de forma extraordinária! A vida é feita de pequenos minutos de esperança. Três gotas de vinho e uma de água na mão, este é o meu altar, minha catedral... Estou perdendo tudo! E escuto em meu coração: Você escolheu somente Deus e não suas obras - Deus é maior que as obras. Deus me chama a um retorno ao Essencial...”.

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  7. Raimundo Donato - FAJE8 de maio de 2009 15:06

    O Hino do Universo de Pierri Theilhard de Chardin é realmente um pérola preciosa carregada de espiritualidade. Um texto como este, devido a sua profundidade mística ,exige de nós uma capacidade de abstração e uma sensibilidade para adentrar no enigma escondido por detrás das palavras. O texto nos remete a um mistério que vai além do simples texto; ele nos convida a penetrar no mais profundo do universo, para que assim possamos fazer a experiência do Deus escondido na criação. A criação revela ao místico, traços do Deus Criador-redentor.
    É interessante notar que o texto místico,como este de Chardin, sempre suscita em nós uma sensação de faltar alguma coisa,ou seja, a sensação de que não foi dito tudo. Isso é próprio da experiência mística. A palavra não consegue traduzir e esgotar tudo o que o místico vivenciou em sua experiência pessoal; a linguagem se angustia diante da sua incapacidade de tentar exprimir a experiência vivida. Até próprio místico mais complica do que explica quando vai falar de sua própria experiência de oração, uma vez que ele tenta narrar aquilo que é inenarrável. Por isso, ao depararmos com o texto, sempre temos que perceber que algo nos escapa. Porém, o místico, vai deixando pistas pelo caminho e nelas vamos dando pequenos passos que vão aumentando na medida em que nos deixamos ser afectados pelo texto e envolvido pelo Mistério.
    O texto místico é como uma escada rolante que auxilia a elevar o nosso espírito ao mais profundo do universo, onde habita o próprio Criador. Nessa subida da alma até Deus, o Espírito, é como o motor que faz a escada subir na direção correta. Ele auxilia a alma para que esta não desvie de sua meta; Parafraseando Teresa D’Avila: “ o Amor vem ao encontro do amado”. E nesse encontro surge a liberdade no amor. Traspassado pelo amor somos capazes de perceber o sagrado em nós mesmos e nos seres que encontramos.
    No texto percebemos o rompimento de barreiras de Theilhard de Chardin, vislumbramos aquilo que é próprio do genuinamente místico, que é “um profundo amor pelo todo”, que atreveria a chamar de um “amor biocêntrico”.
    Theilhard de Chardin nessa sua obra conseguiu nos levar a uma experiência místico-ecológica com Deus. O seu convite a penetrar no mais profundo da matéria nos leva à feliz experiência de, no mais profundo, encontrarmos Deus. Deus habita o mundo. Por meio Verbo ele quis fazer morada no mundo, estabeleceu sua tenda entre nós. Logo, a proposta de Chardin , acredito que é justamente essa, ser a escada que, movida pelo Espírito, nos possibilita uma experiência vivencial de Deus que pode ser vislumbrado nos seres humano, como imagem e semelhança, mas também na natureza. Fica para mim essa mensagem, tudo me revela Deus. Em tudo posso experimentar a presença criadora-redentora de Deus. Tudo fala de Deus.

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  8. Cicero Edvam - FAJE11 de maio de 2009 08:46

    Refletir o quanto alguém que se deixa MERGULHAR no mistério da existência e do existente tem a confiança de cavar no mais profundo das realidades, DESCOBERTAS que não abalam o fundamento da sua adesão ao VERBO, mas oferece aos demais uma percepção unitária, integrada de QUEM está presente em tudo para mover os crentes e não crentes na "continua acolhida e em contínua despedida" na busca de compreender a matéria "não na separação pura, mas numa penetração mais profunda do Universo."
    Chardin mostra uma maturidade intelectual e espiritual para adentrar no universo das descobertas, porque para ele crer numa realidade transcendente não significa alienação, mas a fé em Deus o eleva a celebrar desprovido do 'material', encontrando o ALTAR na terra e o CÁLICE e PATENA nas almas largamente abertas a todas as forças que se elevam de todos os pontos do Globo e se converge para o Espírito. "Ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus" (Santo Inácio de Loyola)

