quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mapeamento da biodiversidade

A ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou durante a Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP 10), em Nagoya, no Japão, que o Brasil está preparando um relatório sobre o valor dos ecossistemas e da biodiversidade. O objetivo é que o documento sirva como referência para futuras decisões políticas e para o desenvolvimento de uma economia sustentável. "É importante conciliar estratégias de desenvolvimento e manutenção da biodiversidade", disse a ministra.

O relatório brasileiro terá como referência o estudo "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e lançado durante a COP 10. O estudo internacional apontou o valor econômico de florestas, água, solo, animais, entre outros, bem como os custos ocasionados pela perda desses recursos. Segundo o Teeb, o custo anual da perda da biodiversidade fica entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões).
Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, a intenção é que os dados do Teeb Brasil sejam incorporados por políticas públicas, empresas privadas, setor produtivo e governos ao tomar decisões sobre agricultura, segurança alimentar, segurança energética e exploração de recursos naturais, como o pré-sal. "Este será o grande desafio deste século. A base de tudo deve ser a sustentabilidade. Creio que o relatório possa contribuir para associar todos estes temas nas discussões dos tomadores de decisão", disse Izabella.
A ministra disse ainda que o Teeb Brasil já está sendo preparado, e que os requerimentos para a adoção destas estratégias no País estão em fase de análise. "Agora nós estamos preparando os termos de referência para finalizar a negociação. Depois que forem estabelecidos os compromissos da COP 10, pretendemos desenvolver uma nova estratégia nacional baseada no Teeb como referência de uma nova economia sustentável", afirmou. (Fonte: Agência Estado, 25/10/10)

Comentário: É preciso reverter o pensamento. Não somente calcular o custo anual da perda da biodiversidade, mas sim enfatizar o valor dos serviços ambientais. Ou seja: o que o ecossistema fornece em bens e serviços para os outros seres e para nós, os humanos. Tal procedimento contribui para a superação de uma visão econômica míope e oportunista e fornece dados para confirmar a urgência do empenho pela sustentabilidade (Afonso Murad)



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Seca na Amazônia novamente

Reflita sobre esta notícia:
A seca que atinge o Amazonas desde o início de agosto já prejudicou cerca de 40 mil famílias. Segundo o governo estadual, dos 62 municípios amazonenses, 25 decretaram situação de emergência. Na última sexta-feira (08), a Defesa Civil reconheceu a situação de emergência em 21 deles.

Os municípios em situação de emergência por causa da estiagem são Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Iça, Tabatinga, Tonantins, Caapiranga, Boca do Acre, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Borba, Alvarães, Coari, Fonte Boa, Jutaí, Tefé, Uarin, Beruri, Manacapuru, Itacoatiara, Barreirinha e Parintins.
A ação emergencial de ajuda humanitária aos municípios afetados começou esta semana com o envio de 6 toneladas de alimentos. O chefe de gabinete da prefeitura de Ipixuna, Anísio Saturnino, disse que o transporte fluvial está comprometido em função da seca dos rios. “Os barcos não podem navegar. O transporte só pode ser feito por canoa. Alguns alimentos começam a faltar”, disse. O município (localizado no sudoeste do estado) aguarda a entrega, pela Defesa Civil do estado, de cestas básicas, filtros para água e medicamentos. Muitas pessoas estão sofrendo com problemas intestinais provocados pela má qualidade da água.
A geógrafa e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, disse que a seca que atinge o Amazonas é uma condição climática extraordinária decorrente do fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico), que ocorreu nos últimos meses de 2009 e deixou reflexos em 2010. “O El Niño de 2009 foi o pior das últimas três décadas e trouxe como consequência as fortes chuvas no Sul e a seca no Norte do país. Sempre quando ocorre um El Niño muito forte existem impactos no ano seguinte”.
Segundo Ane Alencar, a forte estiagem se deu em função também da maior frequência das secas no estado. “Desde 2000, as secas têm sido mais frequentes e mais intensas e a floresta não tem tido tempo de se recuperar”, disse. A temporada de chuvas na Amazônia, de acordo com a pesquisadora do Ipam, deve começar no fim de novembro.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil até o momento não informou que medidas serão tomadas pelo governo federal em relação aos municípios afligidos pela estiagem.
(Fonte: Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nobel alternativo para Dom Erwin

