segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Queimadas

Vim de São Paulo para BH, neste final de semana
Do alto, no avião, vi vários focost de queimadas.
Fumaça, cinzas, névoa seca, destruição.
Um quadro desolador.
Nas proximidades de Brasília, passei em áreas rurais queimas. Pobre cerrado!
Até quando?
Alguns incêndios em Unidades de Conservação trazem prejuízos ambientais inestimáveis.
E a perda de biodiversidade? E a piora na qualidade do ar? E os custos para a saúde pública?
Enquanto isso, os candidatos a cargos eletivos, com raras exceções, nem colocam o tema ambiental como pauta de seus programas. Parece que, até agora, ecologia não puxa voto. Mas, é a continuidade da qualidade da vida, em toda sua extensão, que está em jogo.
Na semana passada, escutei vários programas religiosos em rádios evangélicas e católicas. A pregação era comum: curar as pessoas, restituir sua integridade. Mas, ninguém falou em curar a Terra e restituir sua integridade.
Está na hora de integrar a questão ambiental na política e na religião.
Pois está em jogo o presente e o futuro de nossa casa comum.
Afonso Murad

veja o mapa das queimadas no site: http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

10 motivos para recusar sacolas descartáveis e preservar a biodiversidade


No Ano Internacional da Biodiversidade e com a COP10 – Convenção de Diversidade Biológica prestes a acontecer, no Japão, em outubro, o tema se tornou o centro das atenções do mundo. Muito merecido, afinal, a biodiversidade envolve todos os seres vivos que habitam o nosso planeta – incluindo os seres humanos – e, num sistema interdependente como o nosso, o desaparecimento de uma espécie afeta a vida das demais.

Entre as várias atitudes que podemos tomar para preservar essa riqueza biológica da qual tanto dependemos, está a redução do uso de sacolas plásticas em nosso dia-a-dia. Aproveite para registrar, no site do Planeta Sustentável, as sacolinhas que você recusa diariamente!
Eis aqui dez motivos para você defender essa causa.
1. Os plásticos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor. Segundo um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, de 2009, cada família brasileira descarta cerca de 40kg de plásticos por ano e mais de 80% dos plásticos são utilizados apenas 1 vez.
2. Por serem leves, os sacos plásticos voam com o vento para diversos locais e acabam poluindo não apenas as cidades, mas também nossos biomas, as florestas, rios, lagos e oceanos.
3. A sopa de lixo que flutua pelo oceano Pacífico contém mais de 100 milhões de toneladas, sendo que 90% são constituídos de detritos de plástico. Desse total, 80% vêm do continente.
4. Nos oceanos, as sacolas plásticas se arrebentam em pedaços menores e se tornam parte da cadeia alimentar de animais marinhos dos mais variados tamanhos. Ao ingerirmos esses animais, engolimos também resíduos de plástico que fazem mal à nossa saúde.
5. A ingestão de pedaços de sacolas plásticas já é uma das principais causas da mortes de tartarugas, que confundem o plástico com comida e têm seu aparelho digestivo obstruído. Estima-se, ainda, que em torno de 100 mil mamíferos e pássaros morram sufocados por ano por ingerirem sacos plásticos. Na Índia, cerca de 100 vacas morrem por dia por comerem sacolas plásticas misturadas a restos de alimentos.
6. Nas cidades, as sacolas descartadas de maneira incorreta entopem bueiros, provocando enchentes, que causam a morte de pessoas e animais domésticos, destroem plantas e árvores e até contribuem para que os peixes nadem para fora do leito de rios e morram.
7. Jogadas em um canto qualquer da cidade, as sacolinhas podem acumular água parada e permitir a proliferação do mosquito da dengue.
8. O plástico já é o segundo material mais comum no lixo municipal.Quando os aterros chegam à sua capacidade máxima, é preciso abrir outras áreas – que poderiam ser utilizadas para plantio de vegetação nativa, por exemplo – para o depósito de resíduos.
9. O material orgânico depositado em sacos plásticos demora mais para ser degradado e decomposto em nutrientes e minerais, que serão utilizados em outros processos biológicos.
10. Com a decomposição lenta dos resíduos orgânicos aprisionados nas sacolas plásticas, produz-se mais metano e CO2, que são liberados quando a sacola é rasgada e contribuem para a aceleração do aquecimento global.