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  9. Andréa Santos - FAJE11 de maio de 2009 12:48

    "Eu vos agradeço, meu Deus, por ter de mil modos, conduzido o meu olhar, até fazê-lo descobrir a imensa simplicidade das coisas!"
    A experiência de Deus vivida por P.Teilhard de Chardin demonstra a sua profunda e sincera percepção do mistério divino encarnado na realidade da criação, do mundo; Deus conduziu intensamente o seu olhar e o fez descobrir e viver realidades de valores inestimáveis. A sua mística se tornou um convite a cada um que esteja disposto a se abrir e a experimentar a presença amorosa de Deus na criação.
    No decorrer da vida humana há muitas possibilidades de viver a fé em Deus e permitir que ela cresça e se fortaleça; Tudo na vida vai se revelando pouco a pouco, se manifestando, a busca se torna encontro e descobertas, a ação se faz oração, o saber só não basta, se quer ir além, sentir.
    Na rica conciliação entre o divino e o humano, o divino não foge à realidade humana, do mundo, e o humano alcança concretamente esta comunhão - Deus e o universo - numa entrega de amor, desprendida de tudo, que dá sentido e graça, mesmo que algo ainda o escapa.
    P. Chardin viveu uma 'experiência cósmica pessoal'de grande riqueza, proclamando o mistério divino que o envolvia e envolve todo o mundo, e sentiu a experiência de fé em Deus não somente pelo saber, mas pelo olhar, pelo sentir o real e descobriu e saboreou a imensa simplicidade das coisas...

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  10. Daniel Higino - FAJE12 de maio de 2009 08:56

    Meditando sobre estas ricas palavras do padre Tilhard de Chardin, me veio a memória a experiência de Charles de Foulcauld. Buscou viver sua vocação religiosa no deserto, junto aos mais pobres, numa espiritualidade de comunhão com os Tuaregues e traseuntes de Tamanrasset. A centralidade do seu ministério como presbítero estava na Eucaristia, apesar de ter relutado muito em ser padre. Mas pela vontade de levar a Eucaristia aos mais afastados aceitou a ordenação. Mas na sua missão se viu na situação de ficar até mesmo seis meses sem a Eucaristia, pois não havia ninguém que aceitasse celebrar com ele. A sua vida foi assim Eucaristia para o mundo, para os mais pobres, ocupando o último lugar, experimentado no deserto a aridez da vida.
    Penso que ao pensarmos a Eucaristia do mundo, nesta profunda sintonia e comunhão com a natureza, é importante imaginar as quatro partes do Rito da Missa: Iniciais, da Palavra, da Eucaristia e Final. Ainda estamos nos iniciais, começando o Ato Penitencial.

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  11. Lendo “A Missa sobre o Mundo” de Teilhard de Chardin, logo me lembrei de uma parte do salmo 19:
    “Os céus contam a glória de Deus,
    e o firmamento proclama a obra de suas mãos.
    O dia entrega a mensagem a outro dia,
    e a noite a faz conhecer a outra noite.
    Não há termos, não há palavras,
    nenhuma voz que deles se ouça,
    e por toda a terra sua linha aparece,
    e até aos confins do mundo a sua linguagem. (vs.1-5)

    O hino de J. Addison (The spacious firmament on hight) resume de modo excelente estes versículos:
    “Mesmo sem haver verdadeira voz nem som,
    que nos orbes radiantes se ouça,
    no ouvido da razão se regozijam,
    e a voz gloriosa então emitem,
    sempre cantando, ao brilhar:
    ‘É divina a mão que nos criou’”.

