quarta-feira, 18 de março de 2009

Ecoalfabetização e sustentabilidade

Este texto de Fritjof Capra, adaptado do epílogo do seu livro “A Teia da Vida: uma nova compreensão dos sistemas vivos” (Ed. Cultrix - Amana-Ke), articula os princípios da alfabetização ecológica com o conceito de sustentabilidade, de forma ampla, crítica e criativa.

Introdução
(a) Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis, nas quais podemos satisfazer nossas aspirações e necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras. Para realizar essa tarefa, podemos aprender valiosas lições extraídas do estudo de ecossistemas, que são comunidades sustentáveis de plantas, de animais e de microorganismos. Para compreender essas lições, precisamos aprender os princípios básicos da ecologia. Ser ecologicamente alfabetizado, ou “ecoalfabetizado”, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis. É preciso revitalizar nossas comunidades – inclusive nossas comunidades educativas, comerciais e políticas - de modo que os princípios da ecologia se manifestem nelas como princípios de educação, de administração e de política.
(b) A teoria dos sistemas vivos fornece um arcabouço conceitual para o elo entre comunidades ecológicas e comunidades humanas. Ambas são sistemas vivos que exibem os mesmos princípios básicos de organização. Trata-se de redes que são organizacionalmente fechadas, mas abertas aos fluxos de energia e de recursos; suas estruturas são determinadas por suas histórias de mudanças estruturais; são inteligentes devido às dimensões cognitivas inerentes aos processos da vida.
(c) Há muitas diferenças entre ecossistemas e comunidades humanas. Nos ecossistemas não existe autopercepção, nem linguagem, nem consciência e nem cultura; portanto, neles não há justiça nem democracia; mas também não há cobiça nem desonestidade. Não podemos aprender algo sobre valores e fraquezas humanas a partir de ecossistemas. Mas devemos aprender com eles como viver de maneira sustentável. Durante mais de três bilhões de anos de evolução, os ecossistemas do planeta têm se organizado de maneiras sutis e complexas, a fim de maximizar a sustentabilidade. Essa sabedoria da natureza é a essência da eco-alfabetização. Os princípios básicos da ecologia serão utilizadas como diretrizes para construir comunidades humanas sustentáveis.

Interdependência
(d) O primeiro desses princípios é a interdependência. Todos os membros de uma comunidade ecológica estão interligados numa vasta e intrincada rede de relações, a teia da vida. Eles derivam suas propriedades essenciais e a própria existência, de suas relações com outras coisas. A interdependência - a dependência mútua de todos os processos vitais dos organismos - é a natureza de todas as relações ecológicas. O comportamento de cada membro vivo do ecossistema depende do comportamento de muitos outros. O sucesso da comunidade toda depende do sucesso de cada um de seus membros, enquanto que o sucesso de cada membro depende do sucesso da comunidade como um todo.
(e) Entender a interdependência ecológica significa entender relações. Isso determina as mudanças de percepção que são características do pensamento sistêmico - das partes para o todo, de objetos para relações, de conteúdo para padrão. Uma comunidade humana sustentável está ciente das múltiplas relações entre seus membros. Nutrir a comunidade significa nutrir essas relações.
(f) O fato de que o padrão básico da vida é um padrão de rede significa que as relações entre os membros de uma comunidade ecológica são não-lineares, envolvendo múltiplos laços de realimentação. Cadeias lineares de causa e efeito existem muito raramente nos ecossistemas. Desse modo, uma perturbação não estará limitada a um único efeito, mas tem probabilidade de se espalhar em padrões cada vez mais amplos. Ela pode até mesmo ser amplificada por laços de realimentação interdependentes, capazes de obscurecer a fonte original da perturbação.