Convencido? Então, sempre recusar uma sacolinha no supermercado, na farmácia, na padaria e onde mais te oferecerem uma, registre no Contador de Sacolas Descartáveis Recusadas, do Planeta Sustentável! Já são quase 2 milhões de sacolinhas evitadas. A biodiversidade agradece!

Especialistas consultados:
Prof. José Sabino, doutor em Ecologia pela Unicamp.
Fernanda Daltro, coord. técnica da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente.
Leia também:
Por que reduzir as sacolas plásticas?
Saco é um saco
Plástico é vida?
Fonte: Planeta sustentável
Imagem: Wikimedia Commons

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Maior iceberg desde 1962 pode ser consequência do aquecimento global

No início deste mês um iceberg de 260km² – 4 vezes o tamanho da ilha de Manhattan – se desprendeu da geleira de Petermann, na Groenlândia, a mil quilômetros ao sul do Pólo Norte. O bloco de gelo, que corresponde a um quarto do tamanho total de Petermann e tem 182,8 metros de espessura, é o maior a se soltar no Ártico desde 1962 – quando outro bloco de proporções semelhantes, o Ward Hunt Ice Shelf, no Canadá, acabou se dividindo em pedaços menores que ficaram alojados entre as ilhas do estreito de Nares, entre a Groenlândia e o Canadá.

Esse último iceberg também está alojado no mesmo estreito e pode tanto se fundir novamente à ilha, quanto se quebrar em pedaços menores ou mesmo, lentamente, se mover para o sul. Nesse caso, deve provocar mudanças nas rotas de navegação.

O pesquisador Andreas Muenchow, da Universidade de Delaware, afirmou que já esperava pelo fenômeno, mas ficou surpreso com o tamanho do iceberg. Em 2001, um iceberg de 88 Km² se soltou de Petermann e, em 2008, um outro de 26 km².

Não é possível afirmar ao certo se o fenômeno é conseqüência do aquecimento global, pois a quebra de blocos de gelo é um fenômeno comum, causado especialmente pelo fluxo do oceano sob as geleiras. Além disso, só há dados sobre a temperatura da água do mar próxima à Groenlândia de 2003 para cá.

No entanto, já se sabe que o primeiro semestre de 2010 registrou as temperaturas mais altas do planeta desde 1850 – quando se começou a fazer essa medição –, em parte por conta do fenômeno climático El Niño, em parte em função do aumento de gases de efeito estufa na atmosfera.

Fonte: Planeta sustentável
Foto: Nasa

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sancionada Política Nacional de Resíduos Sólidos


Depois de tramitar no Congresso por 21 anos, a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em julho deste ano, pelo Senado, e sancionada, ontem, pelo presidente Lula, que afirmou que sua regulamentação precisa ocorrer dentro de 90 dias.
A partir de agora, será feita a distinção entre o conceito de resíduos – que podem ser reaproveitados ou reciclados – e rejeitos – que não podem ser reaproveitados e devem ser encaminhados a aterros sanitários. Nesses locais, não será permitido morar ou catar lixo. Também fica proibida a existência de lixões.
Com a lei, passa a valer a ideia da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Isso significa que fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos são igualmente responsáveis por dar um destino correto a todos os materiais.
Assim, fica implementada também a logística reversa, ou seja, os fabricantes dos produtos vão precisar recolhê-los após o uso dos consumidores, para reaproveitá-los na fabricação de novos produtos ou enviá-los para a reciclagem quando isso não for possível.
A lei prevê que haja cooperação técnica e financeira entre o setor público e o privado para o desenvolvimento de pesquisas que facilitem a reutilização, a reciclagem e o tratamento de resíduos e a destinação correta dos rejeitos.
Os catadores de lixo também saem ganhando. Eles devem ter seu trabalho de coleta, separação e reciclagem formalizado, uma vez que será incentivada a criação de cooperativas, que poderão prestar serviços para as prefeituras. A expectativa é de que a renda desses profissionais também aumente.
Para que tudo isso funcione, as prefeituras e os governos estaduais vão precisar se articular e criar políticas de resíduos sólidos compatíveis com a PNRS. Até porque, torna-se obrigatório fazer inventários anuais que revelem como tem sido feita a gestão dos resíduos sólidos em cada cidade, que será monitorada e fiscalizada.
Práticas de educação ambiental devem ser disseminadas para que toda a população possa contribuir para o funcionamento da lei.

