segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ajude nossa campanha pela Amazônia (URGENTE)

Nosso blog aderiu a esta causa. Colabore você também.

Temos pouco tempo para salvar e defender a Amazônia! Assine essa petição urgente e exija que os Senadores e Senadoras revisem essa proposta absurda e rejeitem qualquer autorização que permita a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia.

A Amazônia Legal é uma região importante, que comporta diferentes biomas, como Amazônia, Campos Gerais e Cerrado. Ela é vital para a fauna e flora e para uma parcela significativa da população brasileira e indígena (56% vivem na Amazônia Legal). Entretanto, há em andamento no Senado Federal uma proposta que autoriza o plantio de cana-de-açúcar nesta região, o que pode gerar consequências devastadoras para o meio ambiente, como perda da biodiversidade, e ameaçar a sobrevivência de populações indígenas e tradicionais.

É hora de preservar e defender a Amazônia! Assine a petição e exija que Senadores e Senadoras revisem este projeto de lei e rejeitem qualquer menção sobre a autorização de plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal.

Clique aqui para assinar a petição e envie para todos:

http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160

Senadores a favor da floresta estão fazendo todo o possível para garantir que esse projeto de lei não seja levado à Câmara dos Deputados, onde os donos de terra têm a maioria e podem fazer vistas grossas para a lei, aprovando-a sem discussão. Treze senadores já se comprometeram. Porém, eles precisam do maior apoio possível para continuar fortes em sua posição. Se milhares de nós nos unirmos agora em uma só voz assinando a petição criada pela Action Aid Brasil , podemos dar a estes senadores o apoio de que eles precisam, e conseguiremos mais adesão no Senado contra o lobby, impedindo a pressão econômica para a devastação da Amazônia. Temos pouco tempo!

http://www.avaaz.org/po/petition/Canadeacucar_na_Amazonia_NAO/?busRdbb&v=25160

sábado, 18 de maio de 2013

O Espírito Santo na criação

Adaptado de J. Moltmann
Dios en la creacíon, Salamanca: Sígueme, p. 22-26

“A criação é um acontecimento trinitário: o Pai cria pelo Filho no Espírito. Conseqüentemente, a criação foi realizada por Deus, conformada por meio de Deus e existe em Deus”.
O Espírito leva a termo a atuação do Pai e do Filho. O Deus uno e trino inspira sua criação sem interrupção alguma. “Tudo quanto é, existe e vive sob o permanente afluxo das energias e possibilidades do Espírito cósmico”. Assim, compreende-se a realidade criada em chave energética e a consideramos como possibilidade realizada do Espírito divino. “O criador mesmo está presente em sua criação, mediante as energias e possibilidades do Espírito (..) Entra nela e é, ao mesmo tempo, imanente a ela”.
O fundamento bíblico para a “criação no Espírito” é o Sl 104, 29s: Escondes teu rosto e se aniquilam, retiras teu sopro e expiram, e ao pó retornam. Envias teu sopro e são criadas, e renovas a face da terra. Assim, “as criaturas são criadas com o afluxo permanente do Espírito divino, existem no Espírito e são renovadas mediante ele”.

Como Ruah é feminino em hebraico, deve-se captar a vida divina da criação com metáforas femininas. É o caso também da visão da sabedoria da criação, filha de Deus (Prov 8,22-31). Até nossos dias não se desenvolveu teologicamente a sabedoria da criação e o conceito teológico da criação no Espírito.
Se o Espírito Santo é derramado sobre toda criatura, então a fonte da vida está presente em tudo o que é e vive. As criaturas manifestam a presença da divina fonte da vida. Ora, o Espírito cria a comunhão de todas as criaturas com Deus e entre elas mesmas. Então, “a existência, a vida e o tecido das relações recíprocas subsistem no Espírito: nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28).
Aqui há uma mudança de perspectiva. Superando a teoria mecanicista, vemos que as relações são tão primigênias como as coisas. “Tudo existe, vive e se move em outros, com outros, para outros, nas conexões cósmicos do Espírito divino” (..) Da e na comunhão do Espírito divino nascem os modelos e simetrias, os movimentos e os ritmos, os campos e os conglomerados materiais da energia cósmica.