Reciclagem e energia renovável
(g) A natureza cíclica dos processos ecológicos é um importante princípio da ecologia. Os laços de realimentação dos ecossistemas são as vias ao longo das quais os nutrientes são continuamente reciclados. Sendo sistemas abertos, todos os organismos de um ecossistema produzem resíduos, mas o que é resíduo para uma espécie é alimento para outra, de modo que o ecossistema como um todo permanece livre de resíduos. As comunidades de organismos têm evoluído dessa maneira ao longo de bilhões de anos, usando e reciclando continuamente as mesmas moléculas de minerais, de água e de ar. Aqui, a lição para as comunidades humanas é óbvia. Um dos principais desacordos entre a economia e a ecologia deriva do fato de que a natureza é cíclica, enquanto que nossos sistemas industriais são lineares. Nossas atividades comerciais extraem recursos, transformam-nos em produtos e em resíduos, e
vendem os produtos para os consumidores, que descartam ainda mais resíduos depois de ter consumido os produtos. Os padrões sustentáveis de produção e de consumo precisam ser cíclicos, imitando os processos cíclicos da natureza. Para conseguir esses padrões cíclicos, precisamos replanejar num nível fundamental as atividades comerciais e a economia.
(i) Os ecossistemas diferem dos organismos individuais pelo fato de que são, em grande medida (mas não completamente), sistemas fechados com relação ao fluxo de matéria, embora sejam abertos com relação ao fluxo de energia. A fonte básica desse fluxo de energia é o Sol. A energia solar, transformada em energia química pela fotossíntese das plantas verdes, aciona a maioria dos ciclos ecológicos. As implicações para a manutenção de comunidades humanas sustentáveis são, mais uma vez, óbvias. A energia solar, em suas muitas formas - a luz do Sol para o aquecimento solar e para a obtenção de eletricidade fotovoltaica, o vento e a energia hidráulica, a biomassa, e assim por diante - é o único tipo de energia que é renovável, economicamente eficiente e ambientalmente benigna. Negligenciando esse fato ecológico, nossos líderes políticos e empresariais, repetidas vezes ameaçam a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo.
(j). A descrição da energia solar como economicamente eficiente presume que os custos da produção de energia sejam computados com honestidade. Não é esse o caso na maioria das economias de mercado da atualidade. O chamado mercado livre não fornece aos consumidores informações adequadas, pois os custos sociais e ambientais de produção não participam dos atuais modelos econômicos. Esses custos são rotulados de variáveis “externas” pelos economistas do governo e das corporações, pois não se encaixam nos seus arcabouços teóricos.
(l) Os economistas corporativos tratam como bens gratúitos não somente o ar, a água e o solo mas também a delicada teia das relações sociais, que é seriamente afetada pela expansão econômica contínua. Os lucros privados estão sendo obtidos com os custos públicos em detrimento do meio ambiente e da qualidade geral da vida, e às expensas das gerações futuras. O mercado, simplesmente, nos dá a informação errada. Há uma falta de realimentação, e a alfabetização ecológica básica nos ensina que esse sistema não é sustentável.
(m) Uma das maneiras mais eficientes para se mudar essa situação seria uma reforma ecológica dos impostos. Seriam acrescentados impostos aos produtos, às formas de energia, aos serviços e aos materiais existentes, de maneira que os preços refletissem melhor os custos reais. Para ser bem sucedida, uma reforma ecológica dos impostos precisaria ser um processo lento para proporcionar às novas tecnologias e aos novos padrões de consumo tempo suficiente para se adaptar, e encorajar inovações industriais. À medida que isso acontecer, a agricultura orgânica se tornará não só um meio de produção de alimentais mais saudável como também mais barato.

Parceria
(n) A parceria é uma característica essencial das comunidades sustentáveis. Num ecossistema, os intercâmbios cíclicos de energia e de recursos são sustentados por uma cooperação generalizada. Desde a criação das primeiras células nucleados há mais de dois bilhões de anos, a vida na Terra tem prosseguido por intermédio de arranjos cada vez mais intrincados de cooperação e de coevolução. A parceria - a tendência para formar associações, para estabelecer ligações, para viver dentro de outro organismo e para cooperar - é um dos “certificados de qualidade” da vida.
(o) Nas comunidades humanas, parceria significa democracia e poder pessoal, pois cada membro da comunidade desempenha um papel importante. Combinando o princípio da parceria com a dinâmica da mudança e do desenvolvimento, também podemos utilizar o termo “coevolução” de maneira metafórica nas comunidades humanas. À medida que uma parceria se processa, cada parceiro passa a entender melhor as necessidades dos outros. Numa parceria verdadeira, confiante, ambos os parceiros aprendem e mudam – eles coevoluem. Aqui, mais uma vez, notamos a tensão básica entre o desafio da sustentabilidade ecológica e a maneira pela qual nossas sociedades atuais são estruturadas, a tensão entre economia e a ecologia. A economia enfatiza a competição, a expansão e a dominação; ecologia enfatiza a cooperação, a conservação e a parceria.
(p) Os princípios da ecologia mencionados até agora - a interdependência, o fluxo cíclico de recursos, a cooperação ou a parceria - são, todos eles, diferentes aspectos do mesmo padrão de organização. É desse modo que os ecossistemas se organizam para maximizar a sustentabilidade. Uma vez que entendemos esse padrão, podemos fazer perguntas mais detalhadas. Por exemplo, qual é a elasticidade dessas comunidades ecológicas? Como reagem a perturbações externas? Essas questões nos levam a mais dois princípios da ecologia - flexibilidade e diversidade - que permitem que os ecossistemas sobrevivam a perturbações e se adaptem a condições mutáveis.