Fonte: Planeta Sustentável

domingo, 27 de junho de 2010

Panorama das correntes de ética ambiental

Por que a ecologia se transformou numa questão tão importante para a humanidade? Não somente por causa da crise ambiental, mas também devido à descoberta que a humanidade deve estabelecer uma nova relação com o meio ambiente. E há várias formas de compreender a relação entre o ser humano e o meio ambiente, bem como a ética dela decorrente. Destacam-se principalmente três delas. Do ponto de vista da ética ambiental, elas são denominadas: antropocentrismo clássico, biocentrismo e bio-antropocentrismo.

A primeira visão, a antropocêntrica, considera o humano como superior a todos os outros seres. Por isso, pode-se usar do meio físico ou abiótico (água, ar, solo, energia do sol) e do meio biológico ou biótico (micro organismos, plantas e animais) sem limites.Tal concepção está na base no capitalismo clássico, que via a natureza como uma fonte inesgotável de recursos, da qual se retira tudo o que se quer e se devolve a ela os resíduos, de qualquer forma. A natureza perde assim seu caráter de alteridade e é reduzida a algo meramente instrumental. Não merece respeito, nem cuidado. Os outros seres são coisas, ou mais ainda, potenciais mercadorias que devem ser transformadas em objetos de valor.
Neste esquema, a visão individualista sobre o ser humano se projeta sobre o ecossistema. Assim, os seres são considerados fora de seu contexto e de suas relações vitais. Tal postura destruidora sobre o meio ambiente encontra uma justificativa filosófica. Ela diz assim: somente o ser humano tem liberdade, sentimentos, razão, emoção e linguagem. E, com isso, produz cultura. Portanto, somente ele é sujeito da ética. A natureza, porque não tem estas características, não necessita ser respeitada. Ela não é nem sujeito (pois não pensa), nem objeto da ética (pois não tem valor em si mesma).

No outro extremo, embora minoritário no Brasili, situa-se a corrente do “biocentrismo radical”. Ela sustenta que todos os seres têm igual valor ético. Tanto uma planta, quanto uma formiga, um pássaro ou o ser humano estão no mesmo nível. Colabora com o biocentrismo a visão de Lovelock, que afirma ser a Terra um superorganismo vivo, denominada “Gaia”. E se a humanidade continuar maltratando e ameaçando destruir Gaia, ela poderá expulsá-lo!
É comum ver alguns defensores do biocentrismo radical atuando na defesa da Amazônia, sobretudo de ONGs internacionais. Eles estão preocupados em conservar a floresta, as águas, os animais; enfim, o ciclo da vida. Mas dificilmente incluem as populações que habitam a Amazônia, como os povos indígenas, os ribeirinhos e as populações urbanas. Acusa-se os biocentristas de conceber uma ecologia sem levar em conta os seres humanos, principalmente os pobres.
Hoje, o biocentrismo tem amadurecido muito. Um grupo recente defende que os seres bióticos ou abióticos devem ser valorados não em si mesmos, mas em relação com o ecossistema. Ou seja, como contribuem para a continuidade da vida no planeta. Articula-se melhor a questão ecológica com a questão cultural e humana. A grande contribuição da ética biocêntrica reside em perceber que os outros seres não são coisas, mercadorias, meros objetos da manipulação humana. Eles tem alteridade, são um “outro”, diferentes de nós. Por isso, merecem ser respeitados. Esta ética também dá suporte para a criação da legislação ambiental. Elabora-se o conceito de “delito” ambiental: quem provoca impacto negativo sobre o ecossistema, deve ser punido pela lei. O meio ambiente ganha valor não somente porque a humanidade precisa dele para sobreviver, mas porque é importante em si mesmo. O ser humano não está mais sozinho no centro do universo.

