quarta-feira, 22 de julho de 2009

Intereclesial das CEBs (1)


“Gente simples,
fazendo coisas pequenas
Em lugares não importantes
Conseguem coisas extraordinárias”
Esse refrão de origem africana, e proclamado por Dom Moacir Grechi, arcebispo de Porto Velho, resumiu de forma poética o início do XII Intereclesial das Comunidades de Base, que acontece de 21 a 25 de julho. Realizado pela primeira vez na região amazônica, no estado de Rondônia, o interclesial tem como tema: “CEBs, ecologia e missão”, e como lema: “Do Ventre da Terra o grito que vem da Amazônia”. Este importante encontro reúne aproximadamente 3 mil pessoas, entre delegados de base e agentes de pastoral, eleitos em suas dioceses, bispos, 97 assessores, inúmeros convidados de outras igrejas cristãs e de vários países e uma representativa porção de povos indígenas da região amazônica.
Estima-se que mais de 7 mil pessoas estiveram concentradas na noite de 21 de julho, junto com os participantes do Interclesial, na celebração de abertura que ocorreu no centro de Porto Velho. O momento celebrativo, belo e expressivo em símbolos, trouxe um pouco da complexa realidade amazônica: o rio e a mata, os povos da floresta (indígenas, ribeirinhos e seringueiros), o povo da periferia das cidades, a bio-diversidade e a diversidade cultural, a destruição do bioma pelo agronegócio, a esperança e a resistência do povo.
Na celebração de abertura foram lembrados também todos os regionais presentes, com seus respectivos biomas: mata atlântica, cerrado, caatinga, pampas e pantanal. A questão ecológica, compreendida no viés sócio-ambiental e a partir dos pobres, parece marcar o diferencial deste encontro das CEBs. Outro destaque é tornar mais conhecido a Amazônia para os próprios brasileiros.
O segundo dia do encontro das CEBs terá como temática o VER: “Grito Profético da Terra e dos Povos da Amazônia, símbolos da humanidade”. A disposição dos espaços e dos temas levará em conta a realidade da Amazônia. O lugar central das plenárias denonima-se “Porto”. Os lugares onde se reunirão os 12 miniplinários são os “rios”, que abarcam ao todo 144 grupos de partilha e discussão, chamados de “canoas”. Bem cedinho, como é comum aqui na Amazônia, as 7 horas da manhã, inicia-se a animação musical e a celebração organizada pelos povos indígenas. A seguir, haverá uma introdução dos assessores, seguido de trabalho de grupo. Será o momento em que as pessoas poderão se expressar livremente, partilhando sua experiência de vida, suas convicções, lutas e esperanças. Na parte da parte haverá as miniplenárias, seguida de uma síntese dos respectivos assessores. Por fim, uma celebração penitencial reunindo todos os participantes.
Espera-se que este Intereclesial das CEBs na Amazônia amplie a consciência dos cristãos sobre seu compromisso socioambiental e seja mais um alerta para a sociedade sobre a importância da Amazônia para o nosso planeta. Muitas pequenas luzes, para a grande Luz.

Afonso Murad

4 comentários:

  1. Como é bom ler algo sobre o Intereclesial aqui no seu blog. Pensei comigo: só BRASIL...7000 mil pessoas num encontro desse....de longe (da Bahia) estou participando....
    mando o meu abraço

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  2. Erasmo Holanda- FAJE15 de junho de 2010 às 00:10

    O intereclesial das CEBs é um momento forte de articulação entre fé cristã e vida. Também é ao mesmo tempo uma oportunidade teológica para repensar o papel da Igreja e suas comunidades na preservação do planeta. A atitude profética destas comunidades na amazônia é um convite aos cristãos, melhor dizendo um apelo de Deus na história para que os crentes sejam sal da terra luz do mundo. Aqui entendidos como presença ativa na presevação do planeta e sua sustentabilidade atraves de modelos econômicos que não tenham o lucro como fim , mas o bem comum de todos e o da própria criação de Deus.

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  4. O grito da Amazônia nos convoca a uma ação em conjunto, uma união de raças, culturas e religiões, precisamos juntos gritar pela vida, pela força, pelo amor ecológico e para que todos os brasileiros tomem consciência da riqueza que é a Amazônia para nossas vidas.
    Compreendo que nosso grito deve ter força de conjunto, isso foi realizado e perceptível no encontro Intereclesial das CEB´s. São ações como essas que nos fazem acreditar em uma melhoria ecológica. A ousadia de gritar e conscientizar as pessoas sobre a importância da terra, da água e da cultura dos povos na Amazônia é um gesto profético, anunciador da boa nova e denunciador dos atos que oprimem e excluem a riqueza ambiental e cultural deste espaço carregado de biodiversidades.

    Ir. Marcio Henrique Ferreira da Costa - Gestão Pastoral - ISTA

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