Dom Erwin Kräutler, Bispo do Xingu, é um dos quatro ganhadores do “Prêmio Right Livelihood 2010”, um prêmio Nobel Alternativo, que estimula o poder de mudança nas bases. Dom Erwin recebeu o prêmio "por uma vida dedicada ao trabalho com direitos humanos e ambientais dos povos indígenas, e por seu incansável esforço para salvar a Amazônia da destruição”. Dom Erwin justificou a alegria de receber o prêmio assim: “Não estou feliz em meu nome, mas por causa da Amazônia e dos povos indígenas que merecem esse reconhecimento!”.

Os outros premiados foram: a organização israelense "Médicos para os Direitos Humanos-Israel", que atua em seu próprio país e na Palestina; o nigeriano Nnimmo Bassey, de 52 anos, que "revelou os horrores ecológicos e humanos da produção de petróleo"; e o nepalês Shrikrishna Upadhyay, de 65 anos, em conjunto com a organização Sappros, que "trabalham contra as múltiplas causas da pobreza", segundo comentou o júri.

Em fevereiro deste ano, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) havia encaminhado uma carta à fundação Right Livelihood Award, ratificando a indicação do nome de dom Erwin Kräutler para o prêmio. De acordo com a CNBB, a indicação é um gesto de reconhecimento à atuação pastoral e profética de dom Erwin junto aos mais fracos e aos povos indígenas. Para o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, esse prêmio é uma grande homenagem a dom Erwin e também honra a própria CNBB. Trata-se de um reconhecimento internacional da grande luta de dom Erwin na defesa da vida dos povos indígenas e da própria dignidade humana destes povos.
“Dom Helder Câmara também recebeu esse prêmio na época em que vivíamos no regime ditatorial no Brasil, quando lhe foi negado o Prêmio Nobel da Paz. E agora, dom Erwin recebe esse mesmo prêmio! Quero parabenizar dom Erwin e também a nossa Igreja, por ter em seu meio um lutador pela justiça social, pelo meio ambiente e pela vida dos povos indígenas!”, declarou o Presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.

Dom Erwin Kräutler nasceu na Áustria, em 1939. Foi ordenado sacerdote em 1964 e veio para o Brasil como missionário. Em 1978, tornou-se cidadão brasileiro (embora também mantendo a sua cidadania austríaca). Em 1980, foi nomeado bispo do Xingu, a maior circunscrição eclesiástica do Brasil. Entre 1983-1991 e, desde 2006, é o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se preocupa de modo especial com nossa população indígena.
Em outubro de 1987, alguns meses antes da decisão de concessão de plenos direitos civis para os povos indígenas na Assembléia Constituinte, dom Erwin ficou gravemente ferido em um acidente de carro supostamente planejado. Desde 2006, o bispo está sob proteção policial por causa da ameaça de morte que tem recebido devido à sua atuação pastoral, social e ambiental na região. Em parceria com ambientalistas, pesquisadores, comunidades indígenas e ONGs, Dom Erwin lutou duramente contra a implantação da usina hidrelétrica do Belo Monte, demonstrando com convincentes argumentos que ela causará enorme impacto ambiental, além de ser um investimento com pouco retorno econômico. Infelizmente, não foi ouvido pelo governo federal.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

22 de setembro: DIA MUNDIAL SEM CARRO

Hoje é o dia Mundial sem carro e o Ecologia e Fè participa do dia convidando você a aderir a esta campanha por uma mobilidade sustentável. Procure se informar sobre a programação da sua cidade ou crie um grupo de amigos e familiares e vá de bicicleta, a pé, patins, skate, patinete, tênis de rodinha com luzinhas que piscam, o que você quiser! O importante é fazer parte do Bem para o Planeta.

0 que é o Dia Mundial Sem Carro?
Um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. Trata-se de um manifesto/reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta.