    Há algo de místico na natureza. Ela nos conclama a louvores e a adoração a Deus. Lembro-me quando mais moço, eu e alguns irmãos da comunidade íamos para um monte aqui em B.H. para orar e adorar o Criador. Lá havia um lugar tão bonito que nós o batizamos de “santo dos santos” (lugar santíssimo). Era muito bom orar naquele lugar...
    Hoje, o monte foi aplanado e funciona uma fábrica. O “santo dos santos” foi profanado! Antes, de lá saia um incenso limpo e agradável a Deus que era as orações que brotavam de corações contritos. Agora, sai uma fumaça preta e mal cheirosa fruto da ganância humana.
    Se o trato com a natureza continuar assim, teremos “a Missa sobre o Mundo”; o louvor do salmista; as orações no “santo dos santos”?!

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  12. Lúcio Bento FAJE14 de maio de 2009 13:28

    Nesses fragmentos do texto “Hino do Universo”, Teilhard de Chardin nos deixa entrever, de forma encantadora e fascinante, aspectos bastante profundos do seu caminho espiritual. Na impossibilidade de abarcar e aprofundar todos os elementos que nos são apontados por Chardin, gostaria de destacar, com as próprias palavras do autor, aquilo que mais saltou aos meus olhos e penetrou minha mente e coração nessa primeira leitura: “Eu me prostro, meu Deus, diante da vossa Presença no Universo tornado ardente e, sob os traços de tudo aquilo que eu encontrar, de tudo aquilo que me acontecer, e de tudo aquilo que eu realizar neste dia, eu vos desejo e por vós espero”.
    Tomo a liberdade de entender nessas palavras de Chardin que, no seu caminho espiritual rumo a comunhão com Deus, é de fundamental importância uma vida encarnada na realidade do mundo, a exemplo de Cristo Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne no meio de nós. Nesse sentido, buscar Deus implicaria em três atitudes fundamentais:
    1- Reconhecer a presença de Deus no Universo, em cada ser criado: implicaria reconhecer e respeitar a dignidade da Criação no seu conjunto e em cada ser criado, pois é a vida de Deus que está na origem e sustenta a existência de todos os seres; isso acarretaria uma nova visão e responsabilidade da parte do ser humano em relação ao mundo, a si mesmo e ao seu semelhante;
    2- Reconhecer a presença de Deus nos acontecimentos do cotidiano: compreenderia a estarmos atentos aos sinais dos tempos, prestando atenção e nos deixando interpelar pelos acontecimentos e fatos da vida e da própria história com a sensibilidade de, a luz da Palavra de Deus, perceber o que Ele tem a nos dizer;
    3- Reconhecer a presença de Deus nos trabalhos realizados: acarretaria que, conscientes da dignidade da Criação e da nossa responsabilidade na sua administração e cuidado, pudéssemos viver numa relação de respeito e harmonia com a Natureza e com nossos semelhantes; nossa ação criativa e transformadora da realidade assumiria grande importância na construção de novas relações capazes de cumprir a tarefa de levar a termo o aperfeiçoamento do universo.
    Para mim esse seria um caminho espiritual rumo a comunhão com Deus. Um caminho no qual Deus é buscado, respeitado e louvado na vida e na dignidade de cada ser criado e no conjunto harmonioso de todo o Universo.