Flexibilidade
(q) A flexibilidade de um ecossistema é uma consequência de seus múltiplos laços de realimentação, que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver um desvio com relação à norma, devido a condições ambientais mutáveis. Por exemplo, se um verão inusitadamente quente resultar num aumento de crescimento de algas num lago, algumas espécies de peixes que se alimentam dessas algas podem prosperar e se proliferar mais, de modo que seu número aumente e eles comecem a exaurir a população das algas. Quando sua principal fonte de alimentos for reduzida, os peixes começarão a desaparecer. Com a queda da população dos peixes, as algas se recuperarão e voltarão a se expandir. Desse modo, a perturbação original gera uma flutuação em torno de um laço de realimentação, o qual, finalmente, levará o sistema peixes/algas de volta ao equilíbrio.
(r) Perturbações desse tipo acontecem durante o tempo todo, pois coisas no meio ambiente mudam durante o tempo todo, e, desse modo, o efeito resultante é a transformação contínua. Todas as variáveis que podemos observar num ecossistema - densidade populacional, disponibilidade de nutrientes, padrões metereológicos, e assim por diante - sempre flutuam. É dessa maneira que os ecossistemas se mantêm num estado flexível, pronto para se adaptar a condições mutáveis. A teia da vida é uma rede flexível e sempre flutuante. Quanto mais variáveis forem mantidas flutuando, mais dinâmico será o sistema, maior será a sua flexibilidade e maior será sua capacidade para se adaptar a condições mutáveis.
(s) Todas as flutuações ecológicas ocorrem entre limites de tolerância. Há sempre o perigo de que todo o sistema entre em colapso quando uma flutuação ultrapassar esses limites e o sistema não consiga mais compensá-la. O mesmo é verdadeiro para as comunidades humanas. A falta de flexibilidade se manifesta como tensão. Em particular, haverá tensão quando uma ou mais variáveis do sistema forem empurradas até seus valores extremos, o que induzirá uma rigidez intensificada em todo o sistema. A tensão temporária é um aspecto essencial da vida, mas a tensão prolongada é nociva e destrutiva para o sistema. Essas considerações levam à importante compreensão de que administrar um sistema social - uma empresa, uma cidade ou uma economia - significa encontrar os valores ideais para as variáveis do sistema. Se tentarmos maximizar qualquer variável isolada em vez de otimizá-la, isso levará, invariavelmente, à destruição do sistema como um todo.
(t) O princípio da flexibilidade também sugere uma estratégia correspondente para a resolução de conflitos. Em toda comunidade haverá, invariavelmente, contradições e conflitos, que não podem ser resolvidos em favor de um ou do outro lado. Por exemplo, a comunidade precisará de estabilidade e de mudança, de ordem e de liberdade, de tradição e de inovação. Esses conflitos inevitáveis são muito mais bem-resolvidos estabelecendo-se um equilíbrio dinâmico, em vez de sê-lo por meio de decisões rígidas. A alfabetização ecológica inclui o conhecimento de que ambos os lados de um conflito podem ser importantes, dependendo do contexto, e que as contradições no âmbito de uma comunidade são sinais de sua diversidade e de sua vitalidade e, desse modo, contribuem para a viabilidade do sistema.