O ‘ser’ da criação no Espírito é, pois, a cooperação, e as conexões manifestam a presença do Espírito na medida em que permitem conhecer a harmonia global”. Como diz M. Buber: no princípio era a relação.
Não é um panteísmo, pois o Espírito de Deus atua introduzindo-se no mundo sem confundir-se com ele. E este mundo está aberto ao futuro do Reino da glória, “que renovará, unirá e consumará a terra e o céu”.
O Espírito Santo atua na criação como sujeito, como força e como possibilidade. O Espírito que cria, também conserva, renova e leva à consumação todos os seres.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Água nossa de cada dia

Marcelo Barros
22 de março é o dia internacional da água. Neste ano, a data ganha importância maior porque a ONU lançou 2013 como ano mundial da cooperação pela água. O objetivo da iniciativa é incentivar o relacionamento social positivodas pessoas e comunidades, a partir da água como instrumento de relação. É bom nos perguntarmos que consequência isso pode ter para o mundo, ou seja, depois dessa celebração, o que ficará como consequência. A cada ano se repete que a água não é um bem ilimitado. Ao contrário do que parecia antigamente, se esgota. Regiões antigamente ricas em água, hoje, são desérticas.

Outro ponto fundamental é o reconhecimento de que a água é uma necessidade essencial de todo ser vivo. Por isso, é direito básico de toda a humanidade, assim como dos animais e plantas. Sem água nenhum ser vivo pode viver. A ONU também revela que, cada vez mais os conflitos entre nações ocorrem não mais simplesmente por territórios, mas pelo direito do uso de águas de rios e lagos. Em Israel, o governo israelita desviou as águas do rio Jordão e canalizou-as em tubos subterrâneos, de forma que os acampamentos e assentamentos palestinos não podem delas se beneficiar. Um jornal palestino conta que na cidade de Caná da Galileia, onde, segundo a tradição, Jesus transformou a água em vinho, o prefeito atual da cidade declarou: "Se, hoje, Jesus voltasse por aqui, nós lhe pediríamos para transformar vinho em água”.

O Brasil detém 12% de toda água doce do mundo, mas como em todo o planeta, essa distribuição é desigual e problemática. O Nordeste brasileiro enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos. No cerrado e em todo o planalto central, as pesquisas revelam uma assustadora diminuição das fontes de água e do nível hidrográfico dos rios. Nessa região sempre houve secas. Hoje, é diferente a intensidade e a frequência com que esses fenômenos ocorrem. Diferentemente de antes, agora, com o desflorestamento e a destruição da natureza, é a sociedade humana que provoca desastres ecológicos como secas, terremotos e inundações.

Infelizmente as religiões e tradições espirituais que deveriam dar à humanidade uma cultura amorosa de relação com a terra e as águas, não têm vivido com êxito essa missão. A maioria das tradições espirituais acredita que a vida nasceu a partir das águas e por isso a água é sempre símbolo e instrumento do Espírito de Deus. Na Bíblia e nos evangelhos, Jesus promete o Espírito Santo como água viva que quem beber jamais terá sede. Em vários países, cristãos e pessoas conscientes dessa espiritualidade têm vencido importantes lutas legais contra a privatização da água e têm participado de comissões de defesa de rios, lagos e fontes de água. Nesse ano da cooperação mundial da água, as comunidades cristãs são chamadas a verem a água como instrumento de comunhão entre as pessoas e da solidariedade entre os povos. É possível e bom aprofundar a relação entre pessoas, como também entre povos através da partilha da água comum. Assim como os cristãos reconhecem na partilha do pão o próprio Jesus presente, agora somos convidados a testemunhar o Espírito Divino presente em cada pouco d´água que partilhamos como sacramento da presença e ação do Espírito Mãe da Vida.