Confira a programação em Belo Horizonte e participe!
Concentração na Praça da Liberdade às 18h/ 22 de setembro de 2010

18h - Concentração de Ciclistas na Praça da Liberdade.

19h - Início da pedalada;

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Queimadas

Vim de São Paulo para BH, neste final de semana
Do alto, no avião, vi vários focost de queimadas.
Fumaça, cinzas, névoa seca, destruição.
Um quadro desolador.
Nas proximidades de Brasília, passei em áreas rurais queimas. Pobre cerrado!
Até quando?
Alguns incêndios em Unidades de Conservação trazem prejuízos ambientais inestimáveis.
E a perda de biodiversidade? E a piora na qualidade do ar? E os custos para a saúde pública?
Enquanto isso, os candidatos a cargos eletivos, com raras exceções, nem colocam o tema ambiental como pauta de seus programas. Parece que, até agora, ecologia não puxa voto. Mas, é a continuidade da qualidade da vida, em toda sua extensão, que está em jogo.
Na semana passada, escutei vários programas religiosos em rádios evangélicas e católicas. A pregação era comum: curar as pessoas, restituir sua integridade. Mas, ninguém falou em curar a Terra e restituir sua integridade.
Está na hora de integrar a questão ambiental na política e na religião.
Pois está em jogo o presente e o futuro de nossa casa comum.
Afonso Murad

veja o mapa das queimadas no site: http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

10 motivos para recusar sacolas descartáveis e preservar a biodiversidade


No Ano Internacional da Biodiversidade e com a COP10 – Convenção de Diversidade Biológica prestes a acontecer, no Japão, em outubro, o tema se tornou o centro das atenções do mundo. Muito merecido, afinal, a biodiversidade envolve todos os seres vivos que habitam o nosso planeta – incluindo os seres humanos – e, num sistema interdependente como o nosso, o desaparecimento de uma espécie afeta a vida das demais.

Entre as várias atitudes que podemos tomar para preservar essa riqueza biológica da qual tanto dependemos, está a redução do uso de sacolas plásticas em nosso dia-a-dia. Aproveite para registrar, no site do Planeta Sustentável, as sacolinhas que você recusa diariamente!
Eis aqui dez motivos para você defender essa causa.
1. Os plásticos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor. Segundo um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, de 2009, cada família brasileira descarta cerca de 40kg de plásticos por ano e mais de 80% dos plásticos são utilizados apenas 1 vez.
2. Por serem leves, os sacos plásticos voam com o vento para diversos locais e acabam poluindo não apenas as cidades, mas também nossos biomas, as florestas, rios, lagos e oceanos.
3. A sopa de lixo que flutua pelo oceano Pacífico contém mais de 100 milhões de toneladas, sendo que 90% são constituídos de detritos de plástico. Desse total, 80% vêm do continente.
4. Nos oceanos, as sacolas plásticas se arrebentam em pedaços menores e se tornam parte da cadeia alimentar de animais marinhos dos mais variados tamanhos. Ao ingerirmos esses animais, engolimos também resíduos de plástico que fazem mal à nossa saúde.
5. A ingestão de pedaços de sacolas plásticas já é uma das principais causas da mortes de tartarugas, que confundem o plástico com comida e têm seu aparelho digestivo obstruído. Estima-se, ainda, que em torno de 100 mil mamíferos e pássaros morram sufocados por ano por ingerirem sacos plásticos. Na Índia, cerca de 100 vacas morrem por dia por comerem sacolas plásticas misturadas a restos de alimentos.
6. Nas cidades, as sacolas descartadas de maneira incorreta entopem bueiros, provocando enchentes, que causam a morte de pessoas e animais domésticos, destroem plantas e árvores e até contribuem para que os peixes nadem para fora do leito de rios e morram.
7. Jogadas em um canto qualquer da cidade, as sacolinhas podem acumular água parada e permitir a proliferação do mosquito da dengue.
8. O plástico já é o segundo material mais comum no lixo municipal.Quando os aterros chegam à sua capacidade máxima, é preciso abrir outras áreas – que poderiam ser utilizadas para plantio de vegetação nativa, por exemplo – para o depósito de resíduos.
9. O material orgânico depositado em sacos plásticos demora mais para ser degradado e decomposto em nutrientes e minerais, que serão utilizados em outros processos biológicos.
10. Com a decomposição lenta dos resíduos orgânicos aprisionados nas sacolas plásticas, produz-se mais metano e CO2, que são liberados quando a sacola é rasgada e contribuem para a aceleração do aquecimento global.