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  13. Me chama a atenção a maneira simples mas também profunda com que o Pe.Teilhard acolhe, se abre e entra em comunhão com todas as forças do universo. É ele como um todo que se entrega e não uma parte de si. Homem de fé e esperança, percebe em todas as coisas o toque de Deus. Ciente da liberdade que Deus Trindade Santa oferece às suas criaturas, o Pe. Teilhard fala do silêncio com que o fogo penetrou a Terra. Afinal, poderia o Senhor forçar “as portas para entrar em sua própria casa?” Fogo, chama que ilumina tudo por dentro, que penetra em todos os espaços, em todos os lugares.O Pe. Teilhard percebe então a graça que lhe é concedida: tem a percepção da solidariedade entre as criaturas e de quem as sustenta – Jesus Cristo. Encantado, agradece a Deus e “mergulha na Unidade total” que o acolhe.
    O Pe. Teilhard tem consciencia do movimento, da descida de Deus em direção às criaturas, mas também sabe que esse movimento pede uma resposta. Deus dá amor, mas deixa a criatura livre para o aceitar ou não. Somos convidados a contemplá-lo, a acolhê-lo, a entrar em comunhão intima e profunda com ele.
    O Pe. Teilhard é um homem de “pé no chão”, que se deixa interpelar pelo que o rodeia e que entra em comunhão com todas essas coisas. Habituado ao silêncio, sabe escutar; escuta até o inaudível. Mistico, poeta, o Pe. Teilhard nos faz viajar por mundos pouco andados. Estava à frente do seu tempo e quiçá do nosso. Ao lê-lo não pude deixar de me recordar dos tempos em casa dos meus avós maternos – como esquecer as caminhadas na serra, o crepitar do fogo na lareira que nos aquece, o contemplar o céu enquanto escuto o som do grilo que canta, o beber a água da nascente, o plantar e o colher, o contato com a terra, com os animais, com a natureza que se renova a cadda dia. Lá, o tempo “corria” diferente.

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  14. Robson José da Silva – 2º. Ano Teologia FAJE
    O texto é inspirador e nos motiva a enveredar pelos caminhos do cuidado permanente da criação de Deus.
    O Sagrado está em todas as realidades, revestindo-as de sentido e dando-lhes sua direção: o amor da Essência única. O mundo não é só o lugar da salvação dos homens e sim de tudo o que foi criado. É preciso dar mais um passo na fé: somos salvos pelo zelo pelo outro e também pelo zelo por tudo que foi criado. Re-siguinificar o panteísmo (tudo é Deus) e passar a pensar e viver um pan-enteísmo (Deus está em tudo e ao mesmo tempo perpassa e sobre-passa tudo). Deus em contínuo encontro e contínua despedida, a criação que não terminou.
    Somos administradores da “casa de Deus”. A Água, o ar, o solo: são elementos geradores de vida e não simples matéria-prima. Toda a matéria está encarnada pela Encarnação de Deus, que realiza a santificação definitiva do mundo. Na criação o Espírito Santo foi derramado em todas as coisas. É preciso dar respostas e continuar o processo da evolução do cosmo, cuidar da criação, sermos co-criadores de um mundo novo cheio de vida para tudo e para todos.
    No livro do gênesis somos convidados a dominar, dominar cuidando responsável e relacionalmente ressaltando a interdependência e a cooperação. As cartas paulinas nos lembram que todos (tudo o que foi criado) somos partes de um mesmo corpo, o corpo de Deus.

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  15. Al reflexionar sobre la Espiritualidad Ecológica, del texto de, Teilhard de Chardin,
    Fue sentir un resumen de lo que es la cuarta semana de los Ejercicios Ignaciano, “contemplación para alcanzar amor” que es contemplar a Dios en todas las cosas, como Creador y Señor, sabiendo que no es el mucho saber que satisface el alma sino el sentir y gustar internamente de las cosas.
    Massiel Castillo- ISTA

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  16. “Todos os dias o céu publica sua glória. E o firmamento, por sua vez, vive dizendo: “Foi Deus quem me fez!”. Um dia transmite ao outro dia a mensagem do existir e a noite conta para a outra a boa notícia. Sua linguagem é silenciosa, mas pode ser compreendida. Dá para perceber que o universo se comunica!” (Canção do Êxtase, Pe Jose Fernandes de Oliveira, scj)

    P.Teilhard de Chardin partilha de uma experiência de Deus a partir do contato com a criação. Porém, não é somente vislumbrando o poder imenso do Criador frente à grandiosidade e beleza de suas obras, que Chardin saboreia tamanha docilidade.
    O autor não se coloca em atitude de simples contemplação, mas se mostra em alma jubilante ao se colocar como parte de gigante obra das mãos divinas.