domingo, 17 de março de 2013

Pobres perdem mais tempo no trânsito

As famílias na faixa de renda 10% mais baixa do Brasil perdem, em média, 20% mais tempo no trânsito por dia em deslocamentos de casa para o trabalho do que as famílias na faixa de renda 10% mais alta. Na prática, duas em cada dez pessoas entre os mais pobres do país levam pelo menos uma hora para chegar em casa. Os dados são parte da pesquisa "Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil (1992-2009): diferenças entre regiões metropolitanas, níveis de renda e sexo", publicado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A pesquisa é baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e explicita consequências da priorização de investimentos em transporte público e a desigualdade hoje vigente no trânsito. De acordo com Rafael Henrique Moraes Pereira, que escreveu o estudo com Tim Schwanen, o modelo rodoviarista, no qual são priorizadas a abertura, alargamento e expansão de avenidas, e a construção de túneis e viadutos, pode ser comparado a um "buraco negro" de investimentos de recursos e deve ser repensado. "A priorização [de investimentos em infraestrutura para carros] teve impacto de piorar o trânsito e não melhorar. Não adianta aumentar a capacidade de fluxo porque no médio e longo prazo a via vai saturar e, todo investimento feito para facilitar, embora tenha dado resultado no curto prazo, será perdido", defende.

 Ele ressalta que a situação é especialmente delicada nas metrópoles. A pesquisa que conduziu considera a situação das nove maiores regiões metropolitanas e do Distrito Federal. "Nas grandes cidades, é preciso investimento pesado em transporte público de alta capacidade, metrô, faixa de ônibus. Nas situações mais extremas, onde a taxa de motorização é muito alta, faz sentido até pensar em medidas de desestímulo ao transporte individual e estímulo ao transporte público (..) Uma coisa é desestimular o consumo do transporte privado, outra é desistimular o uso. Ter o carro em si não é tão problemático - na Europa, em algumas cidades, a taxa de motorização é alta. Só que o uso lá é mais racional. A gente tende a ser mais pró a taxação do uso do automóvel, com imposto sobre combustível, estacionamento, e até pedágio urbano nas regiões centrais, do que sobre o consumo", ressalta.O pesquisador do Ipea afirma que outros levantamentos feitos indicam que os resultados das políticas públicas de incentivo de compra de automóveis e motos têm indicado resultados preocupantes. "A população mais baixa está saindo do transporte público e migrando para o individual. É uma crítica que a gente faz ao governo federal. As cidades do nordeste são mais pobres e existe um padrão asiático de motorização em curso, baseado em motocicletas", afirma, referindo-se a explosão do número de motos no interior do Brasil. "A tendência de piora com a motorização é grotesca em algumas cidades. Em Belém foi brutal".

São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as cidades com os piores congestionamentos do planeta. Nas duas, o tempo perdido no trânsito chega a ser 31% maior do que nas demais regiões metropolitanas do Brasil. Em ranking cidado no estudo que considera alguma das principais metrópoles do mundo, mas não todas, as duas capitais brasileiras ficam atrás apenas de Xangai no quesito congestionamento. O modelo de abertura de avenidas e priorização do fluxo automóveis que marcou o urbanismo das duas capitais no século passado é um dos fatores para o colapso no trânsito (..)
Os dados  sobre a desigualdade de tempo gasto no trânsito são subestimados. Por exemplo, no Distrito Federal as informações são referentes apenas à Brasília, mas tem um número considerável de cidades satélites que fazem parte da região metropolitana e não entram na conta. São regiões mais pobres, distantes, dependentes de transporte público.
Fonte: www.oeco.com.br

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O que é a logística reversa e responsabilidade compartilhada?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010 e Decreto 7.404/2010) estabeleceu a responsabilidade compartilhada entre as indústrias, importadores, distribuidores, comerciantes, serviços de limpeza pública e consumidores para a minimização dos resíduos e rejeitos e a redução dos impactos à saúde humana e ao meio ambiente decorrentes do ciclo de vida dos produtos. A logística reversa é o instrumento previsto para através de ações, procedimentos e meios adequados viabilizar a coleta e restituição pós consumo dos resíduos, embalagens, produtos com validade vencida, equipamentos obsoletos ou avariados aos setores empresariais para reaproveitamento nos ciclos produtivos ou outras destinações ambientalmente adequadas (Decreto 7.404/2010, artigos 13 a 18). Logística reversa é “o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, custo efetivo de matérias primas, estoques em processo, produtos acabados e informações relacionadas do ponto de consumo ao ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou disposição adequada”. (ROGERS; TIBBEN-LEMKBE, 1998).