Diversidade e resiliência
(u) Nos ecossistemas, o papel da diversidade está estreitamente ligado com a estrutura em rede do sistema. Um ecossistema diversificado será flexível, pois contém muitas espécies com funções ecológicas sobrepostas que podem, parcialmente, substituir umas às outras. Quando uma determinada espécie é destruída por uma perturbação séria, de modo que um elo da rede seja quebrado, uma comunidade diversificada será capaz de sobreviver e de se reorganizar, pois outros elos da rede podem, pelo menos parcialmente, preencher a função da espécie destruída. Em outras palavras, quanto mais complexa for a rede, quanto mais complexo for o seu padrão de interconexões, mais elástica ela será. Nos ecossistemas, a complexidade da rede é uma consequência da sua biodiversidade e, desse modo, uma comunidade ecológica diversificada é uma comunidade elástica. Nas comunidades humanas, a diversidade étnica e cultural pode desempenhar o mesmo papel. Diversidade significa muitas relações diferentes, muitas abordagens diferentes do mesmo problema. Uma comunidade diversificada é uma comunidade elástica, capaz de se adaptar a situações mutáveis.
(v) No entanto, a diversidade só será uma vantagem estratégica se houver uma comunidade realmente vibrante, sustentada por uma teia de relações. Se a comunidade estiver fragmentada em grupos e em indivíduos isolados, a diversidade poderá, facilmente, tornar-se uma fonte de preconceitos e de atrito. Porém, se a comunidade estiver ciente da interdependência de todos os seus membros, a diversidade enriquecerá todas as relações e, desse modo, enriquecerá a comunidade como um todo, bem como cada um dos seus membros. Nessa comunidade, as informações e as idéias fluem livremente por toda a rede, e a diversidade de interpretações e de estilos de aprendizagem - até mesmo a diversidade de erros - enriquecerá toda a comunidade.

Conclusão aberta
Os princípios da ecologia - interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade, diversidade são os sustentabilidade. A sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica, da nossa capacidade para entender esses princípios da ecologia e viver em conformidade com eles.

11 comentários:

  1. Regina Reinart (ITESP)20 de março de 2009 12:03

    F. Capra nos convida à profissão que eu chamaria EDUCADORES DA ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA. Não seriamos mais somente açougeiros, biblistas ou carpenteiros, nem enfermeiras, fotógrafos ou jornalistas. Não atuaríamos mais somente como padeiros, tradutores ou zoólogos. Mas todas e todos nós nos tornaríamos EDUCADORES DA ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA. Saindo do nosso quintal, nós nos direcionaríamos ao palco planetal com o olhar para a plateia social-ambiental e artisticamente interagindo com todo elenco (com os seres abiótico e biótico - cf. definição da ecologia F. Capra). Os princípios da peça teatral são claros: interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade, diversidade. Como BIO-ATORES INTEGROS sabemos nosso papel pessoal e nossa responsabidade comunitária. Somos nós os diretores! Somos nós que vamos aplaudir! Nosso agir em cada momento da peça da vida e em todos os níveis (especialmente no nível comercial) precisa ser analisado e avaliado. Uma atitude crítica diante do mercado que nos informa erradamente e uma reforma ecológica dos impostos são essenciais.

    Vivendo já 18 anos em culturas e terras diferentes, vejo que a flexibilidade e aceitação da diversidade se tornaram atitudes fundamentais. Como EDUCADORES DA ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA precisamos buscar um profundo conhecimento do palco planetal, pensando nele como um todo o tempo todo. Isso significa que nós nos posicionaríamos de mil jeitos, sempre a procura da expressão mais adequada, para que transmitamos com vitalidade o sentido da vida. O CORPO deseja elasticidade, pois está sempre se adaptando e se movimentando, sensível ao seu redor e respeitando o espaço por inteiro.

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  2. Lúcio Bento de Souza - FAJE23 de março de 2009 11:30