    O hino analisado são como louvores emanados da harmonia da criação provada pela criatura, pequeno fragmento que compõem uma imensa vida. O universo apresenta um canto de múltiplas e infinitas vozes e instrumentos, perceptível à sensibilidade das criaturas participantes deste desfile harmônico. Assim, diante de tamanha harmonia, percebemos nas formas de organização social e métodos de sistematizar as relações entre as pessoas _incluindo também a influência do capital nestas formas_ tão presentes e tão ordenadores de nossos dias, tentativas inferiores e incapazes da implementação de um eixo estruturador da vida.

    Entender a grandeza e vislumbrar a beleza da criação, é provar o poder de Deus e assim, constatar nossa pequenês e limitação.
    Quando reconhecemos a enormidade da criação, nos perguntamos quem é o ser humano para que Deus se interesse tanto por sua sorte.
    Entendendo a dimensão e significado do nome de Deus, possamos também ser o que nossa condição de seres humanos nos proporciona, o significado do nome “criatura”.

    “Eu também quero entrar nesse concerto universal! Que as palavras da minha boca e do meu coração, façam rima com o som da criação!” (Canção do Êxtase, Pe Jose Fernandes de Oliveira, scj)

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  17. Antônio Marcos, ISTA, Gestão Pastoral13 de outubro de 2010 20:17

    “Se creio que tudo, ao redor de mim, é o Corpo e o sangue do Verbo, então para mim se produz a maravilhosa diafania que faz objetivamente transparecer na profundidade de todo fato e todo elemento o calor luminoso de uma mesma Vida. Para que em toda criatura eu vos descubra e vos sinta, Senhor que eu creia!”
    Tenho lido algumas obras, ou trechos de obras de Chardin, e a cada leitura me encanto mais com seu modo de vivenciar sua relação com Deus, consigo mesmo e com toda a criação. Esse grande homem conseguiu perceber, isso décadas atrás, algo que a maioria de nós ainda tem dificuldade em compreender... Não somos o centro! Mas fazemos parte dessa grande teia de vida que é a obra de Deus.
    O Fogo, essa Luz preexistente, o Espírito que dá vida... É muito belo pensar num Deus que cria todo o cosmo, um Deus não limitado por adjetivos humanos, mas uma energia pura que cria, recria, dá vida e mantém o equilíbrio cósmico. Sem esse Fogo, tudo desmoronaria.
    O pensamento de Teilhard de Chardin nos possibilita buscar Deus nas pequenas coisas, em todas as coisas...
    “Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, o qual faz o dia e por ele nos alumias. E ele é belo e radiante, com grande esplendor, de ti, Altíssimo, é a imagem.” (São Francisco de Assis)

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  18. Roberta Garcia de Oliveira /Gestão Pastoral-ISTA

    “Eu vos agradeço, meu Deus, por ter, de mil modos, conduzido o meu olhar, até fazê-lo descobrir a imensa simplicidade das coisas!”

    O mistério da Criação sempre foi algo que me fascinou e ao mesmo tempo questionou. O que ou quem seria o dinamismo, a força vital, o sopro de vida que nos fez viver e que continua sustentado e promovendo essa vida em nós? Como perceber que essa dinâmica criadora acontece cotidianamente, a cada instante, de maneira tão real, singela e grandiosa?
    Ao ler alguns escritos de Teilhard de Chardin cresceu em mim a paixão por esse mistério tão real e palpável. Sua atitude de maravilhar-se com a grandeza de tudo o criado, sua lucidez de colocar o ser humano como parte dessa criação e não o centro, sua capacidade de contemplação do divino na criação, do transcendente na realidade me faz pensar como, em nossos tempos, podemos cultivar uma espiritualidade integradora, uma atitude de louvor e adoração Daquele que encarnado se manifesta na grandiosidade do pequeno e se revela no oculto.
    Que essa experiência nos leve a proclamar as palavras do Salmo 19: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”.
    Que a nossa experiência e vivência de uma fé encarnada nos faça co-criadores com o Criador, até que Deus seja tudo em todos.