Convencido? Então, sempre recusar uma sacolinha no supermercado, na farmácia, na padaria e onde mais te oferecerem uma, registre no Contador de Sacolas Descartáveis Recusadas, do Planeta Sustentável! Já são quase 2 milhões de sacolinhas evitadas. A biodiversidade agradece!

Especialistas consultados:
Prof. José Sabino, doutor em Ecologia pela Unicamp.
Fernanda Daltro, coord. técnica da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente.
Leia também:
Por que reduzir as sacolas plásticas?
Saco é um saco
Plástico é vida?
Fonte: Planeta sustentável
Imagem: Wikimedia Commons

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Maior iceberg desde 1962 pode ser consequência do aquecimento global

No início deste mês um iceberg de 260km² – 4 vezes o tamanho da ilha de Manhattan – se desprendeu da geleira de Petermann, na Groenlândia, a mil quilômetros ao sul do Pólo Norte. O bloco de gelo, que corresponde a um quarto do tamanho total de Petermann e tem 182,8 metros de espessura, é o maior a se soltar no Ártico desde 1962 – quando outro bloco de proporções semelhantes, o Ward Hunt Ice Shelf, no Canadá, acabou se dividindo em pedaços menores que ficaram alojados entre as ilhas do estreito de Nares, entre a Groenlândia e o Canadá.

Esse último iceberg também está alojado no mesmo estreito e pode tanto se fundir novamente à ilha, quanto se quebrar em pedaços menores ou mesmo, lentamente, se mover para o sul. Nesse caso, deve provocar mudanças nas rotas de navegação.

O pesquisador Andreas Muenchow, da Universidade de Delaware, afirmou que já esperava pelo fenômeno, mas ficou surpreso com o tamanho do iceberg. Em 2001, um iceberg de 88 Km² se soltou de Petermann e, em 2008, um outro de 26 km².

Não é possível afirmar ao certo se o fenômeno é conseqüência do aquecimento global, pois a quebra de blocos de gelo é um fenômeno comum, causado especialmente pelo fluxo do oceano sob as geleiras. Além disso, só há dados sobre a temperatura da água do mar próxima à Groenlândia de 2003 para cá.

No entanto, já se sabe que o primeiro semestre de 2010 registrou as temperaturas mais altas do planeta desde 1850 – quando se começou a fazer essa medição –, em parte por conta do fenômeno climático El Niño, em parte em função do aumento de gases de efeito estufa na atmosfera.

Fonte: Planeta sustentável
Foto: Nasa

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sancionada Política Nacional de Resíduos Sólidos


Depois de tramitar no Congresso por 21 anos, a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em julho deste ano, pelo Senado, e sancionada, ontem, pelo presidente Lula, que afirmou que sua regulamentação precisa ocorrer dentro de 90 dias.
A partir de agora, será feita a distinção entre o conceito de resíduos – que podem ser reaproveitados ou reciclados – e rejeitos – que não podem ser reaproveitados e devem ser encaminhados a aterros sanitários. Nesses locais, não será permitido morar ou catar lixo. Também fica proibida a existência de lixões.
Com a lei, passa a valer a ideia da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Isso significa que fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos são igualmente responsáveis por dar um destino correto a todos os materiais.
Assim, fica implementada também a logística reversa, ou seja, os fabricantes dos produtos vão precisar recolhê-los após o uso dos consumidores, para reaproveitá-los na fabricação de novos produtos ou enviá-los para a reciclagem quando isso não for possível.
A lei prevê que haja cooperação técnica e financeira entre o setor público e o privado para o desenvolvimento de pesquisas que facilitem a reutilização, a reciclagem e o tratamento de resíduos e a destinação correta dos rejeitos.
Os catadores de lixo também saem ganhando. Eles devem ter seu trabalho de coleta, separação e reciclagem formalizado, uma vez que será incentivada a criação de cooperativas, que poderão prestar serviços para as prefeituras. A expectativa é de que a renda desses profissionais também aumente.
Para que tudo isso funcione, as prefeituras e os governos estaduais vão precisar se articular e criar políticas de resíduos sólidos compatíveis com a PNRS. Até porque, torna-se obrigatório fazer inventários anuais que revelem como tem sido feita a gestão dos resíduos sólidos em cada cidade, que será monitorada e fiscalizada.
Práticas de educação ambiental devem ser disseminadas para que toda a população possa contribuir para o funcionamento da lei.