    O texto “Ecoalfabetizando e Sustentabilidade”, escrito por Capra, é bastante instrutivo e inspirador. Sua exposição sobre “reciclagem e energia renovável”, de modo especial, chama a nossa atenção para a importância de apreendermos com a natureza a reciclar nossos resíduos e a produzir energia renovável. Da minha parte, gostaria de comentar a respeito da reciclagem. A comparação feita entre o nosso sistema econômico (sistema industrial de extração, produção, comercialização e consumo de bens) e os processos ecológicos cíclicos existentes na natureza nos faz pensar sobre a estrutura insustentável que criamos para organizar nossa habitação na Terra. Infelizmente, com uma crescente produção e descarte de resíduos na natureza, estamos ferindo gravemente nossa Casa-Comum e inviabilizando a vida presente e futura. Não só estamos inviabilizando nossa vida e das gerações futuras, mas a sustentabilidade da vida de todo o Ecossistema. Afinal, nós participamos da vida juntos e em relações de interdependência todos os seres existentes na Natureza. Nesse sentido, partindo de um ponto de vista religioso-cristão e pastoral, pergunto pela nossa participação no processo de educação ambiental para uma vida sustentável. Chamo a atenção, sobretudo, para o trabalho de conscientização e promoção de ações na linha da reciclagem dos resíduos produzidos por nós. Evidente que carecemos de medidas a nível global, no entanto, acredito que devemos considerar, com maior concentração de energia, a fundamental importância de iniciativas e experiências locais. Trata-se de, a partir das pequenas células, ir gerando uma consciência ecológica e despertando novas ações e atitudes em relação ao consumo dos bens e a reciclagem dos resíduos descartados por nós na natureza. Acredito muito na ação evangelizadora das igrejas locais em parceria com iniciativas governamentais, privadas e ONGs em prol da educação para uma gestão ambiental sustentável. Arrisco afirmar a importância de, enquanto “Povo de Deus”, considerarmos a questão ambiental como realidade pastoral carente de atenção e ação em nossas comunidades eclesiais particulares. Não só na perspectiva de uma pastoral especifica, mas na interação do tema da ecologia nas demais pastorais como catequese, pastoral familiar, pastoral litúrgica etc. Acredito ser de vital importância o maior investimento de atenção e energia, por meio da ação evangelizadora, na conscientização sobre a questão ecológica e na iniciativa de ações concretas a esse respeito e, especialmente, na linha da reciclagem de resíduos; sem abandonar a luta por medidas globais, mas agindo concretamente nas bases ou esferas particulares da sociedade.

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  3. A proposta de Capra é desafiadora, e comporta nada mais e nada menos que uma virada de 360º, isto é, passar de uma sociedade altamente polarizada, baseada encima de uma mentalidade predatória, onde só poucos têm voz e vez, para uma sociedade interdipendente, que valoriza as diversidades, trabalha em parceiria e respeita e partilha os recursos a disposição. Marx falaria de desalienar ou descosifiicar o ser humano, e a natureza, para que possam se desenvolver como tais e o ser humano volte a ser pessoa e não objeto, usado e abusado na produção de riqueza à mercê de poucos privilegiados. Nós poderíamos falar de não descartabiliade dos seres humanos e da natureza. A proposta é sugestiva e interessante, só falta saber como chegar a esta mudança radical, como implementar concretamente isso. A breve isso parece quase que impossível. Normalemente as mudanças substanciais acontecem por necessidades históricas, as vezes por acontecimentos catastróficos, e só raramente por escolhas conscientes. Claro que há pessoas que já estão trabalhando neste sentido, mas são uma pequena elite, com pouca incidência real. Em uma sociedade baseada encima da trilogia produção - consumo - lucro, nas altas esfera economico-política ao máximo fala-se em reforma (ecológica?), mais como verniz para enfeitar o discurso do que como escolha verdadeira e vontade de mudar. E nas baixas esfera a preocupação e com a sobrevivência cotidiana. Alguém disse "que antes precisamos viver e depois podemos nos dedicar à filosofia". Fica também uma pergunta fundamental, em uma mudança econômica substancial, e a crise atual apontaria para isso, como ficam os mais pobres? Esta é uma boa pergunta que precisamos responder. Como dominuir o consumo, a depredação e, portanto, a produção, sem jogar milhões de pessoas na rua? A crise dá medo não por questões ecológicas estritas, mas pela perda do trabalho e portanto do salário e portanto do único meio para viver. Isso é que eu chamaria de ecologia humana.

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  4. Omir Oliveira - svd - ITESP - SPaulo24 de março de 2009 17:41