    “Para que em toda criatura eu vos descubra e vos sinta, Senhor que eu creia!”

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  19. Destaco do texto “Hino do Universo” de Teilhard de Chardin alguns pontos significativos a meu ver no desenrolar do conteúdo que o autor trabalha.
    No tocante a conexão do homem com o mundo o autor deixa claro: “não basta que o homem viva cada vez mais para si mesmo, nem que faça a sua vida se gastar numa causa terrestre, por maior que ela seja.” É preciso, no entanto que a comunidade humana se mobilize em fraternidade para estabelecer um maior cuidado com o planeta, esta mobilização exige de nós uma ação em comum unidade, em conjunto, que vise algumas dimensões importantes para o bem estar do planeta: o cuidado, o amor e o respeito.
    O autor afirma que: “para compreender o mundo, o saber não basta; é preciso ver, tocar, viver na presença, beber a existência quente no próprio seio da realidade.” Ou seja, precisamos ser pessoas integradas buscando o essencial para a vida, reconhecendo todos os seres vivos como parte integrante do ecossistema. Em todo o texto o autor nos provocar a perceber Deus como o essencial, aquele que cria o mundo e o ser humano como ele diz: “a operação criadora de Deus não nos modela como argila mole. É um fogo que anima aqueles que ela toca, um Espírito que os vivifica. É portanto vivendo que devemos, definitivamente, nos prestar a Ela, nos modelar sobre Ela, nos identificar com Ela.”Deus nos torna dinâmicos na vida e nos faz sentir valores. As belezas individuais e as harmonias de conjunto nos fazem convergir numa mesma pessoa; Jesus Cristo. E para agirmos com verdadeiras atitudes cristãs é preciso como diz o autor: “Tudo tentar para Cristo”! “Tudo esperar para Cristo”!

    Marcio Henrique Ferreira da Costa – Curso de Gestão Pastoral – ISTA

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  20. Teilhard Chardin conseguiu exprimir através de seus textos uma profunda compreensão de mundo e da relação entre os seres que nele habitam. Ler seus escritos é entrar numa grande celebração de louvar à vida e sentir a presença de Deus em todos as coisas. Chardin chegou num nível de consciência planetária tão grande que sua vida estava em inteira conexão com o universo. Ele percebeu que o único evangelho é o evangelho da vida, que fala da beleza de Deus na criação e em que, todas as coisas convergem para Cristo. Já não se precisa mais de templos, ritos, normas e símbolos, a natureza é o grande altar onde se celebra a vida. “Cristo se tornou tudo em todos” e os verdadeiros adoradores o “adorarão em espírito e verdade”. Teilhard Chardin nos ensina que a vida do ser humano só tem sentido quando está em relação com os outros seres. Quando na sua humildade percebe-se como uma pequena partícula na grandeza do universo.
    E confirma mais uma vez que somos seres de relação. É no contato com o outro e com o cosmos que nos percebemos como pessoa. Assim como São Francisco de Assis, nosso místico chegou a um grau tão profundo de ligação com o universo e com a natureza, que até a morte se revela como uma entrega de amor nas mãos de Deus.
    E no fim de tudo, o que fica é o Amor, que nos aproxima mais de Deus e dos irmãos, e com os olhos da fé nos faz ver as coisas de forma diferente. Vê o que está além de nossa vista, como o autor sagrado afirma: “Como se visse o invisível” (Hb.11,27).
    Para mim o trecho mais marcante é este: “Mas a Unidade que me acolhe é tão perfeita que nela sei encontrar, perdendo-me, a realização última de minha individualidade”.