Fonte: Planeta Sustentável

domingo, 27 de junho de 2010

Panorama das correntes de ética ambiental

Por que a ecologia se transformou numa questão tão importante para a humanidade? Não somente por causa da crise ambiental, mas também devido à descoberta que a humanidade deve estabelecer uma nova relação com o meio ambiente. E há várias formas de compreender a relação entre o ser humano e o meio ambiente, bem como a ética dela decorrente. Destacam-se principalmente três delas. Do ponto de vista da ética ambiental, elas são denominadas: antropocentrismo clássico, biocentrismo e bio-antropocentrismo.

A primeira visão, a antropocêntrica, considera o humano como superior a todos os outros seres. Por isso, pode-se usar do meio físico ou abiótico (água, ar, solo, energia do sol) e do meio biológico ou biótico (micro organismos, plantas e animais) sem limites.Tal concepção está na base no capitalismo clássico, que via a natureza como uma fonte inesgotável de recursos, da qual se retira tudo o que se quer e se devolve a ela os resíduos, de qualquer forma. A natureza perde assim seu caráter de alteridade e é reduzida a algo meramente instrumental. Não merece respeito, nem cuidado. Os outros seres são coisas, ou mais ainda, potenciais mercadorias que devem ser transformadas em objetos de valor.
Neste esquema, a visão individualista sobre o ser humano se projeta sobre o ecossistema. Assim, os seres são considerados fora de seu contexto e de suas relações vitais. Tal postura destruidora sobre o meio ambiente encontra uma justificativa filosófica. Ela diz assim: somente o ser humano tem liberdade, sentimentos, razão, emoção e linguagem. E, com isso, produz cultura. Portanto, somente ele é sujeito da ética. A natureza, porque não tem estas características, não necessita ser respeitada. Ela não é nem sujeito (pois não pensa), nem objeto da ética (pois não tem valor em si mesma).

No outro extremo, embora minoritário no Brasili, situa-se a corrente do “biocentrismo radical”. Ela sustenta que todos os seres têm igual valor ético. Tanto uma planta, quanto uma formiga, um pássaro ou o ser humano estão no mesmo nível. Colabora com o biocentrismo a visão de Lovelock, que afirma ser a Terra um superorganismo vivo, denominada “Gaia”. E se a humanidade continuar maltratando e ameaçando destruir Gaia, ela poderá expulsá-lo!
É comum ver alguns defensores do biocentrismo radical atuando na defesa da Amazônia, sobretudo de ONGs internacionais. Eles estão preocupados em conservar a floresta, as águas, os animais; enfim, o ciclo da vida. Mas dificilmente incluem as populações que habitam a Amazônia, como os povos indígenas, os ribeirinhos e as populações urbanas. Acusa-se os biocentristas de conceber uma ecologia sem levar em conta os seres humanos, principalmente os pobres.
Hoje, o biocentrismo tem amadurecido muito. Um grupo recente defende que os seres bióticos ou abióticos devem ser valorados não em si mesmos, mas em relação com o ecossistema. Ou seja, como contribuem para a continuidade da vida no planeta. Articula-se melhor a questão ecológica com a questão cultural e humana. A grande contribuição da ética biocêntrica reside em perceber que os outros seres não são coisas, mercadorias, meros objetos da manipulação humana. Eles tem alteridade, são um “outro”, diferentes de nós. Por isso, merecem ser respeitados. Esta ética também dá suporte para a criação da legislação ambiental. Elabora-se o conceito de “delito” ambiental: quem provoca impacto negativo sobre o ecossistema, deve ser punido pela lei. O meio ambiente ganha valor não somente porque a humanidade precisa dele para sobreviver, mas porque é importante em si mesmo. O ser humano não está mais sozinho no centro do universo.