No mundo se desenvolveu uma terceira corrente ética, que denominamos bio-antropocêntrica. Ela adquire vários nomes, devido a distintos acentos. Para alguns, é “antropocêntica aberta”, pois mantém o ser humano no centro, mas não sozinho. Ele é compreendido na interdependência com os outros seres. Fruto do processo de evolução do cosmos na Terra, o ser humano deve assumir sua responsabilidade pelo “nosso futuro comum”. Para outros, trata-se de uma corrente “biocêntrica humanista”, pois coloca a vida no centro e considera o lugar único do homem e da mulher como sujeitos de hermenêutica (interpretação) e de práxis (prática transformadora).
Um terceiro segmento sustenta que as questões ambientais, cada vez mais importantes para a humanidade, devem ser compreendidas em estreita relação com a cultura humana e as questões sociais. Embora “compromisso ecológico” e “compromisso social” tenham seu âmbito próprio e questões específicas, estão cada vez mais ligados. Fala-se então de engajamento socioambiental. Esta corrente critica a economia de mercado, que simultaneamente destrói as culturas dos “povos de raiz”, dilapida o meio ambiente e cria uma multidão crescente de excluídos. Por isso, defende que as pessoas e os grupos que estão engajados na mudança da sociedade necessitam também de nova postura com relação ao meio ambiente. Os defensores da ecologia, de sua parte, devem incluir a luta pelos direitos humanos dos pobres.
A conjugação do social com o ambiental acontece em vários movimentos, como as associações de recicladores, os grupos de socioeconomia solidária e algumas pastorais sociais da Igreja. Assim, quando um ambientalista levanta a bandeira de defesa de determinado bioma, leva em conta também as população humanas que interagem com aquele ambiente.

Cremos que a ética sócioambiental, incorporando os elementos do antropocentrismo moderno, e relendo-os à luz de uma visão integradora, ecológica e holográfica, é a mais adequada para responder aos desafios do atual momento histórico.

Afonso Murad
Texto adaptado do artigo Ecologia e Missão, in: A missão em Debate, Paulinas, 2010, p.117-119.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soltar balão é crime ambiental

O fim de semana junino não foi de festa. Por volta das 22 horas do último sábado, o Morro dos Cabritos e o Parque da Catacumba, próximos à Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, pegavam fogo. Além de por as pessoas em risco, o incêndio destruiu boa parte da Área de Preservação Permanente de Mata Atlântica. Uma área equivalente a quatro estádios do tamanho do Maracanã foi afetada.
O motivo: a queda de um “balão de São João”. Ao todo, foram registrados nove pontos de incêndio na capital fluminense. Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, se comprometeu a reflorestar a região atingida.
Mesmo com as campanhas realizadas há 11 anos pelo Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, só neste primeiro semestre o órgão recebeu 236 denúncias de soltura de balões. No ano passado, foram 660.
A prática de soltar balões, assim como a fabricação e o transporte, são considerados crimes ambientais e, segundo a Lei 9605/98, têm pena de um a três anos de prisão. No entanto, como a penalidade é afiançável – varia de R$1 mil a R$10 mil – e a possibilidade de flagrante é pequena, ninguém vai, de fato, para a cadeia.
Nesta segunda-feira, o Disque-Denúncia aumentou para R$2 mil a recompensa para quem der informações sobre fabricantes, comerciantes e baloeiros no estado do Rio de Janeiro.
O telefone é (21) 2253-1177 (21) 2253-1177
O Batalhão Florestal também pode ser procurado pelos telefones (21) 2701-8262
(21) 2701-8262 ou (21) 2701-0832 (21) 2701-0832