    Edvaldo Ferreira de Lima – Gestão Pastoral/ ISTA

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  21. "Para compreender o Mundo, o saber não basta; é preciso ver, tocar, viver na presença (...)"
    Teilhard de Chardin é muito feliz em seus escritos. Mesmo depois de tanto tempo, suas palavras estão atualíssimas. A sua concepção de ser humano criado por Deus não nos deixa dúvida da importância que cada um de nós tem no meio ambiente e de que o próprio Deus está conosco e no meio de nós. Para mim, este é o ponto alto do texto. Mas outros aspectos apontados por ele não podem deixar de ser relevados: o fenômeno humano, por exemplo, que tem como parâmetro a consciência inexistente em animais. Uma vez que os seres humanos são providos dessa consciência, precisam colocá-la a serviço de todo o meio.
    Outro aspecto que merece destaque na abordagem de Chardin é a relação de fé que o ser humano estabelece, sobre tudo dentro do cristianismo. As palavras dele fazem com que eu olhe para mim mesmo em minha experiência “mística” cotidiana.
    O autor é mesmo fantástico e estava à frente do seu tempo.
    Rogério de Medeiros Silva - gestão Pastoral-ISTA

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  22. O homem é chamado a viver e transmitir a sua mística, integrando todo o seu ser ao de todas as coisas que estão ao seu dispor a água, a terra, o ar, o fogo, os animais e as pessoas. Ver todas as coisas a presença de Deus e em Deus.
    Deve sempre dar um passo para o seu crescimento, a sua transcendência com o sagrado, com a vida em busca de crescer ser grande e ser servidor, provedor e gerador de vida. Não só isso deve também cuidar de toda fonte de vida que existe como se fosse única. Do pequeno ao grande ser vivente que existe. Compreender que todos contribuem para a nossa existência, como nos contribuímos, formando uma rede de interdependia que gera vida e mais vidas.
    A vida vem do criador e volta para ele. A pura e simples energia da vida. Esta energia que nos faz viver a bem aventurança da criação, ser criatura e criador, e fazer o encontro com o criador “para que toda criatura vos descubra e vos sinta, Senhor que eu creia!”

    Ir. Renê Ramon Gestão Pastoral/ISTA.

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  23. Johanna Bretón (ISTA)

    Para que en toda criatura yo te descubra y te sienta, Señor que yo crea” Esta frase de P. Teilhard de Chardin expresa el deseo profundo de una persona que intenta contemplar a Dios en lo cotidiano de la vida.

    El ser humano vive una lucha constante contra su propio egoísmo y lucha contra esas ideas y concepciones de que somos únicos en el universo. Según Teilhard tenemos que salir de nosotros y ver en el otro, ese que muchas veces no es solo raza humana, es todo ser viviente, energía absoluta, amor unitario, y todo eso es plenitud trascendente, es descubrir a Dios que trabaja y se hace presente en todas las criaturas.

    Me encanta pensar al Espíritu como un fuego que nos anima, que nos vivifica, que nos modela. Muchas veces nos cuesta dejarnos trabajar y nos hacemos ideas acabadas y definidas sobre nosotros, sobre las cosas, y no descubrimos la novedad de un paisaje, la sabiduría de un insecto, el gesto de un niño que se nos quiere revelar en su naturaleza de Ser.

    Sin duda nuestro destino está entrelazado al destino de la propia naturaleza, quizás nos sintamos lejos de una responsabilidad absoluta sobre las cosas, pero tenemos que acoger como nuestro todas las posibilidades de encaminar al mundo y confiar en que Dios pasa por cada ser diverso, y necesario para mantener el equilibrio de nuestro mundo.