No mundo se desenvolveu uma terceira corrente ética, que denominamos bio-antropocêntrica. Ela adquire vários nomes, devido a distintos acentos. Para alguns, é “antropocêntica aberta”, pois mantém o ser humano no centro, mas não sozinho. Ele é compreendido na interdependência com os outros seres. Fruto do processo de evolução do cosmos na Terra, o ser humano deve assumir sua responsabilidade pelo “nosso futuro comum”. Para outros, trata-se de uma corrente “biocêntrica humanista”, pois coloca a vida no centro e considera o lugar único do homem e da mulher como sujeitos de hermenêutica (interpretação) e de práxis (prática transformadora).
Um terceiro segmento sustenta que as questões ambientais, cada vez mais importantes para a humanidade, devem ser compreendidas em estreita relação com a cultura humana e as questões sociais. Embora “compromisso ecológico” e “compromisso social” tenham seu âmbito próprio e questões específicas, estão cada vez mais ligados. Fala-se então de engajamento socioambiental. Esta corrente critica a economia de mercado, que simultaneamente destrói as culturas dos “povos de raiz”, dilapida o meio ambiente e cria uma multidão crescente de excluídos. Por isso, defende que as pessoas e os grupos que estão engajados na mudança da sociedade necessitam também de nova postura com relação ao meio ambiente. Os defensores da ecologia, de sua parte, devem incluir a luta pelos direitos humanos dos pobres.
A conjugação do social com o ambiental acontece em vários movimentos, como as associações de recicladores, os grupos de socioeconomia solidária e algumas pastorais sociais da Igreja. Assim, quando um ambientalista levanta a bandeira de defesa de determinado bioma, leva em conta também as população humanas que interagem com aquele ambiente.

Cremos que a ética sócioambiental, incorporando os elementos do antropocentrismo moderno, e relendo-os à luz de uma visão integradora, ecológica e holográfica, é a mais adequada para responder aos desafios do atual momento histórico.

Afonso Murad
Texto adaptado do artigo Ecologia e Missão, in: A missão em Debate, Paulinas, 2010, p.117-119.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soltar balão é crime ambiental

O fim de semana junino não foi de festa. Por volta das 22 horas do último sábado, o Morro dos Cabritos e o Parque da Catacumba, próximos à Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, pegavam fogo. Além de por as pessoas em risco, o incêndio destruiu boa parte da Área de Preservação Permanente de Mata Atlântica. Uma área equivalente a quatro estádios do tamanho do Maracanã foi afetada.
O motivo: a queda de um “balão de São João”. Ao todo, foram registrados nove pontos de incêndio na capital fluminense. Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, se comprometeu a reflorestar a região atingida.
Mesmo com as campanhas realizadas há 11 anos pelo Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, só neste primeiro semestre o órgão recebeu 236 denúncias de soltura de balões. No ano passado, foram 660.
A prática de soltar balões, assim como a fabricação e o transporte, são considerados crimes ambientais e, segundo a Lei 9605/98, têm pena de um a três anos de prisão. No entanto, como a penalidade é afiançável – varia de R$1 mil a R$10 mil – e a possibilidade de flagrante é pequena, ninguém vai, de fato, para a cadeia.
Nesta segunda-feira, o Disque-Denúncia aumentou para R$2 mil a recompensa para quem der informações sobre fabricantes, comerciantes e baloeiros no estado do Rio de Janeiro.
O telefone é (21) 2253-1177 (21) 2253-1177
O Batalhão Florestal também pode ser procurado pelos telefones (21) 2701-8262
(21) 2701-8262 ou (21) 2701-0832 (21) 2701-0832