    Como é interessante perceber que o ecossistema tem a capacidade de ensinar-nos a viver de forma nova e saudável. É interessante porque sempre aprendemos que aos seres humanos foi dada a capacidade de dominar a natureza, e assim o fez por longos anos de forma incorreta e autoritária. Chegando agora perto de um caos ecológico, esses mesmos seres humanos tentam agora re-aprender como lidar com as coisas básicas da vida tendo com seus professores a própria natureza.
    Acho fascinante esta idéia da diversidade que o texto de Capra nos apresenta quando fala: “quando uma determinada espécie ´destruída por uma perturbação séria, de modo que um elo da rede seja quebrado, uma comunidade diversificada será capaz de sobreviver e de se reorganizar, pois outros elos da rede podem, pelo menos parcialmente, preencher a função da espécie destruída.” É o que se diz quando se fala da unidade na diversidade. Muitos elementos embora diversos, se unem numa só direção: a sobrevivência de todos.
    Pena que os seres humanos ainda pensam de uma outra forma: tirar o quanto mais para a sua própria sustentração não se importando com as consequencias que isto trará para outrem ou para o ecossistema de forma geral. O importante neste pensamento é a minha própria satisfação; pensamento um tanto quanto reduzido e egoista.
    Estamos sempre buscando fórmulas de rejuvenescimento, de como viver mais, etc. Aqui está um grande exemplo de como nós seres humanos ainda temos muito que aprender para conseguir chegar à longividade que procuramos.

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  5. Ser ecologicamente alfabetizado ou ecoalfabetizado é perceber, ou seja, redescobrir que fazemos parte de um todo, um universo de elementos interligados, que naturalmente formam uma rede de relações, "A teia da vida". Somos todos partes desta teia inseparável de relações.
    Nesta interdependência está intrínseco os valores fundamentais da existência da vida.
    Tudo está em relação, conforme F. Capra,a dependência mútua de todos os processos vitais, é a fonte de todas as relações ecológicas.
    Reconectar-se com a teia da vida deve levar-nos a uma profunda reflexão: uma partícula faz parte desta conexão.
    Reconhecer e resgatar esta interdependência será a resposta para criar e recriar comunidades humanas sustentáveis.
    Pensar de forma responsável pode ser a chave para um novo e urgente paradigma. Negligenciar os processos cíclicos em busca do lucro desenfreado nos levará ao caos.
    "Equilíbrio" é a palavra de ordem onde flexibilidade e diversidade dão as mãos e permitem que os ecossistemas sobrevivam e se adaptem as condições mutáveis.
    Somos chamados a dar a nossa contribuição.
    Conflitos e contradições sempre estarão presentes na comunidade, na sociedade, porém o conhecimento de ambos os lados do conflito, pode levar a um momento de discernimento e mudanças que nos levará a responder:"O que vamos deixar as futuras gerações?".

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  6. Novamente a Natureza mostra-nos como podemos viver bem. A experiência de miles de anos ensinamos, ou melhor, nos alfabetiza para poder conservar o melhor possível nossa casa-comum. Os ecossistemas mostram como é fundamental encontrar o equilibrio e a sustentabilidade na nossa comunidade humana, mas não só para poder conviver em harmonia, aliás para aprender a nos relacionar em harmonia como a Natureza, com o mundo, como a mãe Terra. Mas temos que ser conscientes das dinânicas contrárias que nos apartam da verdadeira relação de interdependência com a Natureza, do contrário o desequilíbrio, pode levar à extinção da vida humana.

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  7. Elias Amorim de Oliveira FAJE1 de outubro de 2009 08:31

    O desequilíbrio da teia da vida exige do ser humano uma reorientação de seus desígnios. Que ele possa usufruir dos bens vitais, mas alfabetizar-se ecologicamente, praticar a sustentabilidade e a revitalização das comunidades para que a vida se perpetue de forma digna no planeta. A dinâmica dos sistemas vivos oferece os elementos necessários à união entre as comunidades humanas e ecológicas, proporcionando aprendizado co-existencial e harmonização. Os princípios ecológicos da interdependência, reciclagem e energia renovável, parceria, flexibilidade, diversidade e resiliência servirão de baliza para se construir este novo modo de se viver e relacionar.

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  8. A IDÉIA DA INTERDEPENDÊNCIA FAZ COM QUE LANCEMOS MÃO DO NOSSO SER AUTO-SUFICIENTE E ENTREMOS NA REDE DE RELAÇÕES DA QUAL INDEPENDENTE DELA NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA. TODOS OS SERES ESTÃO EM RELAÇÃO E SUBSISTEM NA INTERATIVIDADE UM COM O OUTRO. DIZER QUE SOU CAPAZ DE VIVER SOZINHO É IRREAL - O ESSENCIAL DA VIDA É A INTERDEPENDÊNCIA, NA COOPERAÇÃO ENTRE OS SERES SE DESENVOLVE A VIDA. O CUIDADO DE CADA ESPÉCIE DE PLANTA OU ANIMAL É CUIDADO DE SI MESMO, POIS DEPENDEMOS DE TUDO QUE EXISTE NO MUNDO.