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  24. Marcelo Ferreira dos Santos /Gestão Pastoral-ISTA.
    O texto é interessante, pois trás outra ideia do rito Eucarístico onde se desprende das ofertas convencionais e mostra que se podem ofertar também outras coisas. Pe. Teilhard de Chardin oferta o que ele tem de mais belo e sublime para ofertar, que é o trabalho ar do homem que é o melhor de si.
    É impressionante este texto, pois escrito numa época onde não se poderia imaginar e nem falar sobre o mundo numa ótica teológica e cientifica juntas, as duas ciências ao mesmo tempo entrelaçadas, mas Pe. Teilhard de Chardin faz isso. Ele fala de teologia quando diz que no princípio havia o Verbo soberanamente, mas já começa a misturar a ciência completar dizendo que o Verbo sujeitava e modelava a “matéria”, um termo puramente cientifico.
    Ainda muito longe de sua época Pe. Teilhard de Chardin apresenta o relacionamento do ser humano com a natureza trazendo-a como forma de alcançar e submeter-se à luz de Deus. “(...) Se creio que tudo, ao redor de mim, é o Corpo e o sangue do Verbo, então para mim (...) se produz a maravilhosa diafania que faz objetivamente transparecer na profundidade de todo fato e todo elemento o calor luminoso de uma mesma vida.” Com isso ele apresenta também a ideia do cuidado com o mundo numa época onde ainda não se pensava em finitude, não se imaginava que a Terra poderia se acabar. Ele sugere que nessa procura de Deus conserve e não destrua.

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  25. Maicon Donizete (ISTA - Gestão Pastoral)

    “A operação criadora de Deus não nos modela como argila mole. É um fogo que anima aqueles que ela toca, um Espírito que os vivifica. É portanto vivendo que devemos, definitivamente, nos prestar a Ela, nos modelar sobre Ela, nos identificar com Ela.”(121)

    A leitura de Teilhard de Chardin despertou em mim uma profunda sensação de comunhão e sintonia com todo o cosmos. O autor expressa de forma bonita e poética a relação existente entre o CRIADOR-CRIATURA. Essa relação como reflexo de um ato de amor gratuito em que Deus dá a vida ao ser humano e a todo ser vivente.

    Como é bonito perceber a atitude de Deus diante da obra criada (“e viu que tudo era bom”). Essa é a sensação do grande mestre da criação que contempla a maravilha da vida que nasce e renasce a cada instante. Essa é a experiência do místico que lê e interpreta a realidade à sua volta, e nela percebe como Deus foi perpassando pelas situações, pessoas, acontecimentos, ambientes...tudo vai se tornando espaço sagrado e sinal vivo da revelação do amor divino.

    A atitude contemplativa ante a obra da criação é um maravilhar-se por um amor que ultrapassa qualquer barreira, conduzindo-nos a sentir a operação criadora de Deus não como uma argila mole, mas como um fogo que gera vida e anima. Esse é o próprio Espírito divino que se faz na criatura, vivificando e gerando a existência.

    O Hino ao Universo é um grande canto de exaltação à vida; um louvor que faz-nos conscientes de que somos parte de um todo. Daí constrói-se uma relação de sintonia e harmonia com o universo como sinal do Verbo de Deus encarnado que, agora, se manifesta na criação e a convida a fazer o caminho rumo à plenificação de sua existência.

    Penso ser esta uma convocação à humanidade para que restabeleça os elos de unidade que constituem nossa essência enquanto ser existente. “Somente o amor pode reunir todos os seres na unidade.” (149).

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  26. Paulo Martins - Gestão Pastoral

    É impossível não ler este texto e se perder na contemplação de tudo o que o autor se refere. O sentir-se parte do universo, em comunhão com todas as coisas e percebê-las em Deus, parece trazer uma energia de volta, energia que nos impulsiona a tocar, sentir, saborear o universo e nele encontrar a vitalidade perdida no caos da nossa insensibilidade cotidiana.

    A comunhão com todos os seres, a energia que nos circunda e nos mobiliza, a oração, a comunhão... são traços de uma espiritualidade ecológica que nos coloca em plena sintonia com o Criador e suas criaturas. Espiritualidade encarnada, banhada pela energia do Espírito, que nos invade como um todo, desde o menor de todos os átomos do nosso corpo, o que nos deixa contentes por nos percebermos todo de Deus e em Deus, assim como todo o universo.

    Comunhão esta que pede de nós responsabilidade, comprometimento e consciência de nossa participação na garantia da vida em todas as suas dimensões.

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