A implantação da responsabilidade compartilhada será efetuada através de acordos setoriais e termos de compromissos que estabelecerão as diretrizes para que as empresas, independente dos serviços de limpeza pública, estruturem sistemas próprios e eficientes de retorno pós consumo. Os acordos setoriais podem ter diferentes abrangências geográficas – nacional, estadual, regional, municipal, sendo que os de menor abrangência podem ampliar, mas não diminuírem as medidas de proteção ambiental e as responsabilidades previstas nos mais amplos. As propostas para estes acordos e a logística reversa podem ser efetuadas pelas organizações empresariais interessadas ou pelo poderes públicos através de editais de chamamento explicitando os produtos retornáveis e as diretrizes que devem ser observadas durante seus ciclos de vida (Decreto 7.404/2010, artigos 19 a 31).

Para que as empresas – fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, possam adequar-se eficientemente à implantação dos sistemas de logística reversa estabelecidos nos acordos setoriais, é indispensável reorganização dos seus sistemas de a) produção, b) distribuição e comercialização e c) comunicação com os consumidores, incluindo-se a ampliação dos espaços organizacionais internos e das relações comunitárias dos empreendimentos. A implantação de gerências, departamentos, setores de logística reversa com infra estruturas adequadas e específicas são indispensáveis, inclusive para a seleção, capacitação e qualificação dos recursos humanos.
Para ver mais: http://www.ecodebate.com.br/2013/02/05/como-as-industrias-importadores-distribuidores-e-comerciantes-devem-preparar-se-para-os-acordos-setoriais-e-a-logistica-reversa-por-antonio-silvio-hendges/

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Alerta vermelho na nave azul

André Trigueiro
Um recurso natural finito, escasso e cada vez mais raro, absolutamente precioso para a vida da maioria absoluta das espécies – incluindo a nossa – justificou a realização de mais uma campanha de alcance planetário patrocinada pela ONU. Dez anos depois de as Nações Unidas elegerem o Ano Internacional da Água Doce (2003), o assunto retorna com força total agora em 2013, o Ano Internacional da Cooperação pela Água.

Em números a situação é a seguinte: 11% da população mundial ainda não acessam fontes seguras de água potável, e estão expostas a uma série de doenças de veiculação hídrica (mais de 40% dessas pessoas vivem na África Subsaariana). As principais vítimas são as crianças: mais de 3 mil óbitos por dia em todo o mundo, na maioria dos casos, por diarréia. Apesar disso, houve avanços importantes. Entre os anos de 1990 e 2010, mais de 2 bilhões de pessoas passaram a dispor de redes mais seguras de abastecimento de água. Esse esforço coletivo permitiu que o percentual de seres humanos alcançados por fontes mais confiáveis de água subisse para 89% (aproximadamente 6,1 bilhões de pessoas), acima da meta dos 88% traçados pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
O grande desafio continua sendo acelerar os investimentos em saneamento básico. Apenas 63% da população mundial têm acesso a saneamento de qualidade. Um dado curioso do relatório produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), é que aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo ainda fazem suas necessidades fisiológicas a céu aberto, sem banheiro. No topo do ranking aparece a Índia com 626 milhões de pessoas sem banheiro, seguida da China (14 milhões) e do Brasil (7,2 milhões).

É preocupante a lentidão com que o saneamento básico avança no Brasil. Segundo o IBGE, de2009 a2011, a expansão da coleta de esgoto foi de pouco mais de 3%. Para um país em que quase 40% dos domicílios não estão sequer conectados à rede coletora, é muito pouco. Para piorar a situação, em boa parte dos casos em que o esgoto é coletado, não há tratamento. Ou seja, há uma rede coletora construída sem que a destinação final seja adequada. O próprio governo federal reconhece que apenas 38% de todo o esgoto produzido no Brasil recebem algum tipo de tratamento. O resto impacta violentamente rios, lagos, manguezais e partes do nosso litoral.
São aproximadamente 15 bilhões de litros de esgoto sem tratamento despejados a cada dia no Brasil. Isso equivalente a 6,3 mil piscinas olímpicas saturadas de matéria orgânica. Segundo o Instituto Trata Brasil, aproximadamente 2.500 crianças morrem por ano no país por doenças causadas pela falta de saneamento básico, principalmente diarréia. Além da degradação dos ecossistemas, esse bombardeio diário de esgotos “in natura” em nossas águas determina o afastamento de 217 mil trabalhadores de suas respectivas atividades profissionais a cada ano por problemas gastrointestinais. A cada afastamento perdem-se 17 horas de trabalho, o que implica em custos adicionais de R$ 238 milhões por ano em horas-pagas e não trabalhadas. Culpa da água contaminada.