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  9. A proposta de Ecoalfabetização de Capra é muito interessante. Aprender com os ecossistemas COMO VIVER DE MANEIRA SUSTENTÁVEL. As lições são inúmeras...
    Fico pensando no grande paradoxo que são as inúmeras conquistas científicas e tecnológicas, as grandes descobertas que facilitam a vida do homem (e mulher) moderno e pós moderno, tais como os meios de transporte e de comunicação sofisticadíssimos, a descoberta da cura de inúmeras doenças – só para citar um dos poucos exemplos do que a humanidade é capaz - e a possibilidade da extinção da vida no planeta por causa da irresponsabilidade humana que vê esta “Casa Comum” como um grande depósito de “mercadorias” à disposição para ser consumida como quiser, uma espécie de “saco sem fundo”. Somos capazes de coisas grandiosas e paradoxais, tais como, garantir uma melhor qualidade de vida aos seres humanos e a todos os seres ou destruir tudo o que o criador nos deixou e o que com sua graça conseguimos conquistar.
    As grandes lições da ecologia: interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade nos educam a viver de maneira responsável e sustentável. Achei muito interessante as comparações que Capra faz entre ECONOMIA e ECOLOGIA. Enquanto ambas, cada uma a seu modo, deveriam nos ajudar a organizar a “Casa” da melhor forma possível, a primeira normalmente se orienta pela competição, expansão e dominação, enquanto a segunda nos dá lição de cooperação, conservação e parceria.
    Que tal educar a Economia na escola da Ecologia?

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  10. Jose Armando Vicente, Faje20 de abril de 2010 09:07

    Ecoalfabetização e sustentabilidade
    Resumo do artigo:

    Tese:
    Os ecossistemas, isto é, as plantas, os animais e os microorganismos são comunidades sustentáveis, porque se organizam a partir do mesmo padrão. Os princípios ecológicos, interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade, diversidade, são os da sustentabilidade.

    Interdependência: todos os membros de uma comunidade ecológica estão interligados numa vasta e intricada rede de relações. O comportamento de cada membro vivo do ecossistema depende do comportamento de muitos outros. O sucesso da comunidade depende do sucesso de cada um dos seus membros...

    Reciclagem: todos os organismos de um ecossistema produzem resíduos, porém o que é resíduo para uma espécie é alimento para a outra, de maneira que o ecossistema como um todo permanece livre de resíduos.

    Parceria: Significa cooperação e “coevolução”. À medida em que uma parceria se processa, cada parceiro passa a entender melhor as necessidades dos outros.. Nessa parceria, ambos os parceiros aprendem e mudam – eles coevoluem.

    Flexibilidade: são os múltiplos laços de realimentação, que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver um desvio com relação à norma, devido a condições ambientais mutáveis.

    Diversidade: Um ecossistema diversificado contém muitas espécies com funções ecológicas sobrepostas que podem, parcialmente, substituir umas às outras. Diversidade significa relações diferentes, muitas abordagens diferentes do mesmo problema.

    Ecoalfabetização: Ser ecologicamente alfabetizado significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis. É preciso revitalizar nossas comunidades – inclusive nossas comunidades educativas, comerciais e políticas – de modo que os princípios de ecologia se manifestem nelas como princípios de educação, de administração e de política. É preciso aprender com os ecossistemas como viver de maneira sustentável. A sabedoria da natureza é a essência da eco-alfabetização. Os princípios básicos da ecologia serão utilizados como diretrizes para construir comunidades sustentáveis.

    Jose Armando

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  11. Julio César, FAJE22 de junho de 2010 11:15

    A sustentabilidade tem sua razão de ser nos princípios ecológicos apresentados no artigo. Tais princípios (interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade, diversidade), nos ensinam que é possível um desenvolvimento em nosso mundo que garanta vida a nós e às futuras gerações. O cuidado com o meio ambiente em que habitamos torna-se fundamental para que se gere uma vida sadia e harmoniosa. Cada vez mais, o homem é chamado a se despertar para o que há de mais genuíno em sua vocação de filho de Deus: a responsabilidade e o cuidado para consigo e com o mundo em que vive. Uma alfabetização ecológica se faz urgente para a compreensão dos princípios de ecologia e a nossa relação com o meio ambiente. Desta conscientização é que dependerá o futuro da nossa humanidade.

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