sábado, 29 de maio de 2010

Música sobre Objetivos do Milênio embalará jogos da Copa do Mundo


Nada de Shakira ou Cláudia Leitte… se depender da campanha 8 Goals For Africa, da ONU, a música-tema da Copa do Mundo de 2010 será uma canção que fala sobre os oito ODMs – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A música, que leva o mesmo nome da campanha – “8 Goals For Africa” –, será exibida em toda a África do Sul, nos estabelecimentos públicos onde os torcedores se reunirão para assistir aos jogos da Copa, e também será transmitida por canais de TV e emissoras de rádio do mundo inteiro.
Gravada, apenas, por artistas africanos, a canção possui oito versos e cada um deles faz referência a um ODM.
São eles:
1 ) erradicar a extrema pobreza e a fome;
2 ) atingir o ensino básico universal;
3 ) promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4 ) reduzir a mortalidade na infância;
5 ) melhorar a saúde materna;
6 ) combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
7 ) garantir a sustentabilidade ambiental e
8 ) estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Neste ano, os ODMs completam uma década e o prazo para serem cumpridos se esgota em cinco anos. Sendo assim, a intenção da ONU é utilizar a Copa do Mundo – um evento de grande repercussão e que reúne pessoas de todo o tipo – para chamar a atenção da população para os Objetivos.
Além disso, a mobilização tem um motivo especial: em setembro desse ano, líderes mundiais que assinaram a Declaração do Milênio, em 2000, se reunirão em Nova York para dizer o que fizeram até agora e como pretendem alcançar os ODMs em cinco anos e, como sempre, a pressão da sociedade será fundamental para que esse líderes cumpram suas promessas com mais vontade.
Assista ao clipe da música, abaixo, e conte pra gente: o que você achou da iniciativa da ONU?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A poluição que ninguém vê