Enquanto ignoramos os índices escabrosos de poluição, e as estatísticas preocupantes de perda de água tratada na rede (algo em torno de 35%), alguns de nós ainda gostamos de lembrar com certo ar ufanista que o Brasil é o país campeão mundial de água doce, com 12% das reservas mundiais das águas superficiais de rios, sem contar o enorme volume do precioso líquido estocado nos aqüíferos Guarani e Amazônico. O problema é que a distribuição dessa água é extremamente desigual. A bacia do rio Amazonas – a maior bacia fluvial do mundo – concentra mais de 70% da água onde vivem apenas 8% da população brasileira. Já a região Sudeste, a mais populosa, que reúne 42% da população, tem apenas 6% da água. Além da geografia desigual, a água também é administrada de maneira sofrível por pessoas ou instituições sem competência técnica (ou a correta orientação política) para isso.
Segundo o “Atlas Brasil – abastecimento urbano de água : um diagnóstico dos mananciais superficiais e subterrâneos e sistemas de produção de água potável do país”, produzido pela Agência Nacional de Águas (ANA), “55% dos municípios brasileiros (3.059) que respondem por 73% da demanda por água no país, precisam receber até 2015 investimentos em seus sistemas de produção de água ou mananciais que somam R$ 22 bilhões para evitar problemas no abastecimento”. Esse alerta ainda não mereceu por parte dos tomadores de decisão a devida atenção.

“Os países hoje em dia são avaliados pela forma como sabem usar a água, e não pelo que têm de água. Porque é mais importante hoje saber usar a água que se tem do que ostentar a abundância”, me disse certa vez em entrevista o saudoso professor de Hidrologia da USP, Aldo Rebouças, um dos maiores especialistas no assunto. Também ele denunciava com farta argumentação o uso insustentável de água nas lavouras, que consomem aproximadamente 70% de toda a água doce do país. Para o especialista, as técnicas normalmente empregadas de irrigação (inundação, pivô central ou aspersores) desperdiçam muita água sem necessidade.
Por tudo isso, chega em boa hora o alerta da ONU em um mundo onde na última década ascenderam à classe média aproximadamente 400 milhões de pessoas. O incremento do consumo trouxe junto a explosão de demanda da chamada água virtual, aquela que a gente não vê, mas está presente nos sapatos, roupas, carros, eletrodomésticos, computadores, televisões, enfim, tudo o que é produzido. Não há crescimento econômico possível sem muita água sustentando os indicadores de produção e de consumo. Embora a população cresça, e o número de consumidores também, o estoque de água doce do planeta permanece inalterado há milhões de anos. Sem a promoção do uso inteligente, a falta de água para suportar o crescimento da demanda deverá se tornar crônica.

Reduzir a poluição e o desperdício; promover a cultura do uso inteligente da água em todos os níveis; capacitar gestores, acelerar os investimentos e monitorar os resultados. As soluções estão ao nosso alcance. Resta fazer.
Fonte: http://g1.globo.com/platb/mundo-sustentavel/2013/01/28/alerta-vermelho-na-nave-azul/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A civilização do lixo (1)

Entrevista de Graziela Wolfart a Maurício Waldman*
Fonte: IHU on-line. Texto condensado

