quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Economia de mercado e a vida do planeta

Leonardo Boff

O documento final da Rio+20 apresenta um cardápio generoso de sugestões e de propostas, sem nenhuma obrigatoriedade, com uma dose de boa vontade comovedora mas com uma ingenuidade analítica espantosa, diria até, lastimável. Não é uma bússula que aponta para o “futuro que queremos” mas para a direção de um abismo. Tal resultado pífio se tributa à crença quase religiosa de que a solução da atual crise sistêmica se encontra no veneno que a produziu: na economia.
Não se trata da economia num sentido transcendental, como aquela instância, pouco importam os modos, que garante as bases materiais da vida. Mas da economia categorial, aquela realmente existente que, nos últimos tempos, deu um golpe a todas as demais instâncias (à política, à cultura e à ética) e se instalou, soberana, como o único motor que faz andar a sociedade. É a “Grande Transformação” que já em 1944 o economista húngaro-norteamericano Karl Polanyi denunciava vigorosamente. Este tipo de economia cobre todos os espaços da vida, se propõe acumular riqueza a mais não poder, tirando de todos os ecossistemas, até à sua exaustão, tudo o que seja comercializável e consumível, se regendo pela mais feroz competição. Esta lógica desequilibrou todas as relações para com a Terra e entre os seres humanos.

Face a este caos Ban Ki Moon, Secretário Geral da ONU, não se cansa de repetir na abertura das Conferências: estamos diante das últimas chances que temos de nos salvar. Enfaticamente em 2011 em Davos diante dos “senhores do dinheiro e da guerra econômica”declarou:”O atual modelo econômico mundial é um pacto de suicídio global”. Albert Jacquard, conhecido geneticista francês, intitulou assim um de seus últimos livros:”A contagem regressiva já começou?”(2009).

Os que decidem não dão a mínima atenção aos alertas da comunidade científica mundial. Nunca se viu tamanha descolagem entre ciência e política e também entre ética e economia como atualmente. Isso me reporta ao comentário cínico de Napoleão depois da batalha de Eylau ao ver milhares de soldados mortos sobre a neve:” Uma noite de Paris compensará tudo isso”. Eles continuam recitando o credo: um pouco mais do mesmo, de economia e já sairemos da crise. É possível o pacto entre o cordeiro(ecologia) e o lobo(economia)? Tudo indica que é impossível pois o lobo sempre devorará o cordeiro.

Podem agregar quantos adjetivos quiserem a este tipo vigente de economia, sustentável, verde e outros, que não lhe mudarão a natureza. Imaginam que limar os dentes do lobo lhe tira a ferocidade, quando esta reside não nos dentes mas em sua natureza. A natureza desta economia é querer crescer sempre, a despeito da devastação do sitema-natureza e do sistema-vida. Não crescer é prescrever a própria morte. Ocorre que a Terra não aquenta mais esse assalto sistemático a seus bens e serviços. Acresce a isso a injustiça social, tão grave quanto a injustiça ecológica. Um rico médio consome 16 vezes mais que um pobre médio. Um africano tem trinta anos a menos de expectativa de vida que um europeu (Jaquard, 28).
Face a tais crimes como não se indignar e não exigir uma mudança de rumo? A Carta da Terra nos oferece uma direção segura :”Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração; requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal…para alcançarmos um modo sustentável de vida nos níveis local, nacional, regional e global”(final). Mudar a mente implica um novo olhar sobre a Terra não como o “mundo-máquina” mas como um organismo vivo, a Terra-mãe a quem cabe respeito e cuidado.
Mudar o coração significa superar a ditadura da razão técnico-científica e resgatar a razão sensível onde reside o sentimento profundo, a paixão pela mudança e o amor e o respeito a tudo o que existe e vive. No lugar da concorrência, viver a interdependência global, outro nome para a cooperação e no lugar da indiferença, a responsabilidade universal, quer dizer, decidir enfrentar juntos o risco global.
Valem as palavras do Nazareno:”Se não vos converterdes, todos perecereis”(Lc 13,5).
(Título original do artigo: O impossível pacto entre o lobo e o cordeiro)

4 comentários:

  1. De fato, surgirão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e prodígios capazes de enganar, se possível, até os eleitos. (São Marcos 13,22)
    Esses tais são falsos apóstolos, operários fraudulentos, disfarçados em apóstolos de Cristo.
    E não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. (II Coríntios 11,13)

    Como entre o povo antigo houve falsos profetas, também entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão sorrateiramente facções perniciosas, chegando até a renegar o Soberano que os resgatou. Eles atrairão sobre si repentina perdição. (II São Pedro 2,1)

    Os falsos cristos e profetas, apóstolos e mestres de hoje são da Teologia da Libertação e ambientalistas marxistas.


    http://ipco.org.br/home/noticias/proposta-da-nova-%E2%80%9Creligiao%E2%80%9D-ambientalista-e-publicada-incomoda-e-some

    Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. (São Lucas 12,2)
    http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2012/11/se-for-pelo-petroleo-o-apocalipse-ainda.html




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  4. A hipótese Gaia é uma mentira, o aquecimento global é um debate político, nunca foi científico, é outra mentira inventado por mentes doentias em busca de poder. Eis a instituição Clube de Roma que dizia já nos anos 70: " A Terra tem um câncer, e o câncer é o homem".

    "No lugar de representantes eleitos, eles querem que burocratas e tecnocratas sem rosto de orgão como as Nações Unidas determinem que caminhos o mundo deve seguir. a ideia é que a salvação do planeta é tão importante que não pode ser confiada a indivíduos, nem sequer a governos de cada país. Seria preciso uma elite iluminada, do alto de uma espécia de governo global, para fazer o que é certo. Seria, claro, um fascismo global. Está nos livros do Clube de Roma e nos textos de Maurice Strong, idealizador da Eco 92." James Delingpole, jornalista inglês.

    Até o ambientalista que inventou a Hipótese Gaia, James Lovelock, reconheceu que estava errado. Já que os dados não sustentam suas conclusões.

    Chega de mentira, o Rio +20 queria que o mundo todo adotace o método abortivo, graças ao Vaticano e outros países, não conseguiram.

    Seu blog e a ideologia dos melancias, ambientalistas marxistas e radicais tem tudo haver com essa passagem das Sagradas Escrituras:

    Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram a criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Ámen. (Romanos 1,25)

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