Quando passamos ao lado de um rio poluído, o mau cheiro denuncia a péssima qualidade da água. A cor escura ou a presença de espuma também apontam que algo vai mal. Mas o que fazer quando a poluição não pode ser vista com facilidade? A água parece limpa, mas está contaminada por um tipo de poluente praticamente invisível, difícil de detectar, não legislado no Brasil e com efeitos em grande parte desconhecidos. Essa é a nova preocupação dos cientistas que estudam os agentes poluidores da água e, consequentemente, seus efeitos sobre a vida. As substâncias se reúnem sob o nome de contaminantes emergentes e estão presentes em bens de consumo da vida moderna, como protetores solares, remédios, materiais para retardar chamas, pesticidas e nanomateriais. “Ainda há poucos estudos na área, mas devido às aglomerações urbanas e ao saneamento precário, que aumentam a concentração dessas substâncias, elas podem trazer riscos ao ambiente e à saúde”, diz Wilson Jardim,pesquisador do Laboratório de Química Ambientalda Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, são conhecidos cerca de três milhões de compostos sintéticos - número que aumenta entre 5% e 10% todos os anos. Em média, 200 toneladas deles são produzidas nesse período, sendo que entre 20% e 30% podem contaminar a água e atingir os animais e o homem. Hormônios também poluem Alguns dos compostos emergentes mais estudados são os hormônios. Por fazer parte da nossa vida, parecem inofensivos. Mas o crescimento das metrópoles e o despejo de esgoto nos rios aumentaram sua concentração na água que usamos. O fenômeno é causado tanto por hormônios naturalmente excretados pelas mulheres, quanto por substâncias presentes em plásticos, agrotóxicos e pílulas anticoncepcionais. “Todas elas têm ação estrogênica e mesmo quando não são hormônios reais, agem no corpo de forma parecida”, diz Mércia Barcellos da Costa, bióloga da Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo a pesquisadora, um desses compostos, o tributilestanho (TBT), provoca mudança de sexo de algumas espécies de animais. Ele é usado para revestir cascos de navios e evitar a incrustação por algas, mexilhões, cracas etc. Ainda há muita controvérsia sobre os efeitos da exposição prolongada em humanos. Suspeita-se que o contato com a água com excesso de hormônios esteja antecipando a menstruação das meninas. Ela também poderia deixar os homens mais femininos e até causar câncer. Por enquanto, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada. Estudos internacionais nas áreas de biologia e química constataram modificações anatômicas sérias em animais que vivem em regiões com água contaminada. No mundo, cetáceos como golfinhos e baleias estão contaminados e foram descritas mutações em moluscos e crustáceos. “São modificações que podem comprometer a reprodução de uma espécie e causar até mesmo sua extinção”, diz Mércia. Ela verifi cou o desaparecimento de populações inteiras de moluscos no litoral capixaba. Bruno Sant’Anna, biólogo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também se deparou com alterações nos caranguejos ermitões de São Vicente, no litoral do estado de São Paulo. ”Comecei a investigar e percebi que as fêmeas da espécie estavam se masculinizando. Isso acontece em 2% a 8% das populações dos ermitões”, afirma. Não por acaso, as regiões mais afetadas são próximas a portos, já que os navios carregam a substância, que é considerada tóxica e se acumula nos organismos por longos períodos.
O risco nos tubos invisíveis Entre os poluentes menos estudados estão os nanomateriais, que compõem diversos produtos da indústria. Algumas experiências mostram que compostos como os dióxidos de titânio, presentes em corantes e protetores solares, podem causar danos ao comportamento natatório e à frequência cardíaca de crustáceos, além de matar algas. No Brasil, há estudos sobre o potencial tóxico das partículas microscópicas. O grupo de pesquisa do biólogo José Monserrat, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), comprovou recentemente que o excesso de fulereno, um composto nanométrico, é capaz de causar danos cerebrais às carpas de laboratório. Quando chega ao órgão, ele altera seu potencial antioxidante, essencial para preservar os neurônios. O composto é usado pela indústria automobilística e está em pilhas, plásticos e óculos.
Um dos problemas com os contaminantes emergentes é a falta de um padrão de qualidade nas regulamentações do Ministério da Saúde, que estabelece indices para a potabilidade da água. Com isso, um poluente é ou não contaminante, dependendo da dosagem. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estuda como filtrar os componentes perigosos, mas espera o ministério estabelecer a quantidade que deve ser removida da água.
COMO SE LIVRAR DOS POLUENTES:  Osmose reversa, oxidação química, carvão ativado e ozonólise são formas de limpar poluentes invisíveis. Em algumas empresas desaneamento, a osmose reversa já é usada para remover outros tipos de poluentes. O desafio é levar essas formas de limpeza à maioria das estações. “Elas precisam ter suas linhas de tratamento modificadas, o que envolve investimentos elevados”, diz Américo Sampaio, gerente do departamento de inovação da Sabesp.
FONTE: Planeta Sustentável

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cosmologias em conflito

Leonardo Boff
O prêmio Nobel em economia Joseph Stiglitz disse recentemente:"O legado da crise ecômico-financeira será um grande debate de idéias sobre o futuro da Terra". Concordo plenamente com ele. Vejo que o grande debate será em torno das duas cosmologias presentes e em conflito no cenário da história. Por cosmologia entendemos a visão do mundo - cosmovisão - que subjaz às idéias, às práticas, aos hábitos e aos sonhos de uma sociedade. Cada cultura possui sua respectiva cosmologia. Por ela se procura explicar a origem, a evolução e o propósito do universo e definir o lugar do ser humano dentro dele.