De modo geral, como você define o problema do lixo na sociedade moderna?
Admite-se que atualmente exista um descarte mundial de 30 bilhões de toneladas de resíduos por ano. Os lixos já assumiram os contornos de uma calamidade civilizatória. Em termos mundiais, apenas a quantidade de refugos municipais coletados – estimada em 1,2 bilhões de toneladas – supera nos dias de hoje a produção global de aço, orçada em 1 bilhão de toneladas. Por sua vez, as cidades ejetam rejeitos – 2 bilhões de toneladas – que superam no mínimo em 20% a produção planetária de cereais, demonstrando que o mundo moderno gera mais refugo que carboidrato básico. Contudo, mesmo esta notável volumetria de resíduos parece não satisfazer a obsessão em maximizá-los. O resultado disso é uma autêntica cascata de lixos. Exemplificando, a população norte-americana cresceu quase 2,5 vezes entre 1960 e o ano 2000. Porém, o já magnânimo descarte dos Estados Unidos praticamente triplicou desde 1960. No ano 2020 a União Europeia estará descartando 45% mais rebotalhos do que em 1995. Na União Europeia, o lixo domiciliar se expandiu inclusive em países com evolução populacional pouco expressiva. No caso espanhol, sete anos (1996-2003), foram suficientes para incrementar os refugos em 40%.

E no Brasil, como se situa este problema?
O Brasil – ao lado de outras nações do hemisfério Sul – ocupa uma incômoda posição na questão dos refugos, tanto pelas proporções como pela média per capita. O lixo brasileiro supera a maioria das nações periféricas.  (Embora) corresponda a 3,06% da população mundial e 3,5% do PIB global, o Brasil é origem de um montante de 5,5% do total mundial dos resíduos sólidos urbanos. O país é um grande gerador mundial de lixo e deve assumir sua responsabilidade em contribuir para com a resolução do problema.

Quais os principais e mais urgentes desafios a serem enfrentados?
Precisamos adotar de verdade os famosos quatro “Rs” : repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. A ordem de aplicação é exatamente essa, começando com repensar e terminando com reciclar. Repensar a sistemática de ejeção dos lixos é fundamental, pois é um tema também pavimentado por injunções sociais, políticas e culturais. O país vivencia nos últimos 20 anos uma escalada na desova de descartes de uma forma que não têm precedentes. Entre 1991 e 2000 a população brasileira cresceu 15,6%. Porém, o descarte de resíduos aumentou 49%. Em 2009 a população cresceu 1%, mas a produção de lixo cresceu 6%. A metrópole paulista constitui o terceiro polo gerador de lixo no globo. Perde apenas para Nova York e Tóquio. São Paulo não é a terceira economia metropolitana do planeta. É a 11ª ou 12ª. Gera-se muito mais lixo do que seria admissível a partir de um parâmetro eminentemente econômico.

Qual a relação entre a questão do lixo e o consumo (e a consequente geração de lixo) como indicativo de desenvolvimento?
A cultura organizacional da modernidade, cuja mola mestra são ritmos cada vez mais velozes impostos à produção, obrigatoriamente tem na reposição constante dos bens uma meta estratégica da sua reprodução material. Trata-se de conduzir o consumo para a satisfação de necessidades que não se justificam em si mesmas, mas prioritariamente constituem pressuposto para a produção. Validar o dinamismo do  implica promover o descarte contínuo dos bens, ejetados pelo carrossel do consumo. Na perspicaz argumentação de Abraham Moles , vivemos numa civilização consumidora que produz para consumir e cria para produzir, um ciclo onde a noção fundamental é a de aceleração. Consequentemente, quanto mais rápida for a substituição das mercadorias, tanto mais encorpado será o giro do capital. Quando antes e quanto mais os produtos se tornarem inúteis, tanto maiores serão os lucros. Ainda que a contrapartida seja sobre-explorar os recursos naturais e, é claro, maximizar a geração de lixo. Como seria possível arrematar, este conceito de economia é caduco, ambientalmente irresponsável e não tem condição nenhuma de manter continuidade. Ele se tornou uma ameaça para o futuro da espécie humana. Urge redirecionar a economia para outras vertentes: qualidade de vida, preservação ambiental, utilização racional dos recursos naturais, revisão do estilo de vida e da economia dos materiais.

O que deveria fazer parte de um plano de gestão de resíduos municipal ideal?
As pessoas imaginam que seja possível criar um “plano padrão” para a gestão dos resíduos. Isto é, um programa capaz de ser aplicado em qualquer contexto. Por exemplo, as cidades de Marabá (Pará), Presidente Prudente (São Paulo) e São Leopoldo (Rio Grande do Sul) possuem contingente populacional semelhante, em torno de 200 mil habitantes. Mas isso não significa que uma estratégia de gestão bem sucedida em São Leopoldo possa ser repetida em Marabá ou em Presidente Prudente. Então, é importante obter dados do perfil do lixo de cada cidade, país ou região, assim como as dinâmicas responsáveis pela ejeção de descartes e, na sequência, trabalhar com os aspectos sociais, econômicos e culturais envolvidos naquilo que se joga fora. Não existe lixo: existem lixos. Expressão plural e não singular. Outro aspecto essencial é mudar a visão tradicional que observa o lixo unicamente como um resultado. Na realidade, o lixo reporta a um processo, a um dinamismo cujo monitoramento não tem como ser bem sucedido atendo-se a ele enquanto um resultado final. Objetivamente, o importante é pensar as causas, origem dos problemas – e não o fim da linha.

Quais são os principais fatores que envolvem o gerenciamento do lixo no plano municipal?
Existem duas diretrizes matriciais: uma de índole filosófica, dos quatro “Rs” e outra, atinente aos aspectos logísticos de gestão do lixo. O lixo brasileiro, que é dotado de uma série de especificidades que devem estar colocadas no centro das atenções. Em nome dessas peculiaridades que o trabalho dos catadores deve, por exemplo, ser protegido, incentivado e valorizado pelas administrações municipais. Mas isso é o oposto do que acontece na maioria dos casos. Estigmatizados socialmente, o trabalho dos catadores – que corresponde a mais de 98% dos materiais encaminhados às recicladoras – segue, a despeito do seu enorme valor social e ambiental, repudiado, quando não hostilizado abertamente, pelas administrações municipais (..) Tal situação requer revisão imediata.


Como estes fatores então devem ser levados em consideração?
O problema do lixo pode, ao menos, ser mitigado com o concurso de procedimentos inteligentes e práticas ambientalmente corretas. O volume de detritos orgânicos no lixo domiciliar brasileiro pende entre 52% a 69,6% do total. Tal é a magnitude da fração úmida no lixo residencial. Normalmente, o sistema de limpeza urbana desova toda essa portentosa massa de sobras nos aterros. Mas existem outras soluções. Deveríamos priorizar a educação ambiental, trabalhar contra o desperdício. O Brasil está entre os dez países que mais jogam comida no lixo, com perda média de 35% da produção agrícola. Cada família brasileira desperdiça cerca de 20% dos alimentos que adquire no período de uma semana e a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab estima perdas em grãos em torno de 10% da produção. Outras avaliações indicam que praticamente 64% do que é cultivado no país acaba lançado na lata de lixo. Isso é um contrassenso manifesto numa nação rotineiramente assediada por campanhas de combate à fome. Portanto, devemos atacar a raiz do problema e parar de pensar que gestão dos resíduos se resume a tirar saquinho da calçada. A gestão dos resíduos deve se situar antes do saquinho, e não depois dele (..)
O meio ambiente e as cidades lucrariam muito mais na hipótese de se universalizar a compostagem doméstica do que ficar investindo em caros sistemas de logística de coleta de resíduos, em aterros e incineradores. Com a adoção de minhocários domésticos, a redução do lixo orgânico pode alcançar a proporção de 95% do total. Isso significa que os gastos com coleta de lixo urbano podem retrair em até 50%. Consequentemente, haveria grande economia para o erário público, propiciando mais verba para saúde e educação. Mesmo que apenas uma parcela da população adote o sistema, ainda assim os ganhos seriam consideráveis.

*Maurício Waldman é escritor, professor universitário, pesquisador e consultor ambiental. Tem doutorado em Geografia pela USP. É pós-doutor pelo Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da Unicam. Foi chefe da coleta seletiva de lixo da capital paulista e coordenador do meio ambiente em São Bernardo do Campo. É coautor de Lixo: cenários e desafios ( Cortez Editora, 2010).
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tempo de Natal

Desde que Jesus nasceu em Belém, o mundo se tornou também casa de Deus.
A luz divina lentamente ilumina os seres humanos e os ecossistemas, em relação de interdependência.
Dá novo sentido à evolução do cosmos e a história, com suas belezas, ambiguidades e riscos.
Viva a Luz amorosa, com cheiro e cor de Ternura!
Feliz tempo de Natal!
Afonso Murad