A nossa atual é a cosmologia da conquista, da dominação e da exploração do mundo em vista do progresso e do crescimento ilimitado. Caracteriza-se por ser mecanicista, determinística, atomística e reducionista. Por força desta cosmovisão, criaram-se inegáveis benefícios para a vida humana mas também contradições perversas como o fato de que 20% da população mundial controlar e consumir 80% de todos os recursos naturais, gerando um fosso entre ricos e pobres como jamais havido na história. Metade das grandes florestas foram destruidas, 65% das terras agricultáveis, perdidas, cerca de 5 mil espécies de seres vivos anualmente desaparecidas e mais mil agentes químicos sintéticos, a maioria tóxicos, lançados no solo, no ar e nas águas. Construiram-se armas de destruição em massa, capazes de eliminar toda vida humana. O efeito final é o desequilíbrio do sistema-Terra que se expressa pelo aquecimento global. Com os gases já acumulados, até 2035 fatalmente se chegará a 2 graus Celsius, e se nada for feito, segundo certas previsões, serão no final do século 4 ou 5 graus, o que tornará a vida, assim como a conhecemos hoje, praticamente impossível.

A predominância dos interesses econômicos especialmente especulativos, capazes de reduzirem paises à mais brutal miséria e o consumismo trivializaram nossa percepção do risco sob o qual vivemos e conspiram contra qualquer mudança de rumo. Em contraposição, está comparecendo cada vez mais forte, uma cosmologia alternativa e potencialmente salvadora. Ela já tem mais de um século de elaboração e ganhou sua melhor expressão na Carta da Terra. Deriva-se das ciências do universo, da Terra e da vida. Situa nossa realidade dentro da cosmogênese, aquele imenso processo de evolução que se iniciou a partir do big bang, há cerca de 13,7 bilhões de anos. O universo está continuamente se expandindo, se auto-organizando e se autocriando. Seu estado natural é a evolução e não a estabilidade, a transformação e a adaptabilidade e não a imutabilidade e a permanência. Nele tudo é relação em redes e nada existe fora desta relação. Por isso todos os seres são interdependentes e colaboram entre si para coevoluirem e garantirem o equilíbrio de todos os fatores. Por detrás de todos os seres atua a Energia de fundo que deu origem e anima o universo e faz surgir emergências novas. A mais espetacular delas é a Terra viva e nós humanos como a porção consciente e inteligente dela e com a missão de cuidá-la.

Vivemos tempos de urgência. O conjunto das crises atuais está criando uma espiral de necessidades de mudanças que, não sendo implementadas, nos conduzirão fatalmente ao caos coletivo e que assumidas, nos poderão elevar a um patamar mais alto de civilização. É neste momento que a nova cosmologia se revela inspiradora. Ao invés de dominar a natureza, nos coloca no seio dela em profunda sintonia e sinergia. Ao invés de uma globalização niveladora das diferenças, nos sugere o bioregionalismo que valoriza as diferenças. Este modelo procura construir sociedades autosustentáveis dentro das potencialidades e dos limites das bioregiões, baseadas na ecologia, na cultura local e na participação das populações, respeitando a natureza e buscando o "bem viver" que é a harmonia entre todos e com a mãe Terra. O que caracteriza esta nova cosmologia é o cuidado no lugar da dominação, o reconhecimento do valor intrínseco de cada ser e não sua mera utilização humana, o respeito por toda a vida e os direitos e a dignidade da natureza e não sua exploração.

A força desta cosmologia reside no fato de estar mais de acordo com as reais necessidades humanas e com a lógica do próprio universo. Se optarmos por ela, criar-se-á a oportunidade de uma civilização planetária na qual o cuidado, a cooperação, o amor, o respeito, a alegria e espiritualidade ganharão centralidade. Será a grande virada salvadora que urgentemente precisamos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os limites da sujeira na terra

Análise feita por cientistas de universidades calcula quanta poluição, destruição e exploração o planeta agüenta.
Veja infográfico abaixo.
Fonte Planetary Boundaries: Exploring the Safe Operating Space for Humanity. Universidades de Oxford, Califórnia, Minnesota, Vermont, Arizona, Alasca, Copenhague, Estocolmo, East Anglia, Wageningen, Louvain, James Cook, Universidade Nacional da Austrália e Nasa.
*Unidades Dobson, que medem a densidade da camada de ozônio.